O gesto surpreendeu parte da classe política e provocou comentários distintos entre parlamentares capixabas
Por Denise Miranda
A recente ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repercutiu entre lideranças políticas do Espírito Santo. O gesto, que surpreendeu parte da classe política e dividiu opiniões no cenário nacional, também provocou comentários distintos entre parlamentares e dirigentes capixabas.
Aliados do governo federal avaliaram o contato como um ato diplomático e pragmático, típico da postura conciliadora de Lula no campo internacional. Já opositores interpretaram a iniciativa como um movimento contraditório, sobretudo diante das críticas históricas do presidente brasileiro ao trumpismo.
O governador Renato Casagrande elogiou o contato e defendeu o diálogo como caminho para resolver impasses que afetam a economia e os empregos do estado. “As relações entre os países devem ser guiadas pelo diálogo e pela cooperação, não por barreiras que prejudiquem o comércio e os empregos”, destacou Casagrande.
Entre as lideranças capixabas, a repercussão varia conforme o alinhamento político. Parlamentares próximos ao PT e à base do governo destacam que a conversa demonstra maturidade e busca de pontes institucionais acima das ideologias, enquanto nomes ligados à direita capixaba enxergam a ligação como um sinal de incoerência e até de estratégia política internacional.
“Esperamos que sejam anunciadas medidas efetivas para reverter as taxas impostas pelo governo dos EUA a produtos brasileiros. O Espírito Santo, por ter um comércio internacional forte para a economia estadual, sofre diretamente os impactos da sanção. O governo federal é a autoridade responsável por liderar essa negociação. Que o diálogo e a diplomacia prevaleçam para superar essa barreira econômica que impacta os capixabas”, defende o deputado Da Vitória (Progressistas).
O senador Fabiano Contarato (PT) classificou o contato como um “avanço diplomático” com potencial de reabrir caminhos comerciais favoráveis ao Espírito Santo. Em contraste, o senador Magno Malta (PL) manifestou críticas nas redes sociais, mantendo o tom de oposição ao governo federal.
Nos bastidores, interlocutores do Palácio Anchieta observam que o episódio pode ter reflexos na pauta econômica do estado, especialmente em temas ligados à exportação de minério e café, setores que mantêm laços comerciais com os Estados Unidos.
Enquanto a cena política nacional ainda digere a ligação, no Espírito Santo a avaliação é unânime em um ponto: o episódio mostra que Lula continua atuando com forte peso no tabuleiro internacional, e que cada movimento seu — mesmo um simples telefonema — é observado de perto por aliados e adversários.

