Pequenos produtores apostam na produção do fruto e produtos derivados, como o azeite de abacate
Por Cinthia Ferreira
Um fruto rico em vitaminas e gordura saudável, versátil na alimentação, o abacate é um alimento apreciado em todo o mundo. E mais uma vez o Espírito Santo é referência, sendo o 4° maior produtor de abacate do Brasil. Segundo o Incaper, em 2024 foram produzidas 33.735 toneladas do fruto – um crescimento de 14,13% em relação a 2023, quando a produção foi de 29.556 toneladas.
A variedade de abacates cultivada no Espírito Santo, aliada ao uso inteligente do relevo montanhoso e do clima local, permite colheitas em diferentes períodos do ano. O clima tropical/subtropical, combinado à localização em áreas elevadas, favorece significativamente o cultivo.
São mais de 40 tipos cultivados, e os agricultores das montanhas do Espírito Santo mantêm o abastecimento contínuo da fruta. No Espírito Santo, a região Serrana se destaca na atividade, com orientação técnica contínua do Incaper. O município de Venda Nova do Imigrante, é atualmente o maior produtor estadual.
Como se tantas virtudes ainda fossem poucas, Cesar Abel Krohling, engenheiro agrônomo do Incaper que atua em Marechal Floriano, destaca que “o abacate, consorciado com o café, aumenta a diversidade de inimigos naturais das pragas”.
Ele explica que o plantio deve ser realizado com mudas de boa qualidade. “A enxertia também é fundamental para o sucesso da atividade, pois garante rapidez e produtividade nos cultivares”.
O produtor rural Miguel Quaioto, de Venda Nova do Imigrante, há oito anos produz abacate. Em sua propriedade de três hectares, ele e sua esposa, Alexandra Sgaria, produzem dois tipos de abacate, Margarida e Primavera.
“O abacate Primavera é mais precoce, pode ser colhido a partir de maio, e o Margarida é tardio, a partir de setembro em diante”, explica Miguel Por ano, são produzidas 30 toneladas de abacate, com faturamento de R$ 100 mil.
O abacate do produtor rural está presente na Região Nordeste e na Argentina.
Para ele, zelo e acompanhamento técnico são fundamentais para garantir a qualidade do produto. A meta de crescimento é alcançar até 100 toneladas de cada tipo de abacate em quatro anos. Já as expectativas para 2025 são positivas. “Estou trabalhando com muito empenho, antecipando melhores preços”, acredita Miguel Quaioto.
O primeiro azeite de abacate do ES
A história da Família Peterle começa em 1989, quando o casal de produtores rurais, Deolindo José Peterle e Maria da Penha Altafim Peterle, escolheu a produção de abacate como sua principal atividade na propriedade em que moravam, em Alto Bananeiras, zona rural de Venda Nova do Imigrante. No ano de 2018, os filhos Jean Carlos e Maico Peterle passaram a trabalhar com os pais. Juntos, eles desejavam atender o mercado da capital, Vitória.
A partir desse momento, nasce a empresa Irmãos Peterle Comércio de Frutas.
Débora Possebon Martins Peterle, esposa de Jean Carlos, conta que a comercialização de abacate in natura deu origem à atividade da família, que decidiu diversificar e agregar valor à fruta por meio da produção de azeite. O azeite de abacate Irmãos Peterle é fruto de mais de três anos de estudos junto ao Instituto Federal do Espírito Santo (IFES), sendo uma iniciativa pioneira e inovadora. Em 2020, foi fundada a fábrica de azeite.

O produto é 100% natural, sem adição de conservantes e extraído pelo processo de centrifugação. “Cada 200 quilos da polpa de abacate resultam em aproximadamente sete a oito litros de azeite, o que pode variar de acordo com a qualidade da fruta e as condições climáticas de cultivo”, explica Débora. Atualmente, o azeite de abacate está presente em todo território capixaba e em algumas capitais do Nordeste, como da Paraíba e do Rio Grande do Norte.
Por ser a primeira fábrica de azeite de abacate do estado, a família decidiu abrir as portas para visitação e turismo de experiência. “Além disso, temos ainda a Casa do Azeite Irmãos Peterle, situada no início da propriedade. O local é para degustação dos azeites e o turista pode conhecer todos os produtos disponíveis, intensificando a visitação turística da nossa região”, conclui Débora.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

