
O crescimento do microempreendedorismo individual e o fortalecimento das pequenas e médias empresas mostram uma economia mais capilarizada
Por Pablo Lira
O Espírito Santo tem reafirmado, nos últimos anos, uma posição de destaque no cenário econômico nacional. O desempenho recente do Produto Interno Bruto (PIB), aliado à queda do desemprego e à ampliação dos investimentos públicos e privados, sinaliza uma economia que cresce com consistência e mantém o equilíbrio fiscal como uma de suas marcas. Em um país de contrastes e incertezas, o estado desponta como exemplo de gestão efetiva e resiliência.
De acordo com os dados mais recentes do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), no 2° trimestre de 2025, o PIB capixaba (2,3%) cresceu acima da média nacional (0,4%), impulsionado por setores estratégicos como a indústria, o agronegócio, a construção, o comércio e os serviços.
A diversificação produtiva e a infraestrutura portuária têm sido fatores decisivos para o bom desempenho. Esse resultado reflete uma economia conectada aos fluxos globais, mas que também fortalece cadeias produtivas regionais e a interiorização do desenvolvimento.
A indústria, responsável por uma fatia expressiva do PIB estadual, segue como motor de geração de valor e emprego. O minério, a produção de petróleo e gás, a cadeia de celulose e papel, e o setor de rochas ornamentais continuam a exercer forte influência sobre a balança comercial capixaba. Já o agronegócio, ancorado em produtos como o café, o mamão e a pimenta-do-reino, mantém papel essencial na estabilidade do interior e na sustentação da renda das famílias rurais.
Na perspectiva do emprego, o Espírito Santo também vem apresentando resultados positivos. A taxa de desocupação atingiu um dos menores patamares da série histórica, refletindo a recuperação do mercado de trabalho formal e o dinamismo de setores como comércio, construção civil, serviços e tecnologia da informação.
O crescimento do microempreendedorismo individual e o fortalecimento das pequenas e médias empresas mostram uma economia mais capilarizada, com oportunidades distribuídas de forma mais equilibrada entre as regiões.
Outro destaque é a solidez fiscal do estado. O Espírito Santo mantém notas elevadas nas avaliações de capacidade de pagamento e figura entre as poucas unidades da federação com contas públicas equilibradas, superávit primário e baixo endividamento.
Essa responsabilidade fiscal cria um ambiente favorável à atração de investimentos e ao planejamento de longo prazo, condição essencial para sustentar o desenvolvimento econômico e social.
Os indicadores de investimento público também apontam avanços expressivos, com destaque para as áreas de infraestrutura, saneamento, mobilidade e inovação.
Esses aportes reforçam o potencial competitivo do estado e dialogam diretamente com a transição energética e a economia de baixo carbono, temas estratégicos na agenda global e que colocam o Espírito Santo em posição de vanguarda nas discussões sobre sustentabilidade e crescimento verde, temáticas de destaque da COP30 que foi realizada no último mês de novembro no Brasil.
Em síntese, o atual cenário econômico capixaba combina crescimento, geração de empregos e responsabilidade fiscal. O desafio, daqui em diante, é consolidar esse ciclo virtuoso, ampliando a produtividade, qualificando a força de trabalho e garantindo que os frutos do desenvolvimento cheguem a todos os capixabas.
O Espírito Santo prova, mais uma vez, que é possível crescer com equilíbrio, planejamento e visão de futuro, um exemplo de maturidade econômica em um país que ainda busca estabilidade e confiança.
Pablo Lira é pós-doutor em Geografia, mestre em Arquitetura e Urbanismo, diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN) e professor da Universidade Vila Velha (UVV)
Esse artigo é uma republicação da Edição 231 da Revista ES Brasil – Retrospectiva 2025 – Leia aqui

