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Recados da economia neste período de eleição

No cenário atual, não há mobilização para evitar que a economia brasileira fique a reboque da mundial devido ao seu atraso tecnológico

Por Arilda Teixeira

Estamos às vésperas da eleição majoritária – período polêmico que envolve disputas por poder, e também lavagem de roupa suja porque, neste Brasil liberal de agora, nem todos estão democratas.

É um momento de sobreposição de propostas para o Governo dos próximos quatro anos, e o que mais tem, nesses períodos, são polêmicas trazidas pelas disputas que os aspirantes ao Legislativo travam para desfrutar do status quo do parlamento que será eleito em outubro de 2022.

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Nesse contexto, aqueles que querem ter o direito à liberdade de dizer e fazer o que querem, precisam lembrar que, em uma República Democrática, os direitos de um cidadão terminam onde começam os dos outros. Portanto, respeito às instituições é parâmetro imprescindível para a formação de um parlamento que legislará o Projeto de País que os eleitores escolherem.

Situação que envolve direitos e deveres para toda a sociedade, inclusive para a economia – senhora temperamental, avessa ao risco, que quando ameaçada otimiza sua função utilidade – e transfere a fatura dos equívocos e/ou oportunismos dos amigos do poder, para os cidadãos-contribuintes.

Essa ameaça é iminente no cenário econômico brasileiro atual.

Há um extenso dever de casa para ser feito, mas pouca mobilidade para delineá-lo. São muitas as omissões!

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Não se vê, nas falas dos aspirantes aos poderes Legislativo e Executivo, proposta para uma Agenda de reformas estruturais executáveis – o que se ouve são frases ambíguas, inconclusas, e invariavelmente inadequadas.

Não há mobilização para evitar que a economia brasileira fique a reboque da mundial devido ao seu atraso tecnológico. Continuamos sendo um país de baixo nível de desenvolvimento – e, atualmente, nem emergente, somos considerados como.

As estatísticas do segundo trimestre de 2022, do IBGE vieram no estilo morde e assopra, ao indicarem que 11,6% da população em idade para trabalhar é subutilizada – que significa não ter qualificação para ocupar as vagas de emprego oferecidas. E a população em idade para trabalhar corresponde a 81% da força de trabalho – mas a renda média está entre três e cinco salários-mínimos.

Em termos regionais:

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  1. No Norte, a população subutilizada é 12,3% e aqueles que têm idade para trabalhar são 76,8% do mercado de trabalho;
  2. No Nordeste, essas estatísticas são, respectivamente, 20% e 79,6%;
  3. No Sul, 12,9% e 82%;
  4. No Sudeste, 19% e 82,6%. E, dentro do Sudeste, no Espírito Santo, são 0,05% e 65%.

Cabe destacar que o ES foi o estado com menor percentual de população subempregada da PNAD do segundo trimestre de 2022.

Essas estatísticas reiteram o que as evidências empíricas já indicaram diversas vezes. A economia brasileira tem potencial para crescer, mas não sabe aproveitar os recursos disponíveis para fazê-lo. Essa realidade está, na cultura da economia-política do País como a escrava da letra da música “(…) que você prega, esfrega, nega, mas não larga”.

As escolhas dos Poderes Executivo e Legislativos continuam viciadas no patrimonialismo; a plutocracia continua sem coragem para largar as tetas de Governo e passar a investir para difundir a estrutura produtiva privada da economia brasileira.

Arilda Teixeira é economista e professora da Fucape Business School.

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