Em entrevista à ES BRASIL, a médica Belisa Sossai explica que 87% dos brasileiros têm sangue RH positivo, tornando o outro fator mais raro
Por Kebim Tamanini
Manter os estoques de sangue é um desafio constante para os hemocentros, mas a dificuldade é ainda maior quando se trata de sangue com fator RH negativo. Em entrevista à ES BRASIL, a médica Belisa Sossai, do Hemocentro do Espírito Santo (Hemoes), explica as razões por trás dessa escassez e destaca a importância da doação regular por pessoas com esse tipo sanguíneo.
“Hoje, cerca de 87% da população brasileira possui sangue RH positivo, o que significa que apenas uma pequena parcela tem sangue RH negativo. Essa minoria reflete-se também no número de doadores, o que dificulta a manutenção de estoques suficientes desse tipo de sangue”, esclarece Belisa.
Confira na íntegra a entrevista completa com Belisa Sossai.
Entre as quase 8 bilhões de pessoas no planeta, o tipo sanguíneo mais comum é o O+, presente em 39% da população mundial. No extremo oposto, o tipo mais raro é o AB-, encontrado em apenas 0,40% das pessoas. No continente americano, o tipo O é o mais comum, sendo a tipagem de quase 70% dos sul-americanos. Nos Estados Unidos e no Canadá, o O+ também predomina. No Brasil, os tipos O+ (36% da população) e A+ (34%) são os mais frequentes.
Vale esclarecer que o RH (ou antígeno D) é uma proteína presente nos glóbulos vermelhos do sangue, responsáveis pelo transporte de oxigênio no corpo. Quando essa proteína está presente, o sangue é RH positivo (RH+); quando ausente, o sangue é RH negativo (RH-). A presença ou ausência do fator RH é uma consideração importante em transfusões de sangue e na gravidez.
Além da raridade, o sangue RH negativo é considerado mais versátil para transfusões. “O sangue RH negativo pode ser utilizado tanto em pacientes com RH negativo quanto com RH positivo, o que aumenta sua demanda. Por ser um sangue mais raro, ele acaba sendo muito bem aproveitado em momentos de necessidade”, pontua a médica.
Diante desse cenário, Belisa ressalta a importância de estimular os doadores RH negativos a doarem regularmente. “Como temos menos doadores desse tipo sanguíneo, fazemos um apelo especial para que aqueles que sabem ser RH negativo se conscientizem da necessidade constante de doação. Isso é fundamental para garantir a disponibilidade em momentos críticos”, conclui.
Confira abaixo para quem você pode doar, de acordo com o seu tipo sanguíneo.
Saiba mais…
Confira algumas curiosidades relacionadas à doação de sangue:
Quantidade de Sangue no Corpo Humano
- O corpo humano possui entre 4,5 e 6 litros de sangue, dependendo da estatura e do porte físico da pessoa.
Quantidade de Sangue Retirada na Doação
- Na doação de sangue, são retirados entre 400 e 470 ml, uma quantidade segura para o organismo, que se recupera em até 24 horas.
Segurança no Processo de Doação
- O volume de sangue retirado é calculado com base na altura e peso do doador.
Intervalos Entre Doações
- Homens podem doar a cada 60 dias, até 4 vezes por ano.
- Mulheres podem doar a cada 90 dias, até 3 vezes por ano.
- Para pessoas trans, o sexo biológico é considerado para definir a frequência.
Doação Espontânea e de Reposição
- A doação de reposição repõe o estoque utilizado por um paciente, mas o sangue doado não é necessariamente o que será transfundido ao destinatário.
Impacto de uma Bolsa de Sangue
- Uma bolsa de sangue pode salvar até quatro vidas.

