“Se ninguém quiser o serviço, foi um prazer ter tentado”, diz Guedes

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Ministro da Economia afirmou que se a reforma que propôs não for aprovada, não insistirá no cargo

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou, nesta quarta-feira (27), que se o presidente Jair Bolsonaro, partidos políticos, e parlamentares não aceitarem o documento que propõe a reforma da Previdência, ele não exitará em deixar o posto.

Apesar de dizer que “não tem apego ao cargo”, não cometerá a irresponsabilidade de deixá-lo após a primeira derrota. A proposta de Guedes almeja a economia de, pelo menos, R$ 1 trilhão, em 10 anos.

Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro disse que espera o apoio do presidente, mas que está confortável se não houver a aprovação dele.

“Se o presidente apoiar as coisas que eu acho que podem resolver para o Brasil, eu estarei aqui. Agora, se, ou o presidente, ou a Câmara ou ninguém quer aquilo, eu vou obstaculizar o trabalho dos senhores? De forma alguma. Eu voltarei para onde sempre estive. Tenho uma vida fora daqui. Venho para ajudar, acho que tenho algumas ideias interessantes. Aí o presidente não quer, o Congresso não quer. Vocês acham que vou brigar para ficar aqui? Eu estou aqui para servi-los. Se ninguém quiser o serviço, vai ser um prazer ter tentado. Mas não tenho apego ao cargo, desejo de ficar a qualquer custo, como também não tenho inconsequência e irresponsabilidade de sair na primeira derrota”, afirmou.

Segundo Guedes, após a cerimônia de posse do cargo, “é muito fácil fazer alguém desistir de Brasília”. Ele já havia manifestado antes que poderia abandonar o ministério caso o plano que tem para o país não consiga apoio.

Economia com projeto

Guedes tem a perspectiva que o país economize R$ 1 trilhão, quantia que julga necessária para implementar um sistema de capitalização, no qual os trabalhadores contribuem para sua própria aposentadoria.

Ele considera que existe uma “bomba demográfica” por conta dos gastos. De acordo com o ministro, os gastos já são elevados para um país com população ainda jovem. Acredita também que a oposição deveria apoiar a reforma da Previdência, para assegurar a governabilidade nos próximos anos.

“Se fizermos (a reforma), não tem problemas. Se não fizermos, vamos condenar nossos filhos e netos, por nosso egoísmo, nossa incapacidade de fazer um sacrifício — declarou, acrescentando: — Essa bola está com o Congresso”, finalizou.

*Da redação com informações do O Globo e do Infomoney