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Parte II: caminho para mais sustentabilidade

Alimentos saudáveis e inclusão social

Por Luiz Fernando Schettino

A extensão rural, como sabido tem desempenhado um papel crucial na melhoria das práticas agrícolas, aumento da produtividade e eficiência no uso de recursos naturais e financeiros. No entanto, os desafios contemporâneos, como a tomada de consciência das questões ambientais e sociais, traduzidas nas crescentes exigências legais pela sustentabilidade, inclusão social e adaptação às mudanças climáticas, estão a exigir uma reconfiguração desse sistema. Visto que os agricultores de hoje enfrentam uma série de desafios complexos, diferente dos primórdios da ação extensionista no País.

Porém, como tudo na vida a extensão rural precisa de aprimoramento e de avanços que o tempo atual exige, tais como: ajudar na democratização do acesso ao conhecimento, incentivar novas formas de gestão e no uso dasmelhores inovações e tecnologias, bem como reforçar e valorizar a inclusão social que é outro pilar fundamental na equação da sustentabilidade no meio rural, visto que incluir e valorizar as pessoas, e promover a equidade e a justiça social e tornando a diversidade cada vez mais presente no sistema produtivo do meio agropecuário é uma maneira de tornar o agronegócio mais humanizado emais valorizado pela sociedade e pelos mercados.

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Desse modo, o sistema de extensão rural deve trabalhar para que trabalhadores e empreendedores rurais tenham as melhores condições de trabalho e de vida; e, que todos os agricultores, independentemente de seu porte, tenham as mesmas possibilidades de acesso a créditos, incentivos governamentais e às melhores tecnologias e inovações disponíveis. Bem como, trabalhar para que haja por parte deles um compromisso com a sustentabilidade, diversidade e a inclusão social.

Ou seja, que os agricultores possam receberem de forma ampla e democraticamente informações tecnológicas, estratégicas, legais e de gestão, para gerirem da melhor forma seus negócios. Bem como, para conhecerem mais os mecanismos de mercado e as demandas da sociedade, para que se mantenham produzindo de forma a prosperarem e ajudando na segurança alimentar, na proteção do meio ambiente e na inclusão social; e, assim, contribuíam para que os ocorra produção de qualidade, saudável e que ajude a
manter a disponibilidade e os níveis preços dos produtos, especialmente para os mais pobres.

No Espírito Santo, o Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (PEDEAG), que está na quarta versão (PEDEAG 4) ¹, elaborado pela Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (SEAG) do Espírito Santo, um referencial para o desenvolvimento agropecuário e da pesca no Espírito Santo, propõe diversas iniciativas para a evolução da extensão rural, visando desenvolvimento sustentável capixaba. Via ações, programas e projetos para integrar tecnologia avançada, sustentabilidade, inclusão social e participação ativa dos agricultores.

Incentivando a utilização de tecnologias de ponta, como agricultura de precisão, drones, sensores e sistemas de irrigação inteligentes, para aumentar a produtividade e reduzir o impacto ambiental. E isso com o envolvimento das comunidades rurais no processo de
tomada de decisão. O que inclui promover a agricultura familiar e a valorização do trabalho rural. Existindo nesse plano em execução programas que tem ajudado por exemplo, a ampliação da produção agropecuária, com ações para agricultura familiar, grande produtora Hortaliças e Frutas, cujas produções tem necessidade do uso de embalagens adequadas, o que têm contribuído para facilitar a redução de perdas e melhores condições de transporte desses produtos.

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O que garante a qualidade e segurança dos alimentos e mais facilidade de venda dos produtos. Mas é um ponto que está necessitando ainda de mais estudos, orientações e
ações para haver mais reutilização das embalagens possíveis, visto serem as mesmas caras, bem como um desperdício enorme de recursos financeiros, materiais e energia ao se fazer um único uso de caixas de madeiras e de papelão, que poderiam ser reutilizadas, o que afeta o meio ambiente, o bolso dos agricultores e encarece os produtos para o consumidor.

Ressalta-se, porém, que no Espírito Santo, dentro do planejamento estatal para o meio rural, há várias iniciativas importantes via políticas públicas e de extensão, tais como: o uso de incentivos fiscais e subsídios para agricultores que adotam práticas conservacionistas., entre outras ações. Porém, ressalta-se também que para que essas ações e políticas públicas sejam eficazes devem ser continuamente adaptadas, revistas e modernizadas. Assim como, os agricultores e demais atores do meio rural devem ser ouvidos e considerados devidamente, para haver evolução continua do processo de extensão, alinhado aos interesses da sociedade e dos agricultores. Assim, além de disponibilizar o conhecimento para produzirem, é preciso levar os mesmos a ter valores e uma visão estratégica e gerencial adequada de seus negócios, de modo a terem práticas sustentáveis, inclusivas e com uma visão maior dos interesses da sociedade, sem perder os horizontes de suas necessidades e ganhos.

Além disso, é preciso que a extensão rural tenha a capacidade e o olhar adequado para reforçar e/ou estabelecer mais redes de colaboração entre governos, ONGs e instituições de pesquisa para haver uma intensificação da chegada de conhecimentos, tecnologias e inovações ao meio rural para não só produzir mais melhor, mas o fazer de forma saudável, com sustentabilidade e inclusão social. Onde, a integração com as universidades e centros de pesquisas via os programas governamentais, coordenados pela extensão rural, leve no tempo certo e de acordo com as necessidades e realidades de cada região e comunidades o conhecimento, tecnologias, informações e meios necessários ao setor rural; e, com isso, haja a construção de uma nova realidade rural com a extensão sendo a guia das ações, como o faz desde que foi estabelecida no País em 1948.

Luiz Fernando Schettino é Engenheiro Florestal, Mestre e Doutor em Ciência Florestal, Advogado, Escritor e ex-Secretário Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos.

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