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Turismo do ES pede autocrítica para avançar, diz especialista

Aneliza Zanoni, jornalista especialista em viagens, defende planejamento, identidade e curadoria para posicionar o ES como destino desejado no Brasil e no exterior

O turismo capixaba tem potencial para ir muito além do óbvio, mas ainda enfrenta desafios quando o assunto é posicionamento e divulgação estratégica. Esse foi o tom da conversa com a jornalista e especialista em viagens Anelize Zanoni, convidada do mais recente episódio do podcast Destinos ES, que trouxe ao debate a importância do conteúdo, da identidade e do planejamento para fortalecer o turismo capixaba.

Com ampla experiência em consultorias turísticas no Brasil e no exterior, Anelize contou que, mesmo atuando intensamente no setor, pouco se ouve falar do Espírito Santo em outros estados. “Trabalho muito com turismo, principalmente no cenário da Serra Gaúcha, e ouvimos falar muito pouco do Espírito Santo. Se nos perguntarem, a gente não conhece referências do que tem aqui”, afirmou.

Entre os lugares que mais chamaram sua atenção está a região de Pedra Azul, apontada como um destino com enorme potencial turístico. “É encantadora, com beleza natural, situações autênticas, memória da imigração e forte presença da natureza. É um destino pronto para receber o turista, claro que precisa de ajustes, mas é perfeito para seduzir quem vem de fora”, disse.

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Para Anelize, a Pedra Azul funciona como o coração da região e poderia ser melhor integrada a um conjunto de experiências. “As pessoas querem fazer foto perto da pedra, mas é uma região de passagem. A sugestão é integrar melhor as experiências que existem ali, para que o roteiro contemple diferentes perfis e ofereça vivências autênticas”, explicou.

A jornalista também chamou atenção para o comportamento do turista contemporâneo, que busca praticidade. “A gente quer ter menos trabalho. Por isso, muitos turistas querem roteiros prontos. Quando alguém já pensou nessa curadoria, cria-se o desejo e se divulga o que chamamos de produto de prateleira”, pontuou.

Segundo ela, esse processo passa pela definição clara dos pilares de cada destino. “É preciso entender se o foco é turismo de luxo, de aventura ou algo exclusivo da região. A partir disso, começa-se a divulgação. Mas isso exige consistência e continuidade, com parcerias entre o setor público e o privado”, reforçou.

Anelize trouxe exemplos internacionais para ilustrar esse caminho. No Uruguai, onde presta consultoria ao Ministério do Turismo, o conceito de slow travel tem sido uma aposta bem-sucedida. “É um país pequeno, mas eles conseguiram ir além de Montevidéu e Punta del Este. As pessoas viajam sem pressa, exploram destinos internos, vinícolas, festas, tudo com calma”, relatou.

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Outro caso citado foi o de Mônaco, conhecido pelo luxo extremo, mas que reposicionou sua imagem. “Eles investiram em uma campanha dizendo que Mônaco também pode ser para você. Trabalharam família, sustentabilidade e eventos, indo além do luxo. É um destino de luxo, mas democrático”, explicou.

Para a especialista, o Espírito Santo pode trilhar caminho semelhante. “A primeira coisa é o autoconhecimento: olhar pra dentro, entender o próprio perfil, o público que deseja atrair e trabalhar em cima disso”, destacou.

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Um dos temas que Anelize pretende aprofundar em 2025 é o turismo feminino. Ela revelou que realizou uma pesquisa com quase três mil mulheres brasileiras sobre viajar sozinha. “Temos medo de viajar dentro do Brasil, mas existem muitos destinos seguros. O Espírito Santo pode apostar nessa demanda e se posicionar como um destino seguro para mulheres que viajam sozinhas”, afirmou.

O assunto ganha ainda mais relevância com a Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027, que será realizada no Brasil. “Precisamos estar preparados para receber essas mulheres”, alertou.

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Ao final da conversa, Anelize reforçou que o Espírito Santo tem atributos suficientes para se consolidar como destino turístico relevante — desde que saiba contar sua própria história. “É preciso se enxergar, fazer uma análise sincera do próprio destino e trabalhar a partir disso. O potencial está aqui”, concluiu.

Ouça na íntegra:

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