Organização internacional de desenvolvimento defende Bolsa Família

O relatório da OCDE aponta análise de vários pontos que o Brasil deve trabalhar ao longo do próximo ano (Fotografia - Jefferson Rudy/Agência Senado)

Segundo relatório da OCDE, relação entre impacto no PIB e retorno social é favorável

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) previu, nesta quarta-feira (21) que a economia do Brasil terá um crescimento de 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019 e de 2,4% em 2020, mas avisou que essa tendência pode variar se o país não reformar o sistema de previdência.

No relatório de perspectivas apresentado, no entanto, o organismo diminuiu as projeções de crescimento do país com relação aos cálculos feitos há seis meses. A organização, que reúne a maioria dos países ricos, revisou para baixo o crescimento do PIB em 2018, que passará de 2% a 1,2%, e em 2019, de 2,8% a 2,1%.

Em declarações à Agência Efe, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, atribuiu essa forte desaceleração à queda dos preços das matérias-primas, por conta de uma menor demanda mundial, e a fatores internos.

“No caso do Brasil, existe uma transição muito grande (a eleição do novo presidente Jair Bolsonaro) que sempre gera um pouco de ‘vamos ver quais são os sinais, quais são as regulações'”, afirmou.

Segundo ele, este é um processo “normal”, pois todos os governos levam um tempo nos primeiros anos até poder “decolar”.

No relatório, a OCDE também defendeu estender o programa “Bolsa Família” para mais camadas da população, que, conforme os seus cálculos, só representa 0,5% do PIB brasileiro.

“Servirá para promover incentivos para frequentar à escola e para ir ao médico e, portanto, reduzirá as desigualdades educacionais e de saúde”, argumentou o texto.

Além disso, para os autores, “a sustentabilidade fiscal continua sendo um risco, especialmente pelas despesas no pagamento de previdências”. De acordo com a organização com sede em Paris (França), “a construção de um consenso político em torno do sistema previdenciário será um grande desafio para o governo de Jair Bolsonaro, que tomará posse em 1 de janeiro”.

“Se a incerteza sobre as reformas diminuir, o investimento será fortalecido”, acrescentou a OCDE, que constatou a recuperação do PIB, iniciada em 2017 depois da grande recessão de 2015 e 2016, a melhoria do mercado de trabalho e o aumento do consumo interno.

Segundo a organização, a inflação seguirá sob controle, apesar do seu leve aumento de até 4,6% e 4,3% em 2019 e 2020, respectivamente, com relação a 2018 (3,8%).

“A inflação e a inflação primária seguem abaixo da meta e as taxas de juros continuam baixas, contribuindo para os gastos das famílias”, afirmou.

O relatório ainda lembrou que a economia do Brasil conseguiu se recuperar relativamente bem da greve dos caminhoneiros organizada em maio deste ano.

Além da reforma da previdência, para a qual Bolsonaro deverá encontrar vários aliados para aprová-la no Congresso, a OCDE recomendou não aumentar o salário mínimo, pois ele é utilizado como escala para o pagamento de aposentadorias.

O organismo defendeu que o Brasil deve acabar com o subsídio ao diesel, pois “representa um freio à economia” pública, e recomendou que o país aposte “em uma maior integração na economia global” que melhore “a efetividade” das empresas brasileiras. Conforme o texto, também existe uma preocupação com a crise argentina, que poderia afetar o Brasil por conta da grande parceira comercial, e com as tensões entre os Estados Unidos e a China, “os dois maiores parceiros comerciais” do país.

*Da redação com informações da Agência EFE

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