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Tensões diplomáticas Brasil–EUA: o que pode vir pela frente

Após aumento de tarifa para produtos brasileiros, Estados Unidos seguem ameaçando o Brasil, agora com aplicações de sanções

Por Kikina Sessa

Desde 9 de julho de 2025, quando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um aumento de 40% na tarifa aplicada a produtos brasileiros que entram em território norte-americano, a relação diplomática com o Brasil ficou estremecida. 

Com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, no dia 11 de setembro de 2025, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por participação em uma tentativa de golpe de Estado, entre outros crimes, as ameaças do governo norte-americano ganharam força. 

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Após o julgamento de Bolsonaro, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou nesta segunda-feira (15/9) que seu governo deve tomar novas medidas contra o Brasil em decorrência da condenação do ex-presidente.

Em visita a Israel, o americano foi questionado sobre a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de condenar Bolsonaro a uma pena de 27 anos.

“Bem, a resposta é que o Estado de Direito está se rompendo. Você tem esses juízes ativistas, um em particular, que não apenas foi atrás de Bolsonaro, como tentou exercer reivindicações extraterritoriais até mesmo contra cidadãos americanos ou contra alguém que posta online a partir dos Estados Unidos, e, na verdade, ameaçou ir ainda mais longe nesse aspecto”, afirmou Rubio, sem mencionar nomes.

Modelos de análise de política externa estão indicando para o mesmo sentido. Algumas sanções podem ser aplicadas ao Brasil, não tanto com efeito econômico.

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“Em um primeiro momento, não deverá ocorrer sanções comerciais, ao contrário, vimos a inserção de novos produtos na lista de exceções do tarifaço. Mas o que a gente pode esperar é que seja ampliado o leque das sanções individuais, como o cancelamento de vistos”, comenta o internacionalista e coordenador do curso de Relações Internacionais da UVV, Daniel Carvalho.

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O professor também lembrou que os Estados Unidos devem estender a aplicação da Lei Global Magnitsky de Responsabilização pelos Direitos Humanos, aplicada ao ministro Alexandre de Moraes, no final de julho de 2025, a todos os quatro ministros do Supremo Tribunal Federal que votaram pela condenação de Bolsonaro.

Essa é uma medida no curto prazo que demonstra a capacidade de coerção dos Estados Unidos de uma forma rápida e visível, sem custo financeiro para os Estados Unidos, mas tem um valor simbólico de reforçar a credibilidade das ameaças e atender os interesses da pressão doméstica do eleitorado.

Em um segundo momento, analisa o professor, a preocupação se volta a como a pena vai ser executada. “Eu imagino que nesse momento uma nova medida retaliatória e punitiva vindo da administração Trump no Brasil, vai ser proporcional à forma com que essa pena for executada”.

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Nesse sentido, está em andamento uma investigação comercial  que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) iniciou contra o Brasil, a pedido do presidente Trump, que acusa o Brasil de ataques contra empresas americanas de mídia social, bem como outras práticas comerciais desleais que prejudicam empresas, trabalhadores, agricultores e inovadores tecnológicos dos EUA. Esta investigação, com base na Seção 301, ainda aguarda um desfecho. 

O governo americano também pode impor regras ainda mais pesadas para empresas brasileiras que operam nos Estados Unidos ou empresas americanas que operem no Brasil.

“Como a administração Trump tem ignorado as regras de comércio internacional multilaterais, como da OMC, a gente pode esperar uma conclusão dessa investigação que leve para barreiras técnicas e fitossanitárias muito mais fortes ou até mesmo regras de compliance financeiro muito mais forte para essas empresas brasileiras.

“Basicamente, o que podemos esperar é uma pressão seletiva imediata e gradual, que a gente vai ver se consolidando nesse curto prazo, com mecanismos institucionais, no comércio e nas finanças  e com riscos comerciais cada vez mais amplos”, conclui o especialista em relações internacionais.

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