Museu Nacional deve reabrir para exposição em 2022

Foto: Ricardo Moraes/Reuters/direitos reservados

O prédio do Museu Nacional do Rio de Janeiro pegou fogo em 02 de setembro de 2018 e muitos exemplares foram perdidos

O Museu Nacional do Rio de Janeiro poderá reabrir em 2022. Segundo a reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Denise Pires de Carvalho, parcerias pretendem ser firmadas para reconstruir o prédio histórico e fortalecer a governança.

A intenção é permitir que parte do prédio, que já foi residência oficial da família imperial, no parque da Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, zona norte do Rio de Janeiro, seja reaberto com exposições para festejar o bicentenário da independência do Brasil, em 2022.

“Estamos iniciando o projeto Museu Nacional Vive, com esse novo modelo de governança, que pretende atrair novos parceiros visando, em 2022, podermos inaugurar pelo menos uma parte do palácio com exposições que vão festejar o bicentenário da independência brasileira”, afirmou Denise.

Em 02 de setembro de 2018, um incêndio destruiu o Museu Nacional, que tinha um dos acervos mais importantes do país com cerca de 20 milhões de peças. A reitora ressaltou que, no próximo ano, serão reinauguradas as áreas administrativa e acadêmica do museu, com a construção do Campus da Cavalariça.

O Museu Nacional passou por um incêndio em 02 de setembro de 2018. – Foto: Reprodução

Já o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, disse que o novo campus será construído no terreno de 44 mil metros quadrado, pertencente à União, que já foi destinado para o museu, faltando apenas alguns detalhes burocráticos para consolidar a doação.

“Nós precisamos pensar na reconstrução da estrutura física dos laboratórios que nós perdemos. Este terreno vai ser o futuro Campus Cavalariça. O governo brasileiro cedeu esse terreno, estamos só acertando detalhes finais. Queremos construir ali inclusive um centro cultural educacional, mas ainda não temos verba. Quando conseguir essa verba, ele pode ser construído em seis, no máximo, nove meses”, frisou Kellner.

Segundo a reitoria, a obra deve começar ainda este ano e o valor para a obra já está disponível à universidade. “O valor disponível hoje é de R$ 68 milhões, sendo R$ 43 milhões destinados pela emenda impositiva da bancada do Rio de Janeiro na Câmara dos Deputados, R$ 21 milhões de um convênio com o BNDES e outros R$ 5 milhões repassados pelo Ministério da Educação que estão sendo administrados pela Unesco para o gerenciamento do projeto”, ressaltou Denise.

Restauração

Cerca de R$ 11 milhões enviados pelo Ministério da Educação foram destinados à restauração de peças nos escombros do museu. O trabalho foi dividido em quatro partes, sendo que a terceira já está em fase de de execução.

Foi iniciando com a organização das equipes e reuniões preparatórias para criar protocolos de atuação no resgate, após a tentativa emergencial de coletar materiais feita ainda durante o incêndio. Agora está sendo feita a retirada do material e catalogação do que foi resgatado, que deve continuar até o primeiro semestre de 2020.

A quarta parte, a mais demorada de todas, será feito o inventário e o relatório do material recuperado. No total, 47 funcionários do museu participam ativamente do resgate, além de estudantes de graduação e pós-graduação.

A vice-coordenadora do Núcleo de Resgate, Luciana Carvalho, explicou que é difícil mensurar quantas peças foram resgatadas, uma vez que algumas são catalogadas em lotes. Algumas podem chegar a mais de cem peças.

Um dos objetos resgatados do Museu Nacional. – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Até o momento, foram feitos 4.382 formulários de cadastro. Segundo Luciana, do total de 37 coleções científicas que o museu tinha, 46%, ou 17 coleções, foram quase totalmente perdidas ou parcialmente afetadas; 35% foram ou estão sendo resgatadas, num total de 13 coleções; e 19% não foram atingidas pelo incêndio, com sete coleções preservadas.

“O palácio tem cerca de 2 mil metros quadrados só na planta baixa, sem contar os outros pavimentos. Algumas áreas não desabaram, pouquíssimas. Essa planta baixa foi dividida em 71 áreas, dessas 50 já foram encerradas, nós já terminamos o trabalho de resgate nelas. Ainda temos 21 áreas a serem trabalhadas, aonde ainda existe acervo científico para ser retirado”, pontuou Luciana.

Além disso, peças que estavam dentro dos armários, mesmo que tenham sido danificados, resistiram um pouco mais. Com isso, cerâmicas, estatuetas, que estão em excelente estado de preservação, aumentam ainda mais o número de peças resgatadas.

Exposições

Kellner informou, ainda, que no momento está sendo feito o projeto executivo para a restauração da fachada e do telhado do palácio, mas ainda não há previsão do custo dessa obra. A previsão é que sejam feitos mais dois projetos executivos: um para a restauração interna do palácio e outro do plano museológico para definir a ocupação dos espaços com as exposições.

Mesmo após o incêndio, a equipe do museu pensou em quatro circuitos expositivos. “O primeiro é o Circuito Histórico, quem morou lá, com toda a trajetória até a tragédia. Outro é o Circuito do Universo e da Vida, com a visão científica da história do universo. O terceiro é o da Complexidade Cultural. Aqui temos problemas, não vamos conseguir atuar sem a ajuda de parceiros nacionais e internacionais, com doação de acervo original. E o Circuito dos Biomas Brasileiros, envolvendo a América do Sul de maneira geral”, afirmou o diretor do Museu Nacional.

Algumas peças foram exibidas em exposições feitas em outros espaços culturais. No início do ano, foi apresentada, no Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro, a mostra Museu Nacional Vive – Arqueologia do Resgate. Já a Casa da Moeda, também no Rio, recebe até setembro a mostra Quando Nem Tudo Era Gelo – Novas Descobertas no Continente Antártico.

Neste fim de semana será aberto o novo festival na Quinta da Boa Vista e na próxima segunda-feira (02), completando 1 ano do incêndio, será aberta a exposição Vila Santo Antônio de Sá, na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. No dia 19 de setembro será inaugurada, no Congresso Nacional, a exposição Museu Nacional Vive – Memória e Perspectivas.


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