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segunda-feira, 17 junho, 2024

Em foco as políticas públicas que incrementam o turismo no ES

Ex-secretário aponta os caminhos atuais e futuros do turismo capixaba

Por Robson Maia

Principal aposta do Espírito Santo para driblar os possíveis impactos da Reforma Tributária, o turismo capixaba ganhou um papel de destaque em uma dimensão que em poucos momentos teve ao longo da história.

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A expectativa em torno do tema é fruto dos bons números apresentados pelo setor no recorte recente. De acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Jones Santos Neves (IJSN) no início deste ano, o turismo cresceu, economicamente, aproximadamente 25,5% no ano de 2022 quando comparado aos 12 meses de 2021. A receita arrecadada com atividades ligadas ao setor, como bares, hotelaria e atividades de lazer, representou um aumento de 42,9% no mesmo período.

Para o então secretário de Estado de Turismo, Weverson Meireles, atual secretario de Turismo da Serra, s as conquistas observadas não são meras coincidências. Para o gestor da pasta, os bons números são resultados diretos das políticas adotadas pelo Governo do Estado, além de entregas da atual gestão, sobretudo na figura do governador Renato Casagrande.

Confira os principais pontos da entrevista com o secretário de Estado Weverson Meireles.

Quais são as principais vertentes das políticas de desenvolvimento do turismo trabalhadas hoje no Espírito Santo? Sob quais critérios foram definidas?

O orçamento de 2023 foi de quase R$ 34 milhões, sendo investidos em qualificação e promoção de destinos, para que nós possamos continuar a divulgar os principais pontos do Espírito Santo. Olhamos com muito carinho para melhorias da infraestrutura do turismo, facilitando o acesso do turista aos nossos atrativos, às nossas paisagens, às nossas belezas.
Agora, em 2023, para além das nossas iniciativas, tivemos uma grande entrega, que é o Projeto de Lei que o governador Renato Casagrande encaminhou para a Assembleia Legislativa, criando a Lei Estadual do Turismo Sustentável. A partir dali teremos diversas ações, passando pelo poder público, iniciativa privada, o Governo do Estado e até os municípios, num trabalho conjunto para que possamos desenvolver de maneira ordenada e sustentável o turismo no Espírito Santo.

O turismo tornou-se um setor importantíssimo com a nova Reforma Tributária. Como a pasta vê essa reconfiguração?

É um ponto muito importante para o Espírito Santo. A partir de 2032, quando nós teremos o final do período de transição, teremos a oportunidade de ter um consumo maior em nosso estado.
Uma das matrizes econômicas do Espírito Santo tem que obrigatoriamente ser o turismo, porque nós sabemos que não temos uma população muito numerosa.
Então, precisamos aumentar o fluxo turístico para que possamos aumentar o consumo, uma vez que a reforma tributária vai privilegiar os grandes centros consumidores. O Projeto de Lei encaminhado pelo governador é certamente a maior entrega do turismo no ano de 2023.

Quais as principais entregas realizadas pela Setur em 2023?

Para além das destacadas, vamos olhar para a promoção. Por exemplo: nós lançamos o edital de Famtour, Roadshow e Presstrip. O que é o Famtour? É nós convidarmos para o Espírito Santo as operadoras e agentes de viagem dos principais emissores de turismo e oportunizarmos a eles a experiência de descobrir o Espírito Santo, de realmente ir aos nossos atrativos, visitar as nossas regiões turísticas, para que isso gere pacotes sendo comercializados por esses agentes e operadores de viagem. Já o Roadshow é o contrário. Nós vamos aos estados emissores de turistas, como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Distrito Federal, e qualificamos nesses emissores os agentes de viagem e operadores de turismo naquela cidade. Então nós capacitamos os agentes a vender e a promover o estado do Espírito Santo. Já o Presstrip é convidarmos os influenciadores para estarem aqui no Espírito Santo, vivenciando todas as nossas experiências, que são inúmeras, conhecendo todos os nossos atrativos e as nossas paisagens, e nos auxiliando na promoção dos destinos capixabas.

Existem iniciativas para atrair investimentos do setor privado para o turismo capixaba? Quais?

O setor privado é um parceiro importantíssimo para o turismo capixaba e brasileiro. Porque o turismo, se você refletir, de fato quem executa é o setor privado, que é quem recebe, quem acolhe, quem hospeda, o setor de bares e restaurantes. Todos esses setores são privados. Cabe ao poder público facilitar a vida desse empreendedor. E o setor privado capixaba tem sido um parceiro incansável no desenvolvimento do turismo no Espírito Santo, de maneira sustentável. A principal conquista que nós teremos, em breve, é a concessão do Pavilhão de Carapina. A concessão significa para nós um grande centro de convenções, colocando o Espírito Santo na rota nacional dos eventos que geram fluxo turístico. Nós fizemos um trabalho de concessão através de uma PPP e lançamos o edital. No entanto, o governador já decidiu que agora nós vamos trilhar um outro caminho. E qual seria? Estamos agora em parceria com a iniciativa privada elaborando um projeto para que aquela área de 109 mil metros quadrados possa ser modernizada. Então em um primeiro momento o Estado vai fazer um investimento e a partir daí nós vamos buscar uma PPP para que seja feita a gestão da nossa arena multiuso.

