Além da tarifa regular, o reajuste também vai alterar os valores cobrados aos domingos para usuários do CartãoGV e do Bike GV
Maxieni Muniz
As passagens dos ônibus do Transcol e do sistema Aquaviário vão ficar mais caras a partir desta segunda-feira (12). Definido e divulgado nesta sexta-feira (9), o reajuste de 4,08% vai elevar a tarifa para R$ 5,10. Mesmo assim, o Espírito Santo segue com a menor tarifa entre as regiões metropolitanas do Sudeste
Além disso, também haverá atualização na passagem de domingo, para os usuários que realizam pagamento com CartãoGV, que passa de R$ 4,30 para R$ 4,50, além do Bike GV, que vai de R$ 2,45 para R$ 2,55.
A Secretaria de Mobilidade e Infraestrutura (Semobi) informou ainda, que o índice aplicado fica abaixo da inflação do período, medida pelo IPCA, que foi de 4,46% entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, e também inferior ao reajuste do salário mínimo, que foi de 6,7%.
Em entrevista à Revista ES Brasil, o economista Vaner Corrêa Simões Junior, conselheiro do Corecon-ES, afirmou que, mesmo reajustes considerados moderados em termos percentuais, produzem impactos relevantes quando observados na lógica mensal do orçamento doméstico.
“O aumento pode parecer pequeno no valor unitário da passagem, mas ele se acumula ao longo do mês e pesa proporcionalmente mais sobre as famílias de menor renda, reduzindo a renda disponível para outros gastos essenciais”, avalia.
Em uma simulação simples apresentada pelo economista, um trabalhador que utiliza o transporte coletivo duas vezes por dia, cinco dias por semana, chega a um gasto mensal próximo de R$ 200 apenas com deslocamento. Esse valor pode representar uma parcela significativa da renda, especialmente para quem recebe até um salário mínimo.
O impacto da tarifa do transporte não se limita ao orçamento doméstico. Vaner explica que reajustes sucessivos influenciam a escolha modal e podem reduzir a atratividade do transporte coletivo quando não são acompanhados por ganhos claros de qualidade, tempo de viagem e confiabilidade.
“Quando o custo do ônibus sobe, a utilidade econômica do sistema cai. Parte dos usuários passa a buscar alternativas como moto, carro ou aplicativos, o que aumenta congestionamentos, eleva custos indiretos e reduz a produtividade urbana”, afirma.
Conselho de Transportes
Ainda segundo a Semobi, o valor foi definido na reunião do Conselho Gestor dos Sistemas de Transportes Públicos Urbanos de Passageiros da Região Metropolitana da Grande Vitória (CGTRAN/GV), realizada na manhã desta sexta-feira (9), no auditório do Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES), em Vitória.
O colegiado é formado por representantes do Governo do Estado, da iniciativa privada e da sociedade civil organizada. Na composição da tarifa são considerados insumos da fórmula paramétrica, como a variação no valor dos ônibus (3,54%), combustível (0,16%) e salários (6,00%), entre outros fatores.
Atualmente, o Sistema Transcol opera com cerca de 1,7 mil veículos, realizando mais de 20 mil viagens por dia e transportando, em média, 600 mil passageiros diariamente. Um dos principais diferenciais é a tarifa única, que permite ao usuário circular por toda a região metropolitana da Grande Vitória, fazer integrações temporais nos Terminais e também utilizar o Sistema Aquaviário pagando apenas uma passagem.

