Projeções apontam tendência de aumento dos eventos extremos e problemas causados pelas mudanças climáticas, como baixa disponibilidade de água e risco de apagões
Por Daniel Hirschmann
Os impactos negativos provocados pelas mudanças climáticas, que já são percebidos não só no Brasil, mas no mundo todo, tendem a crescer com o passar do tempo, agravando os problemas sentidos hoje.
Desde o aumento do nível do mar e uma maior frequência e intensidade de inundações até secas prolongadas e intensas, com fortes ondas de calor e escassez de recursos hídricos, o quadro que especialistas desenham para o futuro do Brasil e do Espírito Santo, em particular, exige atenção e medidas urgentes.
Um dos problemas esperados é o aumento do nível do mar nos municípios costeiros, que hoje já é uma realidade, mas deve piorar. Ondas de calor também são previstas, aumentando o risco para a saúde humana, com maior ocorrência de doenças como a dengue, além de mais inundações e deslizamentos de terras. Somam-se a isso a escassez de água e de alimentos e limitações no fornecimento de água potável.
“Tudo isso é potencializado por essas vulnerabilidades que a gente identifica nas nossas cidades”, justifica o coordenador de Mudanças Climáticas da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Saulo Aires de Souza.
Segundo ele, no caso das cheias, aquelas mais intensas vão ocorrer em praticamente todo o Brasil, mas principalmente nas regiões mais vulneráveis e que, naturalmente, já sofrem com enchentes. Por outro lado, a disponibilidade hídrica (a quantidade de água disponível em uma determinada região em um determinado período de tempo; refere-se à quantidade de água doce que está disponível para uso humano, seja para consumo, agricultura, indústria ou outros fins) tende a diminuir em boa parte do país.
“À exceção da Região Sul, devemos descobrir que todas as regiões do Brasil vão ter uma diminuição drástica na disponibilidade hídrica. Há cenários que mostram isso”, ressalta o coordenador, citando um estudo da própria ANA, que “acabou identificando quadros bastante preocupantes, principalmente para um futuro breve”.
Estado preparado
Diante de riscos de baixa disponibilidade hídrica apontados por especialistas, o diretor-presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Pablo Lira, acredita que o Espírito Santo está preparado. “A situação do estado é de controle da segurança hídrica. Não temos um problema de insegurança hídrica, mas um trabalho integrado que garante uma condição, digamos, controlada da segurança hídrica”, garante.
Lira cita medidas já adotadas que devem ser intensificadas, considerando os eventos climáticos extremos. Entre elas, destaca que o Espírito Santo foi protagonista na criação da Agência de Recursos Hídricos (Agerh), que tem ações integradas com a Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).
Ele destaca também o Programa Reflorestar de recuperação da cobertura vegetal. “Quando você tem um investimento no reflorestamento, plantando árvores, acaba lá na frente colhendo água, melhorando o fluxo hídrico dos mananciais”, afirma o presidente do IJSN.
Lira acrescenta, ainda, medidas voltadas à recuperação de nascentes e melhorias de saneamento básico. “É necessário prevenir. Uma vez que você se encontra em uma situação de escassez, de estiagem prolongada, se não teve prevenção, fica mais difícil alcançar respostas para melhorar os índices e a característica da segurança hídrica”, comenta. Ele reforça que “o Espírito Santo vem dando bons exemplos, com essas políticas, para ter um ambiente mais favorável à segurança hídrica”.
Essa matéria é uma republicação da Edição 222 da Revista ES Brasil — Anuário Verde: Água. Confira a revista digital completa clicando neste link.