Quais as ações do governo para melhorara infraestrutura turística no estado?

A sinalização tem sido um foco extremamente importante das nossas ações no estado. Entretanto, nos últimos anos, tivemos diversos investimentos em infraestrutura que alcançaram o turismo. Por isso que sempre reforço: o turismo é transversal, coletivo.
Hoje, nós temos obras que se tornaram referências para o Brasil e que passaram por outras pastas e alcançam o turismo, como o engordamento da praia de Meaípe, a reativação do Aquaviário, a Ciclovia da Vida, a nova Terceira Ponte, a urbanização e nova orla de Piúma e pavimentação da rota do Carmo. São alguns dos investimentos para além do projeto de sinalização turística que o estado tem feito, por meio da Secretaria de Turismo, e que tem a magnitude de investimento na casa dos bilhões.

O Espírito Santo tem se preparado para o turismo internacional? Quais ações têm sido desenvolvidas nesse sentido?

O Estado tem conversado com as operadoras e viações aéreas para que nós
possamos em um primeiro momento aumentar o fluxo de voos diretos para o Espírito Santo. Nós temos um aeroporto extremamente equipado. Nós temos a primeira cidade de imigração italiana no Brasil, que é Santa Teresa. Inclusive, em 2024, comemoramos 150 anos da imigração italiana. Então, nós já nos remetemos à oportunidade que temos de trazer o turista europeu.

Nós temos hoje o Grande Buda em Ibiraçu, que também está cada vez mais gerando fluxo turístico internacional. Então, temos feito o dever de casa, parceria com as companhias aéreas para voos internos, mas sim, está no radar do Governo do Estado [o turismo internacional], contudo temos que finalizar algumas etapas, que estão sendo feitas.

Quais medidas estão sendo tomadas para melhorar a acessibilidade para os turistas?

A questão da acessibilidade passa por ações conjuntas a nível nacional. Atualmente, temos um programa do Ministério do Turismo que acompanha e monitora, em parceria com os municípios, essa questão para que nós possamos melhorar a acessibilidade dos atrativos turísticos. Essa é uma ação em que os municípios e os estados possuem suas respectivas competências, e nós temos feito políticas de incentivo à melhoria da acessibilidade. De maneira inovadora, nós, junto com a Esesp, entregamos o primeiro curso de formação de gestores na política pública do turismo no Brasil. E a acessibilidade foi um dos pontos mais debatidos no nosso curso de formação.

Como o governo está utilizando a tecnologia para incrementar o turismo no estado?

O Observatório do Turismo, que é um setor extremamente importante da Secretaria de Estado, com aporte financeiro e investimento de pesquisa, monitora todas as nossas ações de política pública.

A partir daí, pesquisamos o perfil do turista que visita o estado do Espírito Santo, e agora, de maneira inovadora, nós estamos lançando o Conecta Turismo. É um programa com o qual nós vamos monitorar o fluxo turístico. O programa é fruto de uma parceria com a Fapes, com a Secretaria de Ciência e Tecnologia, Instituto Jones dos Santos Neves, Ufes e Prodest.

Com o programa vamos conseguir mensurar os dados e acompanhar a efetividade das ações das políticas públicas do turismo Primeiro, monitorando as redes sociais. E segundo, uma grande e inovadora entrega. Através do cerco inteligente,
nós vamos monitorar o fluxo turístico.

Nós não teremos acesso aos dados da placa. Mas nós teremos acesso a de onde o veículo partiu, seja ele um veículo próprio ou seja ele um veículo locado, qual foi o destino e por quantos dias ficou nesse destino.

Como o governo avalia o impacto econômico e social das ações de desenvolvimento do turismo no Espírito Santo?

Extremamente positivo. O governador Renato Casagrande é o maior entusiasta do turismo no estado do Espírito Santo. E nós temos um estado há doze anos nota A no Tesouro Nacional. Nós temos um estado referência nas políticas públicas em todos os setores. Tudo isso faz com que o turismo capixaba possa continuar crescendo e nós possamos continuar aumentando o fluxo turístico. Estamos trazendo cada vez mais desenvolvimento, gerando renda através dessa indústria limpa, dessa indústria verde que é o turismo no estado. Então todo o conjunto de investimentos do governo do estado tem feito com que o turismo capixaba seja referência nas políticas públicas de turismo do Brasil.

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