Conheça estratégias e exemplos de negócios que prosperam com receita própria e modelo B2B, mesmo em cenário de cautela
Por Thamiris Guidoni
Em meio a um cenário de maior cautela dos investidores, startups brasileiras têm encontrado caminhos para crescer sem recorrer a rodadas de investimento logo no início da jornada. A estratégia passa por priorizar a geração de receita desde os primeiros clientes, com foco em modelos de negócio sustentáveis e validação rápida das soluções no mercado.
Os dados do Observatório Sebrae Startups mostram que esse perfil é mais comum entre empresas que atuam no modelo B2B, especialmente no setor de tecnologia da informação. Soluções baseadas em software, muitas vezes oferecidas no formato SaaS (Software as a Service), permitem receita recorrente e maior previsibilidade financeira, reduzindo a dependência de capital externo.
“O modelo B2B combinado com software e receita recorrente permite que a startup valide seu produto com rapidez, gere receita desde cedo e mantenha o controle sobre a operação”, afirma Cristina Mieko, head de startups do Sebrae. Segundo ela, esse caminho fortalece a estrutura do negócio antes de qualquer negociação com investidores.
Crescer sem investimento também exige disciplina financeira, equipes enxutas e foco em eficiência. Metodologias como o lean startup ajudam os empreendedores a testar hipóteses, ajustar produtos e evitar desperdícios. Grande parte dessas empresas começa com times pequenos, o que contribui para decisões mais ágeis e controle rigoroso de custos.
O levantamento ainda aponta que cerca de 30% das startups mapeadas têm mais de cinco anos de existência, um índice relevante para um setor marcado por altas taxas de mortalidade. Para Cristina Mieko, a venda é o principal termômetro do negócio nesse estágio inicial. “No início da jornada, o melhor ‘investimento’ é a venda… Nada valida mais um negócio do que um cliente pagando”, destaca.


