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quarta-feira, 19 junho, 2024

Retrospectiva 2022 – Estado amplia serviços de atenção primária à saúde

Centros Regionais de Especialidade registram mais de 80 mil atendimentos; na saúde privada, cresce o número de usuários de planos de saúde

Em ano de eleição, investimentos na área de saúde foram citados por todos os candidatos ao Governo do Espírito Santo como um dos temas prioritários para o mandato.

No plano de Governo apresentado por Renato Casagrande, reeleito em outubro como chefe do Executivo, entre as medidas propostas para o desenvolvimento da saúde no Estado, as duas primeiras foram a implantação do Complexo de Saúde do Norte do Espírito Santo e a inauguração do Hospital Geral de Cariacica.

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Ainda como compromisso a partir de 2023, o planejamento da pasta inclui o apoio à implantação de consultas por telemedicina nos municípios capixabas e a regionalização do acesso ao tratamento de radioterapia nas três regiões de saúde. Abrange, ainda, o aumento da qualificação e incentivo para que os municípios possam prover a cobertura de saúde bucal à população, tanto no atendimento básico quanto nos Centros de Especialidades Odontológicas, em todas as microrregiões capixabas.

Outro tema defendido é a implantação, em todo o território capixaba, dos Serviços de Atenção à Pessoa com Déficit Intelectual ou Espectro do Autismo, compostos por equipe multiprofissional.

Avanços

Um dos legados deixados pelo Governo do Estado em 2022 foi a conclusão de 100% de cobertura de urgência e emergência no Espírito Santo, avaliou o então secretário interino estadual da Saúde, Tadeu Marino, em entrevista concedida à ES Brasil Retrospectiva em meados de dezembro.

Retrospectiva 2022 - Estado amplia serviços de atenção primária à saúde
Em 2022, os Centros Regionais de Especialidades registraram mais de 80 mil atendimentos

“Muitos resultados colhidos neste ano são oriundos de políticas públicas implantadas desde 2019, como o Samu: hoje, 100% dos municípios têm atendimento das ambulâncias. Em 2020, a cobertura era de 50%.”

 

Marino destaca que não basta adquirir ambulâncias. “Para ter o Samu rodando, é necessário ter portas abertas. Então, o Estado ampliou o número de leitos hospitalares, investiu muito na rede própria, comprou leitos privados, e temos uma forte parceria com hospitais filantrópicos. Um legado de mais de mil novos leitos de UTI e mais de mil novos leitos de enfermaria”, elencou.

Ele reiterou que o pico da pandemia foi um período no qual a assistência à saúde ficou bastante pressionada. “Enquanto muitos estados abriam hospital de campanha, éramos muito cobrados para também fazer isso. Mas a estratégia adotada aqui – de garantir leitos que depois seriam utilizados mesmo sem a pandemia –mostrou-se acertada. Saímos de 8.500 para mais de 10 mil leitos”, informou Marino.

O segundo ponto assinalado foi a construção do Hospital de Cariacica, que “terá mais de 400 leitos, atendendo a todas as especialidades”. “Deverá ser entregue no máximo em dois anos e meio, até a metade do novo mandato”, estimou.

O novo hospital será o maior do Estado, com 38 mil metros quadrados, ao lado da Rodovia Leste-Oeste, no limite com o município de Vila Velha. Seis blocos abrigarão um pronto-socorro, farmácia, ambulatórios, centros de diagnóstico, centros cirúrgicos, laboratórios, UTIs (adulto e pediátrica), áreas administrativas, lactário, 550 vagas de estacionamento e um lactário.

Atenção primária

Em dezembro de 2018, o Espírito Santo contava com 896 equipes de Saúde da Família (eSF) e da Atenção Primária (eAP), além de 428 equipes de Saúde Bucal (eSB). Hoje, são mais de mil equipes de eSF e quase 600 de eSB.

De janeiro a novembro de 2022, os Centros Regionais de Especialidades (CREs) registraram mais de 80 mil atendimentos. E as 14 Farmácias Cidadãs do Estado alcançaram 1,1 milhão de atendimentos, totalizando um investimento de R$ 113,2 milhões, com a aquisição de 150 tipos de medicamentos diferentes.

Fechando o ano, no dia 20 de dezembro, o Governo do Estado anunciou a garantia de R$ 177,3 milhões para o custeio integral do projeto executivo para a construção de 111 novas unidades de saúde.

Saúde privada

Em junho deste ano, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou que o número de pessoas com planos de saúde cresceu 5% no Brasil, revertendo um cenário de queda que se mantinha desde 2015. Comprovou-se, ainda, expectativa de continuidade de alta na quantidade de segurados até o final do ano.

Em agosto, os planos de saúde ganharam mais de 100 mil usuários, chegando a quase 50 milhões de clientes no Brasil. Os planos exclusivamente odontológicos também cresceram, com o ingresso de 300 mil novos usuários em um mês.

