Geddel pede demissão

Esse é o sexto ministro de Temer que deixa o cargo envolvido em algum tipo de escândalo de irregularidade ou favorecimento político.  

Envolvido em acusações de tráfico de influência para liberar a obra de um prédio onde comprou um apartamento, na Bahia, o ministro Geddel Vieira Lima, da Secretaria do Governo, pediu demissão do cargo nesta sexta-feira (25). O pedido de demissão foi enviado por e-mail ao presidente Michel Temer. 

Em sua carta de demissão, Geddel – que está na Bahia – afirma que tomou a decisão “diante da dimensão das interpretações dadas” ao episódio e do “sofrimento dos meus familiares”, com a repercussão do caso. O ministro afirma ainda que sua decisão foi objeto de “profunda reflexão” e que continua como um “ardoroso torcedor” do governo Temer.

O pedido de demissão chega após depoimento do ex-ministro da Cultura Marcelo Calero à Polícia Federal acusar Temer e o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) de também o terem pressionado para interceder em favor da obra defendida por Geddel. Com o escândalo relevado por Calero, a situação de Geddel se agravou e aumentou a pressão sobre o presidente Michel Temer que, por meio de seu porta voz, se disse surpreso e decepcionado com os boato de que poderia ter sido gravado pelo seu ex-ministro da Cultura, e tem chances de ser citado em investigação pela Procuradoria Geral da República. 

Calero acusou o atual presidente Michel Temer de também pressioná-lo a liberar as obras do prédio La Vue, na ladeira da Barra, uma das áreas mais valorizadas de Salvador, embargadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Calero disse à PF que Temer o chamou ao Palácio do Planalto e determinou que ele “construísse uma saída” para o caso,  porque a decisão do Iphan teria criado “dificuldades operacionais” no gabinete dele, especialmente com o ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima.

Nome conhecido nos circuitos de investigação desde o escândalo dos “Anões do Orçamento”, em 1993, Geddel figura também em mensagens apreendidas pela Polícia Federal na Operação Lava Jato, que revelam que o peemdebista teria usado sua influência política para atuar em favor de interesses da construtora OAS. Segundo o blog do jornalista Jorge Bastos Moreno, do jornal O Globo, amigos de Geddel, após conversarem com Temer nesta quinta-feira (24), teriam aconselhado o ministro a pedir demissão, alegando que sua situação tornou-se insustentável, principalmente depois que Calero o denunciou à PF. Mas o ministro teria declarado não ter “motivo nenhum para pedir demissão”. 

A partir das declarações de Calero, a PF pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) abertura de inquérito contra Geddel. O STF já repassou o pedido da polícia ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot, a quem cabe dar parecer sobre o assunto. A tendência é que Janot peça abertura de inquérito.

RECURSOS – E em meio a essa crise política que põe em risco a permanência de Geddeal no staff de Temer, o ministério ocupado pelo peemedebista enviou um e-mail a todos os senadores e deputados federais, na última quarta-­feira (23), informando a “a recomposição” de R$ 440 mil destinados a emendas parlamentares. Essa é a primeira vez que parlamentares recebem um comunicado do gênero. O e­-mail, intitulado “Ajustes em emendas individuais”, foi assinado pelo Departamento de Relações Institucionais da Secretaria de Governo, comandada por Geddel, da Presidência da República. 

A mensagem aponta que “foi recomposto o valor de R$ 440 mil” para cada emenda parlamentar individual a que tem direito senadores e deputados, o que elevará o total anual de R$ 13,6 milhões para cada congressista. Temer reconhece que governo não é ‘infalível’

 A carta de demissão de Geddel:

Meu fraterno amigo presidente Michel Temer,

Avolumaram-se as críticas sobre mim. Em Salvador, vejo o sofrimento dos meus familiares. Quem me conhece sabe ser esse o limite da dor que suporto. É hora de sair.

Diante da dimensão das interpretações dadas, peço desculpas aos que estão sendo por elas alcançados, mas o Brasil é maior do que tudo isso.

Fiz minha mais profunda reflexão e fruto dela apresento aqui este meu pedido de exoneração do honroso cargo que com dedicação venho exercendo.

Retornando à Bahia, sigo como ardoroso torcedor do nosso governo, capitaneado por um presidente sério, ético e afável no trato com todos, rogando que, sob seus contínuos esforços, tenhamos a cada dia um país melhor.

Aos congressistas, o meu sincero agradecimento pelo apoio e colaboração que deram na aprovação de importantes medidas para o Brasil.

Um forte abraço, meu querido amigo.

Geddel Vieira Lima

Imagem: Foto Lula Marques / Jornal Grande Bahia 

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