Varejo capixaba começa a reagir

Após um período de muitos desafios e de perspectivas bastante ruins, o comércio esboça os primeiros sinais de recuperação no Estado

Em junho de 2017, o varejo capixaba teve um leve crescimento de 0,2% no volume de vendas se comparado a maio, feitos os ajustes sazonais. Ainda segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-ES), na avaliação anual houve uma retração de 0,8% em relação a junho de 2016.

Esse resultado promoveu um recuo de 7,7% no acumulado no volume de vendas do segmento no primeiro semestre de 2017 em confronto com o mesmo período do ano passado. De janeiro a junho de 2016, esse indicador encolheu 10,7% ante o mesmo período de 2015. Já nos últimos 12 meses, a queda foi de 9,1%.

Na avaliação do presidente da Fecomércio-ES, José Lino Sepulcri, o crescimento, mesmo bastante tímido, é importante para a manutenção da tendência positiva iniciada em janeiro. “Finalmente os números ruins estão ficando para trás. Esperamos e estamos trabalhando para manter essa linha positiva. Assim já conseguimos vislumbrar um resultado melhor para o fechamento de 2017.”

Fonte: Confederação Nacional do Comércio (CNC)

Não foi apenas na Grande Vitória que a melhora nas vendas foi sentida. O presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Linhares, Ilson Alves Pessoa, afirma que esse avanço começa a ser percebido também pelos comerciantes locais. “Observamos uma melhora relevante nos últimos tempos. Estamos com uma movimentação maior, que se intensificou ainda mais nos últimos dias, por conta do Dia dos Pais”, explica.

Emprego

Após dois anos, o total de desempregados no Espírito Santo voltou a cair. Entre abril e junho de 2017, esse grupo abrangia 282 mil pessoas, o que representa 13,4% dos trabalhadores capixabas, segundo dados da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua). No trimestre anterior, havia 294 mil, quase 14,4% dos profissionais.

O perfil com a maior alta no período foi o de trabalhadores domésticos: 15,7% na comparação com o mesmo período passado, 17 mil novas vagas. Atividades voltadas para alojamento e alimentação se expandiram 13,1%, resultando em mais 13 mil ocupações.

Em junho, 1.466 postos de trabalho formais haviam sido extintos, mas o desempenho foi o melhor apresentado para o mês de junho desde 2013. Em igual período de 2016, perdemos no Estado 6.428 posições. No ano anterior, foram 7.135. Ainda assim, o primeiro semestre do ano registrou a criação de 5.421 postos. Um cenário muito melhor que em igual período de 2016, quando foram encerrados 15 mil.

No primeiro trimestre, 9.965 estabelecimentos comerciais fecharam as portas no Brasil, sendo 354 deles no Espírito Santo. No cenário nacional, isso representou, aproximadamente, 75% a menos que o total de lojas desativadas nos primeiros três meses de 2016, quando houve o fechamento de mais de 37 mil unidades. Já no Estado, segundo a Junta Comercial do Espírito Santo (Jucces), a queda foi de 66%, uma vez que mais de mil faliram no período, no ano passado. Ao fim de 2016, 3 mil lojas estavam fechadas no Espírito Santo. No país, foram 106 mil.

Confiança

O Índice de Confiança do Comércio (Icom), divulgado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou 2,3 pontos na passagem de junho para julho, saindo de 85,7 para 83,4.  E o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), em julho, retrocedeu após três importantes avanços. Segundo a Fecomércio-ES, a alta vinha sofrendo influência, principalmente, da melhora na expectativa do varejista, relacionada ao andamento da agenda de reformas e à queda nos juros e na inflação. Em julho, o declínio das expectativas para os próximos meses puxou o Icec para baixo. Os indicadores mostram crescimentos significativos em relação ao ano passado, “mas é preciso avançar”. Isso porque o quadro de instabilidade tem perdurado por mais tempo do que se esperava. Uma realidade que faz a Federação destacar que “certamente a confiança ficou fragilizada novamente mediante as incertezas no cenário político”.

Brasil

No cenário nacional, o comércio varejista também apresentou a terceira alta mensal consecutiva. O volume de vendas cresceu 1,2% na passagem de maio para junho, enquanto a receita nominal se expandiu 0,8%.

Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) divulgada em agosto pelo IBGE aponta que seis das oito atividades tiveram elevações no volume de vendas, com destaque para os setores de “tecidos, vestuário e calçados” (5,4%) e de “livros, jornais, revistas e papelaria” (4,5%). Crescimentos foram também observados nos segmentos de “combustíveis e lubrificantes” (1,2%), “móveis e eletrodomésticos” (2,2%), “artigos farmacêuticos, médicos e de perfumaria’’ (1,5%) e “outros artigos de uso pessoal e doméstico” (2,7%).

Fonte: IBGE / Elaboração: Assessoria Econômica Fecomércio-ES

Na comparação com junho de 2016, as vendas aumentaram 3% no volume e 2,4% na receita. No acumulado do ano – de janeiro a junho de 2017 –, houve incremento de 1,9% na receita, apesar da diminuição de 0,1% no volume. Já no acumulado de 12 meses, baixa de 3% no volume e alta de 3,2% na receita. Duas atividades tiveram queda no volume: “equipamentos e material para escritório, informática e comunicação” (-2,6%) e “supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo” (-0,4%).

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), alcançou 77,3 pontos em agosto de 2017, em uma escala de zero a 200. Apesar de um acréscimo de 11,5% em relação a igual período de 2016, o indicador manteve-se estável na comparação com julho.

O resultado positivo do mercado de trabalho em julho – com 35 mil novas vagas – e as expectativas favoráveis em relação ao comportamento dos preços e das taxas de juros levaram a CNC a revisar, de +1,6% para +1,8%, sua projeção para o desempenho do varejo ampliado ao fim deste ano.

Expectativas Locais

O presidente da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) de Vitória, Adriano Gomes Ohnesorge, aponta que a melhora gradual nos últimos meses observada no comércio, assim como na economia, se deu em consequência de alguns fatores, entre eles a liberação dos valores disponíveis nas contas inativas do Fundo de Garantia. “Um dos motivos que contribuíram para a movimentação do setor foi o saque das contas inativas do FGTS. Boa parte desse dinheiro foi usada para pagar dívidas, mas muitos brasileiros aproveitaram para fazer novas compras.”

Segundo pesquisa da CNC, os setores de vestuário e calçados absorveram 44,9% desse dinheiro extra. “Estamos com boas expectativas quanto ao segundo semestre, já que a confiança na economia está voltando aos poucos. A queda da inflação, os juros mais baixos e a redução, mesmo que pequena, da taxa de desemprego já são bons sinais”, afirma Ohnersorge.

No entanto, o empresário faz uma ressalva. “Mas como boa parcela da população continua endividada, é preciso ter cautela e continuar contendo custos e gerenciando bem os estoques. Além disso, as promoções têm sido uma ótima saída para atrair o cliente”, destaca.

Por fim, o dirigente enfatiza que o lojista precisa ser proativo para fazer seu negócio prosperar e crescer.  “Não adianta ficar parado na frente da porta esperando o consumidor entrar. O comerciante sempre foi criativo, inovador e, mais do que nunca, é hora de colocar isso em prática.”

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