Em um ano, entre agosto de 2021 e agosto de 2022, 1.579.034 pessoas contrataram planos médico-hospitalares, assegurando um avanço de 3,27% no período.

No primeiro ano de pandemia (2020), houve uma pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS). No período, a saúde suplementar alcançou resultados recordes, diante da menor utilização dos beneficiários. Já em 2021, com a segunda onda do coronavírus, o aumento repentino de internações pressionou também as operadoras de saúde.

A redução da frequência de utilização em 2020 levou a ANS, pela primeira vez, a definir um reajuste negativo dos planos, de -8,1%. Mas, em maio deste ano, sob a alegação de considerar a soma da inflação acumulada sobre materiais e medicamentos e o aumento da utilização, o órgão regulamentador autorizou o limite de reajuste dos planos de saúde para 2022/2023 em 15,5%.

Crescimento e verticalização

Retrospectiva 2022 - Estado amplia serviços de atenção primária à saúde
As 14 Farmácias Cidadãs do Estado alcançaram 1,1 milhão de atendimentos – Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

A MedSênior é um dos mais importantes players do mercado voltados à terceira idade, com crescimento médio de 40% ao ano e meta de chegar a 2030 com um milhão de clientes. Além do Espírito Santo, atua em Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e
Distrito Federal.

 

“Nosso crescimento de 40% ao ano, nos últimos anos, foi mantido mesmo durante um período desafiador como a pandemia, que tinha o público idoso como um dos mais impactados e vulneráveis à Covid-19, gerando maior demanda por assistência à saúde. Acredito que nosso modelo focado na prevenção, atendimento individualizado, tecnologia de ponta e rede própria permitiu o crescimento em faturamento, que deve chegar a R$ 1 bilhão neste ano”, projetou o presidente da MedSênior, Maely Coelho.

Com 1,7 mil funcionários, a empresa capixaba tem apostado na verticalização do atendimento, com investimentos em recursos próprios como hospitais, laboratórios e outros serviços na área de saúde, ampliando sua rede de assistência ao usuário.

Entre os últimos aportes, está a inauguração de um hospital em Vitória, com 8 mil metros quadrados de área construída, 107 leitos, sendo 30 de unidade de terapia intensiva (UTI), 65 de enfermaria e 12 apartamentos, além de três centros cirúrgicos para procedimentos de alta complexidade. O hospital tem capacidade de atendimento para 8 mil consultas médicas por mês.

Na busca por ampliar o mercado, a Samp, maior operadora de medicina de grupo do Espírito Santo, focou o microempreendedor. A empresa – com mais de 267 mil beneficiários e unidades próprias exclusivas para atendimento nas cidades de Vitória, Vila Velha, Serra, Cariacica e Cachoeiro de Itapemirim – lançou o Plano Vital.

“Oferecemos atendimento verticalizado, ou seja, com atendimento em nossas clínicas próprias, em hospital e telemedicina”, explicou o diretor comercial e de Marketing da Samp, Fernando de Souza Aguiar. No caso da telemedicina, a operadora ainda oferece o diferencial de consultas emergenciais e eletivas 24 horas, sem coparticipação.

Cortes

O custo assistencial foi o maior desafio dos planos de saúde. Em junho deste ano, a Unimed enviou uma carta e um vídeo aos cooperados informando sobre cortes em vários contratos de médicos, que variavam de 15% a 25%.

Os reajustes, anunciados para ocorrer até dezembro deste ano, seriam em virtude do momento delicado enfrentado desde o início da pandemia da Covid-19, e em razão da alta na demanda de exames e procedimentos.

Retrospectiva 2022 - Estado amplia serviços de atenção primária à saúde
Em um ano, 1.579.034 pessoas contrataram planos médico-hospitalares

À época, o diretor-presidente da Unimed Vitória, Fernando Ronchi, esclareceu que a medida seria temporária e que não afetaria o atendimento prestado pela cooperativa. Ao ser questionado sobre a possibilidade de médicos deixarem o plano, respondeu que a Unimed “é o plano de saúde em que todos os médicos do Espírito Santo gostariam de estar e ter”.
E explicou o motivo. “Somos sócios da nossa empresa, trabalhamos com sistemas de sobras, não tem salário. Tem mês que pagamos mais. Em 2020, distribuímos mais de R$ 90 milhões de sobras”, disse.

 

Há dois anos, o setor de saúde se destaca no ranking de fusões e aquisições e reúne as maiores operações de compra de empresas no Brasil. Do início de 2021 até março deste ano, foram registradas, aproximadamente, 150 operações, que resultaram numa movimentação de mais de R$ 20 bilhões.

A receita dos planos de saúde cresceu, em 2021, R$ 10 bilhões em relação a 2020: R$ 239,9 bilhões contra R$ 229,9 bilhões, com acréscimo de quase dois milhões de consumidores.

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