Empresários e lideranças do setor produtivo capixaba avaliam oportunidades de contratação de profissionais migrantes e refugiados venezuelanos
Por Kikina Sessa
A inclusão de migrantes e refugiados no mercado de trabalho capixaba foi tema de um seminário que reuniu empresários e lideranças do setor produtivo para conhecer de perto as oportunidades de contratação de migrantes e refugiados que vivem atualmente em abrigos no Norte do país.
A apresentação foi conduzida pelo chefe do Centro de Coordenação de Interiorização (CCI), coronel Paulo Eduardo Gressler da Rocha Paiva, e pelo chefe do Centro de Capacitação e Educação (CCE), tenente-coronel Otacílio Freire.
Os representantes do Exército Brasileiro de Roraima apresentaram o programa Operação Acolhida, iniciativa do governo federal voltada à acolhida, capacitação e interiorização de refugiados e migrantes. O encontro foi promovido pelo Conselho Temático de Responsabilidade Social (Cores) da Federação das Indústrias (Findes), na sede da Federação, em Vitória.
A Findes tem articulado a conexão entre empresas e o programa Operação Acolhida, aproximando a demanda por profissionais qualificados das oportunidades de inclusão de migrantes e refugiados no mercado de trabalho, unindo estratégia econômica e impacto social.
Para o presidente da Findes, Paulo Baraona, a iniciativa reforça o comprometimento da instituição com a integração e o desenvolvimento do Espírito Santo. “A Findes reafirma, com esta iniciativa, seu compromisso com o desenvolvimento social e econômico do Espírito Santo, reconhecendo o papel fundamental do Exército Brasileiro na condução de ações humanitárias que promovem a dignidade, a cidadania e a integração socioeconômica de populações em deslocamento forçado”, destacou Baraona.
O que é a Operação Acolhida
Criada em 2018, a Operação Acolhida já abrigou mais de 181 mil migrantes e interiorizou mais de 154 mil pessoas em todo o país. No Espírito Santo, o programa já beneficiou mais de 1.060 pessoas, sendo mais de 820 migrantes contratados por empresas capixabas. Entre os municípios que mais receberam estão Linhares, Vila Velha, Vitória, Aracruz e Marechal Floriano. Coordenada pelo Exército Brasileiro, a Operação Acolhida realiza as etapas de recepção, identificação, triagem, acolhimento, capacitação e interiorização.
Um dos eixos do programa é o trabalho desenvolvido pelo Centro de Capacitação e Educação (CCE), responsável por oferecer formações adaptadas às necessidades de cada pessoa ou grupo. As capacitações abrangem desde cursos básicos de idioma e cidadania até formações técnicas e profissionalizantes em diferentes áreas. O CCE atua em parceria com instituições de ensino e de formação profissional, como o Senai, ampliando o alcance e a diversidade das oportunidades de qualificação.
Outro eixo de destaque do programa é a Interiorização, que ocorre por quatro modalidades: Reunificação familiar, Reunião social, Institucional e Vaga de Emprego Sinalizada (VES). Na reunificação familiar e na reunião social, o migrante é acolhido, respectivamente, por familiares ou amigos em outros estados. Já na interiorização Institucional, o acolhimento é feito por um Centro de Acolhimento e Integração. A modalidade VES, realizada exclusivamente no Centro de Coordenação de Interiorização (CCI) em Boa Vista (RR), realiza o deslocamento de migrantes com emprego garantido, formalizado por meio da Declaração de Intenção Inicial das Partes (DIIP). A modalidade VES tem prioridade no programa por apresentar maior eficácia.
Como as empresas podem participar
As empresas interessadas em aderir à Operação Acolhida podem se cadastrar e oferecer vagas de emprego sinalizadas (VES) para migrantes e refugiados. O processo é gratuito, seguro e conduzido em etapas coordenadas pelo Exército Brasileiro, com prazo de 45 a 90 dias após a aprovação do formulário.
O fluxo inclui cinco fases principais:
Cadastro da empresa: preenchimento do formulário e indicação do perfil do profissional desejado, além das condições iniciais oferecidas (moradia, alimentação etc.);
Seleção e exames: divulgação das vagas aos migrantes, entrevistas presenciais ou por videoconferência e realização de exame admissional;
Revisão documental: verificação de toda a documentação pessoal e empresarial;
Fit for Travel: avaliação médica e verificação das vacinas conforme o calendário do SUS;
Logística: seleção do meio de transporte, custeio das passagens e acompanhamento até a cidade de destino.
As empresas participantes se comprometem a garantir alojamento e alimentação durante o primeiro mês de trabalho, favorecendo a adaptação e a integração dos migrantes à rotina local e corporativa.
Da acolhida ao emprego
Os resultados têm sido expressivos: entre 2018 e 2025, mais de 28 mil migrantes foram interiorizados por meio de vagas de emprego sinalizadas, sendo 4.300 apenas neste ano. A cidade de Vila Velha aparece entre as principais do país em número de contratações. Empresas participantes relataram experiências bem-sucedidas, destacando o comprometimento, a rápida adaptação e o impacto positivo na cultura organizacional. A inclusão produtiva de refugiados tem se mostrado uma estratégia de sucesso, que alia propósito social e fortalecimento dos negócios.

