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Maioria feminina, mas minoria em postos de comando

Apesar dos avanços, a participação feminina nos principais cargos políticos e de liderança no Espírito Santo ainda é minoritária

Por Denise Miranda

A população do Espírito Santo segue em crescimento e, segundo estimativas do Censo Demográfico de 2024, realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado alcançou 4.102.129 habitantes. As mulheres continuam sendo maioria, representando 51,2% da população do Estado, enquanto homens são 48%. Mesmo com a predominância numérica, elas ainda enfrentam barreiras que limitam sua presença em cargos de liderança e decisão, o que evidencia a persistente desigualdade de gênero na ocupação dos espaços de poder.

Legislativo estadual: uma presença ainda tímida

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Na Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), as mulheres ocupam apenas 15% das cadeiras, com 5 deputadas entre os 30 parlamentares. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que, nas eleições de 2024, apenas 17 das 30 vagas foram ocupadas por homens, enquanto 5 foram conquistadas por mulheres, confirmando uma desigualdade persistente. Este número está muito aquém da proporção da população feminina no estado, que corresponde a aproximadamente 51% dos habitantes. A baixa representatividade feminina no parlamento reflete barreiras históricas e sociais que ainda restringem o acesso das mulheres ao poder legislativo.

Executivo estadual e municipal: desafios persistentes

No âmbito municipal, o Espírito Santo se destacou negativamente no cenário nacional quando o assunto é representatividade feminina nas prefeituras. Durante o período de registro de candidaturas, o estado registrou o menor percentual de candidatas mulheres ao cargo de prefeita em todo o país: apenas 7%. Isso significa que, de quase 300 candidatos nos 78 municípios capixabas, apenas 19 eram mulheres. Como resultado, o Espírito Santo elegeu o menor percentual de prefeitas do Brasil, com apenas 2,63%. A partir de 2025, das 78 cidades do estado, apenas duas serão comandadas por mulheres: Ana Malacarne (MDB), reeleita em São Domingos do Norte, e Iracy Baltar (Podemos), que voltará a assumir a prefeitura de Montanha.

Judiciário: avanços significativos

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No Poder Judiciário capixaba, houve um avanço histórico em 2025, com a eleição da desembargadora Janete Vargas Simões como a primeira mulher presidente do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Com uma trajetória de 35 anos na magistratura e formação pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Janete representa um marco para as mulheres no Judiciário local. Seu mandato para o biênio 2026/2027 simboliza a crescente inserção feminina em cargos de alta liderança, tradicionalmente ocupados por homens.

Outro exemplo importante é a advogada Erica Ferreira Neves, que se tornou a primeira mulher presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Espírito Santo (OAB-ES) para o triênio 2025/2027. Essas conquistas refletem a ampliação da presença feminina em setores influentes do estado, apontando para uma mudança gradual e consistente na distribuição do poder.

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O setor privado também dá sinais de mudança

Pela primeira vez em quatro décadas, a Associação dos Empresários da Serra (ASES) terá uma mulher à frente da entidade. Leonelle Lamas, atual vice-presidente, foi eleita para assumir a presidência da maior associação empresarial do Espírito Santo, com posse prevista para dezembro. Fundada em 1977, a ASES é reconhecida pela relevância econômica e social que desempenha no estado.

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Ela considera a eleição não apenas uma conquista pessoal, mas um marco para todas as mulheres do Espírito Santo. “Em 47 anos da ASES, ser a primeira mulher eleita, e com uma votação expressiva, é a realização de um sonho. Esta conquista não é só minha, é de todas as mulheres que são mães, esposas, filhas e empresárias”, afirma.

Esses exemplos mostram que, mesmo em um estado onde as mulheres são maioria, a presença feminina em cargos de decisão ainda enfrenta desafios. Avanços no setor público e privado indicam mudanças graduais, mas reforçam a necessidade de políticas e ações que ampliem efetivamente a participação feminina em todas as esferas de poder no Espírito Santo.

O Espírito Santo, assim como o Brasil, caminha para um cenário mais plural, onde a participação das mulheres será cada vez mais relevante na definição dos rumos políticos e sociais. A eleição de Janete Vargas Simões, de Leonelle Lamas e a liderança de Erica Neves são sinais claros desta transformação, que reforçam a necessidade de ampliar as oportunidades para que as mulheres estejam presentes em todos os níveis e poderes do governo.

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