Passou da hora de tornarmos o trabalho uma experiência cada vez mais positiva e prazerosa
Por Jovaneide Polon
Vivemos uma era de aceleração. Essa correria desenfreada pode comprometer as relações no trabalho e a qualidade das entregas, além de trazer problemas físicos, emocionais e até espirituais.
A necessidade de se manter ocupado com atividades, compromissos, agendas e projetos tem causado depressão, transtorno de atenção, burnout e ansiedade. E isso impacta não só a vida pessoal, mas o mundo corporativo.
No livro “Sociedade do Cansaço”, de Byung-Chul Han, é possível identificar as causas dessa aceleração e fazer algumas reflexões importantes.
Como reconhecer os sinais de alerta do cansaço? Quais os riscos e as alternativas para sair do modo automático, reduzindo a “hiperatividade” da sociedade atual?
Em sua obra, Byung nos ensina que o excesso de telas e a hiper conexão impedem o silêncio, a pausa e a presença. A mente nunca descansa!
Estamos sempre “ligados”, o que leva à perda de foco e atenção; à sensação de urgência constante; à fadiga mental e à incapacidade de “estar consigo mesmo e com os outros”.
Hoje, não somos pressionados por um chefe externo: nós mesmos nos cobramos o tempo todo! A frase dominante deixou de ser “você deve”; e passou a ser “você pode”. E esse cenário impacta as relações no trabalho, contribuindo para o aumento da tensão e da autocobrança.
Com as redes sociais, a vida virou uma “vitrine de conquistas”. O outro se transforma em parâmetro de valor; e a comparação gera mais estresse. Isso alimenta a ansiedade, a baixa autoestima e a sensação de insuficiência.
Passamos a orientar a nossa vida pelo olhar do outro. Estamos sempre expostos, sempre avaliando e sendo avaliados…
A solução para todo esse dilema não está em “fazer mais”, mas em recuperar a capacidade de se priorizar.
E é exatamente esse o desafio: desacelerar, desconectar, cuidar de si e das pessoas à sua volta.
Que tal deixar espaços na agenda e na mente para o descanso e a renovação?
Esses momentos, tão necessários em nossa rotina diária, geram bem-estar, estimulam a inovação e permitem melhorias em processos e resultados.
Também é fundamental manter uma vida com menos telas, menos hiper conexão, com conversas genuínas, hábitos saudáveis e a colaboração na solução de problemas, sem pressa.
Passou da hora de tornarmos o trabalho uma experiência cada vez mais positiva e prazerosa.
Porque, sem pausa e sem interioridade, a vida se torna apenas uma corrida sem fim!
Jovaneide Polon é voluntária da ABRHES e consultora de desenvolvimento humano.


