
A arte nos confronta com a realidade: a perda de biodiversidade, a escassez de água e as zonas mortas nos oceanos resultam de um sistema predatório
Por Manoel Goes
Belém do Pará ganhou, em novembro passado, novas cores, formas e sentidos com as intervenções artísticas instaladas para a COP 30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), sendo a primeira na Amazônia, reunindo líderes globais, diplomatas e ativistas, onde foram discutidas ações climáticas, com foco em transição energética, financiamento climático e proteção florestal que levaram mensagens sobre clima, consumo e futuro.
As obras, distribuídas por praças públicas e outros espaços, convidou quem circulou pela capital do Pará a refletir sobre o momento histórico vivido pela Amazônia. A arte tem sido uma ferramenta poderosa para a conscientização sobre a crise climática, com diversas exposições recentes no Brasil e no mundo abordando a urgência da preservação ambiental.
A arte nos confronta com a realidade: a perda de biodiversidade, a escassez de água e as zonas mortas nos oceanos resultam diretamente de um sistema predatório que transforma a própria vida em mercadoria. Esse cenário foi o que levou o talentoso artista capixaba, de Colatina, Joarez Romano a preparar essa sua exposição de pinturas “A Vida Insiste”, que está em exposição na galeria-store VilaZinha Espaço Artes, na Pousada VilaZinha na Prainha, como contribuição e mais uma reflexão sobre a necessidade de profundas mudanças no comportamento de todos nós, quanto aos cuidados com a crise climática.
Além de discutir a devastação ambiental, a mostra trata dos povos indígenas, ribeirinhos, agricultores e sertanejos brasileiros, alertando sobre os diversos aspectos do uso da terra, como os latifúndios, a mineração e a monocultura, o artista Joarez compartilha um pouco dessas experiências como um processo histórico desde os tempos do Brasil Colônia.
Tem participação especial nessa exposição a artista plástica e ativista ambiental Ana Sanches, membro do importante e atuante Instituto Pró-Tapir, apoiador dessa exposição, expondo suas artes de lindas pinturas da nossa fauna em madeira reciclada, colhida diretamente da natureza.
O Instituto Pró-Tapir para a Biodiversidade, atua na promoção da conservação ambiental, com foco especial na biodiversidade da Mata Atlântica, um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta, desenvolvendo ações de pesquisa, educação ambiental, sensibilização comunitária e fortalecimento de políticas públicas, contribuindo para a proteção de toda a biodiversidade e de seus ecossistemas naturais.
Entre seus diferenciais está a valorização da arte como ferramenta de transformação social. Ao articular arte e ciência, a artista Ana Sanches amplia o alcance das ações do Instituto, conectando diferentes públicos e levando a temática ambiental para novos espaços de diálogo. Recomendamos a todos participarem dessa experiencia.
Não é de hoje que o mundo está de olho nas mudanças climáticas e que o mercado de arte se conecta com ativistas ambientais para contribuir para a conscientização do público. O recado é simples: se não mudarmos já nossas relações com o mundo ao redor o futuro será catastrófico. No centro da discussão está, é claro, o próprio ser humano e como arte, ciência e tecnologia podem formar uma potente aliança em defesa do planeta, afinal a vida insiste.
Manoel Goes Neto é escritor, produtor cultural e diretor no IHGES

