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sábado, 16 janeiro, 2021

“É como se a minha imagem fosse semelhante a de Daniel”, diz Chay Suede

O artista lançou o single “Chora Pra Ver Como É”, inspirada na história do profeta bíblico, e contou um pouco sobre a carreira e as mudanças pessoais para escrever as letras do projeto “O Sal”

Um rapaz alegre e com muita bagagem musical. Aos 28 anos, Chay Suede encara um novo momento em sua vida, e após 4 anos longe da música voltou a compor. No último mês, lançou o projeto “O Sal”, em que reúne músicas que falam sobre casar e ser pai.

Gravada em parceria com o DJ e produtor de música eletrônica Pedro Zopelar, a faixa “Chora Pra Ver Como É” marca o seu renascimento como indivíduo e é um bom motivo para mostrar seu potencial musical.

Em entrevista a ES Brasil, o artista conta um pouco sobre o início de sua carreira, como se descobriu na música e o que esperar desse novo projeto que está encantando a quem o escuta. Confira!

Chay Suede
O ator, músico e compositor, Chay Suede. – Foto: Artur Meninea/ Gshow

Como começou sua carreira artística?

Meu pai sempre me apoiou muito. Sempre disse que se ser artista era o que me faria feliz ele sempre estaria do meu lado. Ele sempre me deu muita força para experimentar esse território de música e arte, de maneira geral. Passei na faculdade e comecei a estudar, então comecei a escrever roteiros de filmes, e outras coisas. Um dia, enquanto eu esperava o início das aulas, fui com meu pai em um evento e ele descobriu que estavam abertas as inscrições para o reality show Ídolos, da Rede Globo. Ele quis muito me inscrever, eu fiquei com muita vergonha, pois não tinha me apresentado a um público grande. Eu só tinha me apresentado com a minha banda, dentro de casa para a família, e nunca tive essa intenção de me tornar um artista musical. Mas ele me inscreveu. Me convenceu a participar e a coisa foi muito melhor do que eu poderia imaginar. Eu acabei ficando no 4º lugar. Isso foi televisionado e na época movimentou muito minha vida e me fez enxergar a possibilidade de viver de arte, de música, o que quer que seja relacionado, ou algo como profissão mesmo. O que antes era um hobby poderia me sustentar e se tornar a minha vida.

Quando você descobriu a importância da música em sua vida?

Minhas primeiras experiências com a música foram em um ambiente cristão por conta da minha família. Meu pai tinha uma banda – Semear – nos anos 1980, em que minha mãe também fez parte. Aprendi a tocar violão e também a compor com meus 10 /11 anos. Quando adolescente tive algumas “bandinhas”, mas não duraram muito. Ainda no final da adolescência cheguei a lançar um disco. Na vida adulta, lancei um disco em 2013 pela Universal Music, depois montei uma dupla com o produtor Diogo Strauss, meu parceiro, e juntos criamos a banda Aymoréco, o segundo disco foi gravado com o produtor Mario Caldato Jr., na Califórnia (EUA). Ele é conhecido por ter gravado artistas importantes como Beastie Boys, Nação Zumbi, Jack Johnson, Planet Hemp, Björk, entre outros. E as coisas foram acontecendo. Diogo foi morar em Paris, na França, e a banda teve que parar por causa da distância.

Como foram os primeiros passos na TV?

Logo depois do programa Ídolos, eu fui convidado pela Rede Record para estrelar uma novela que também tinha características musicais. Eu topei na tentativa de aprender algo novo. Eu nunca pensei em ser ator. Isso não estava nos meus planos. Na verdade, muitas coisas não estavam nos meus planos, mas a vida ia me mostrando que não necessariamente os nossos planos são os melhores. Entrei, fiz a novela, depois fui buscando onde eu poderia exercitar meu lado artístico e onde eu poderia permanecer. De acordo com as demandas, eu ia vendo onde eu poderia estar e de lá pra cá muitas coisas aconteceram.

Chay Suede
Chay Suede interpretou o personagem Joaquim na novela Novo Mundo, da Rede Globo. – Foto: Raquel Cunha

O que te motivou a retornar ao âmbito musical?

Desde 2015, eu não compunha e nem lançava nada. Estava totalmente voltado à carreira de ator. No ano passado, muitas coisas aconteceram. Eu me mudei para São Paulo, para uma casa que eu já estava reformando há bastante tempo, me casei, depois de um ano me tornei pai. Acho que tudo isso me deu inspiração para compor as músicas que deram origem a esse novo trabalho lançado no dia 30 de junho, no dia do meu aniversário, a partir do single “Chora para ver como é”.

Como você define o projeto O Sal?

É só um projeto musical que fala sobre questões profundamente pessoais e fala sobre espiritualidade, a busca de uma vida espiritual. É uma declaração de amor a Deus, mas nunca fui pensado como algo gospel. As outras músicas falam sobre um momento de reconstrução da minha vida, de construção de uma família, de gravidez, ele fala de tudo isso.

Do que se trata o single “Chora para ver como é”?

Eu escrevi essa música em um momento em que eu estava reajustando algumas coisas na minha mente, no meu coração e me deparei com o livro do personagem bíblico Daniel, um dos profetas do Antigo Testamento levado como refém para a cidade da Babilônia e jogado à cova dos leões. É uma história muito recorrente para mim e para qualquer pessoa que viveu em um ambiente judaico-cristão. Ela bateu exatamente com o momento que eu estava vivendo. Como eu me sentia. É como se a minha imagem fosse semelhante a de Daniel. Me senti próximo a sua história e escrevi essa música em que Daniel é a primeira pessoa. Era ele quem dizia aquelas palavras. Mas ao mesmo tempo também era eu. Meu parceiro de carreira Rodrigo Peirão também me ajudou com algumas partes da letra e foi a partir dela que tive a vontade de compor outras músicas, de gravar “O Sal”, e todas as músicas que virão só existem por causa dela.

Confira o single:

Quando será o lançamento oficial?

Ele está sendo lançado aos poucos. O primeiro single é esse “Chora Para Ver Como É”. A segunda, chamada “verdadeira onda”, que fiz para minha filha quando ela ainda estava na barriga da mãe, será lançada no próximo mês. Já a terceira, que eu gravei em parceria com um amigo, batizada de “A Última Vez”, ainda não tem data definida. As faixas apresentadas fazem parte de um EP que terá cinco músicas a ser lançado em setembro ou outubro.

Você estava no ar com a novela “Amor de Mãe”, que precisou ser interrompida por conta da pandemia do novo coronavírus. Além dela, tem algum projeto em vista?

A novela vai voltar, mas também tem uns projetos encaminhados. Nós voltaremos a gravar, mas tem algumas coisas, sim, sendo construídas. No momento, estou focado em fazer “O Sal” deslanchar. Não faço previsões. Pra mim, é um projeto de médio a longo prazo, tanto que ele vai demandar muito tempo, até o fim do ano, provavelmente. Tenho certeza de que ele tem tudo para continuar, e dar origem a outros discos, outros EPs.

Onde você se encontra? Na música ou na TV?

Não acredito que tenha que ser “ou”, ser isso ou aquilo. Acredito que podemos transitar por um ou outro. Sou um artista e me identifico com artes e pelos universos que consigo circular. Eu vou buscar circular de maneira natural, principalmente no momento em que estiver vivendo e não só na TV, na música, no cinema ou no teatro, escrevendo textos e roteiros, e coisas assim.

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