Um prato cheio para o mercado de TI

Foto: Arquivo Next Editorial

Como aproveitar o potencial das gerações Y e Z, os “filhos da internet”

Eles são ousados, não gostam de monotonia e se apegam somente ao que lhes parece fazer algum sentido. Aprendem tudo mais rápido e querem fazer tudo ao mesmo tempo.
As gerações Y e Z são os jovens que nasceram na era da tecnologia, ou um pouquinho antes dela, e desde cedo aprenderam a lidar com todas as informações e mudanças que surgem rapidamente – uma característica dos novos tempos.

São as novas gerações, que estão invadindo o mercado de trabalho a todo o vapor, com criatividade e familiaridade com as novas tecnologias, que avançam cada vez mais rápido.

O momento, segundo especialistas, é o de aproveitar o encontro de gerações dentro do mercado, para que os jovens tragam suas novas ideias, ao mesmo tempo em que o veterano, que teme perder espaço, assuma o seu papel de mentor, e não o de adversário. Aquele que orienta e fiscaliza para minimizar os erros por falta de experiência, ao passo que aceita a chegada das novas linguagens.

Mas afinal, o que é isso? Embora não seja considerado um padrão científico de análise de comportamento, entende-se por “Geração Y” aqueles que nasceram no final da década de 1980 ou na década de 1990. Chegaram a viver um mundo sem internet, porém rapidamente a tecnologia começou a entrar nas casas dos brasileiros e avançou de forma cada vez mais veloz. A terminologia foi inspirada nos Yuppies, jovens profissionais urbanos bem-sucedidos.

A “geração Z” é a daqueles que nasceram já no final da década de 1990 ou na década de 2000. Não conheceram o mundo sem tecnologia e, desde cedo, já estavam conectados à internet, seja pelos computadores, seja pelos gadgets. Se por um lado têm muita criatividade e uma imensa capacidade de aprender tudo muito rápido, por conta dos vários estímulos que receberam desde cedo, seus defeitos comuns são a falta de foco e a tendência ao isolamento. São os jovens dos celulares e dos fones de ouvidos.

“A cada 20 anos, é considerada uma nova geração. De tempos em tempos, deve-se prestar  atenção nos jovens de 18 a 30 anos. É uma janela que chama muita atenção e demonstra mudanças comportamentais diante de algum cenário, quando acontece de maneira mais intensa”, explicou o mentor e escritor Sidnei Oliveira.

Sidnei Oliveira, mentor e escritor

Segundo ele, essas gerações são definidas quando observa-se, num grupo de jovens, um  comportamento semelhante. Na sua visão, os jovens da geração Y e Z, caracterizados pela familiaridade com a tecnologia, têm o defeito de terem se tornado dependentes dela. “No passado, a área de TI era de muito cálculo, poucos conseguiam decifrar os códigos e, assim, ganhavam muito dinheiro com isso. A tecnologia avançou de tal forma que se incorporou à vida das pessoas, trouxe o ‘poder’ de ser onisciente e onipresente. Posso perguntar o que quiser sobre o que for, que eu tenho a resposta. Como esses jovens nasceram nesse mundo,
eles têm uma intimidade maior com a tecnologia e aprendem mais rápido.
Por outro lado, eles se tornaram dependentes, não sabem mais viver sem isso”.

Há ainda outras vertentes que defendem terminologias diferentes para as gerações. O diretor executivo da Wis Educação, Leonardo Carraretto, explica que há uma terceira via, denominada Geração Flux, que vem baseada não na noção de idade, mas sim, na de comportamento.

“Um senhor de 60 anos pode ser tão flux quanto um  jovem de 15 anos. Basta ter as características deste novo perfil de jovem. Os flux são aqueles que desencadeiam as grandes mudanças e transformações do nosso tempo, independente da sua faixa etária”, definiu.

Mercado

Para Carraretto, absorver as gerações Y e Z ao ambiente de trabalho de TI é ter de perto bons parâmetros de tendências de consumo. “Por serem gerações totalmente influenciadas e estarem constantemente imersas na tecnologia, ter gerações Y ou Z são amostras constantes de para onde está indo o mercado. É só olhar para os seus colaboradores e ver quais são as próximas tendências e os hábitos de consumo”.

Leonardo Carraretto, diretor executivo da Wis Educação

Para que esses jovens das novas gerações, que viveram desde cedo ou desde sempre o mundo tecnológico, Carraretto defende o papel dos pais em direcionar o melhor uso da tecnologia para a criação de profissionais comprometidos e bem-sucedidos. “Ninguém tem a resposta correta, mas buscar sempre a melhor interação criança-tecnologia, adolescente-tecnologia e jovem-tecnologia é o caminho mais acertado”.

Essa mesma missão familiar também é defendida pela pedagoga e presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) no Espírito Santo, Katia Vasconcelos.

“Para aproveitar o que esses jovens têm de melhor é preciso dar as orientações necessárias, mostrando que é uma geração que pode batalhar pelos seus direitos, mas também deve cumprir com os seus deveres, ajudando-os a ter mais foco. Estamos passando por uma crise de foco muito grande. Nunca se conviveu com tantos estímulos, ao mesmo tempo”.

Ela também lembra que essas novas gerações são marcadas pela dificuldade em lidar com a frustração e que o desprazer é fundamental para o crescimento pessoal. “É preciso um trabalho muito forte, de suporte emocional. As pessoas lidam com novas gerações como se isso fosse um bicho de sete cabeças, mas elas são diferentes, pois cresceram numa sociedade que já era diferente”.

Katia Vasconcelos aponta que há uma forte discussão se esses jovens muito ligados em tecnologia são comprometidos. “Eles são mais criativos, mais dinâmicos, mais interessados e têm um gosto muito forte por descobrir o sentido das coisas, entender como elas funcionam. São também comprometidos, mas depende do que eles querem se comprometer.

Katia Vasconcelos, presidente da ABRH no ES

No trabalho, trazem inovação e um grande volume de informações. Nunca tivemos uma geração com tanto conhecimento e tão inteligente”.

Colaboração

Para Sidnei Oliveira, esses jovens das novas gerações, que já não concebem mais o mundo profissional como algo rígido e hierárquico, vão influenciar cada vez mais para um ambiente menos coletivo e mais colaborativo.

“A nossa sociedade é montada a partir do coletivo, onde cada um tem o seu papel e se especializa. No ambiente colaborativo, independente do seu papel, você colabora para que tudo continue fluindo. É uma tendência mais profunda, pela qual a nossa sociedade vai passar”.

Já as crises financeiras serão bons momentos para impulsionar esses jovens a crescer e a buscar mais estabilidade e engajamento em um mesmo ambiente de trabalho.

“Com a crise, ele já está percebendo que não terá todas as oportunidades do mercado e, então, será obrigado a ser mais estratégico antes de pedir demissão, pois ele pode ficar desempregado. Eu diria que a crise é uma boa cicatriz para esses jovens”, avaliou Oliveira.

Conteúdo Publicitário

Aproveite as promoções especiais na Loja da ES Brasil!