Intercâmbio: essa experiência é para mim?

As adolescentes Brenda Vargas, 16 anos, e Ágatha Gomes, 15, que estão há 11 meses em Orlando, Flórida, USA, fazendo High School

Entenda o que é, como fazer e quanto custa esse investimento profissional e pessoal

Arrumar as malas, providenciar a documentação, traçar os roteiros e partir para uma experiência única. Parece o planejamento da próxima viagem turística, certo? Mas e se lhe dissermos que não se trata apenas de um passeio? Que esse é um projeto de aprimoramento da carreira profissional e também de seu desenvolvimento pessoal?

A psicóloga Jéssica Lainy, que atua em RH, passou sete meses em Dublin, na Irlanda, aprimorando o idioma inglês, que, agora fluente, se tornou diferencial na conquista de clientes

O intercâmbio, que há alguns anos era considerado uma “saga” restrita a adolescentes dispostos a aprender um novo idioma, agora cada vez mais faz parte das pretensões de grupos de várias faixas etárias. Vivenciar essa jornada internacional é um sonho para milhares de brasileiros. E pode se tornar realidade para todos, com a orientação certa e um roteiro adequado. Todos mesmo!

A diretora da agência World Study, em Vitória, Glicer Dável, explica que o público que viaja mudou, e as opções de programas expandiram-se (e muito!). São para jovens, adultos, famílias (inclusive aquelas com crianças em idade pré-escolar) e profissionais que buscam uma recolocação no mercado de trabalho. Abrangem tanto pessoas com mais de 50 anos quanto adolescentes, oferecendo suporte para atividades direcionadas ao emprego, associadas ou não a estudo fora do país.

Quem decide atualmente sair do Brasil para estudar encontra uma infinidade de alternativas: intercâmbio teen (de 7 a 17 anos), high school (de 14 a 18 anos), profissionalizantes, graduação, pós-graduação, 50+ (acima dos 50 anos), familiar (pai, mãe e filhos a partir dos 4 anos viajam juntos), entre outras. “Os cursos de idiomas ainda são os mais escolhidos, mas os destinos preferidos pelos capixabas mudaram um pouco, e isso muito se deve ao fator econômico”, afirma Glícer.

Fonte: World Study de Vitória

O setor movimentou em todo o país US$ 1,2 bilhão em 2018. Nesse mesmo ano, 365 mil brasileiros fizeram intercâmbio, um número 20,46% maior que em 2017, quando 302 mil buscaram aprendizado no exterior. Desse montante, a maioria está entre 22 e 29 anos; 60% são mulheres A pesquisa foi feita pela Associação das Agências de Intercâmbio (Belta, sigla de Brazilian Educational & Language Travel Association), que ouviu 5 mil estudantes e mais de 500 empresas.

Ainda segundo a Belta, cerca de 3 mil capixabas devem estudar no exterior em 2019, o que supera a marca de pouco mais de 2 mil registrada em 2018. Especialista em educação e carreira internacional Guilherme Marinho, diretor da IE Intercâmbio Vila Velha, aponta o Canadá e a Austrália como dois dos destinos mais procurados pelos capixabas. “O primeiro, por ser o principal destino para o estudo do inglês, oferece ótimos valores com carga horária intensiva, o melhor destino custo-benefício do mundo, além de levar em consideração a qualidade de vida, segurança, custo de vida, entre outras vantagens. A IE vai abrir neste ano a primeira agência por lá, na cidade de Vancouver.”

Já a Austrália é a principal escolha para o tradicional programa de Estudo e Trabalho. Com 16 semanas de aulas, já é aplicável o visto de estudante, o que garante o direito de trabalhar legalmente. “Paga-se lá o maior salário mínimo do mundo. Quando o aluno começa a trabalhar, praticamente já se sustenta”, garante o dirigente.

Outra vantagem em optar por esses dois países é o fato de serem bastante abertos à imigração, ou seja, “é muito viável estender os estudos e até mesmo no futuro ganhar a residência permanente”. A pesquisa feita pela Belta também apontou que, os destinos mais procurados pelos brasileiros ainda são Canadá e Estados Unidos. Mas hoje as atenções também se viram para Malta, um pequeno país localizado bem perto da Sicília, na Itália, portanto, no berço da cultura mediterrânea. Com apenas 450 mil habitantes, Malta tem muitas vantagens: o inglês como uma de suas línguas oficiais, custo do intercâmbio mais barato, qualidade de vida, visto fácil possibilidade de aliar trabalho com ensino.

APRIMORAMENTO PROFISSIONAL

O intercâmbio tem sido uma estratégia adotada pelos brasileiros para driblar as crises na economia e no mercado de trabalho. Pesquisa realizada pela Belta (Brazilian Educational & Language Travel Association) revelou um aumento de quase 30%, entre 2015 e 2017, na procura por pessoas com idade entre 30 e 60 anos.

Há nesse meio cursos direcionados para o público 30+ ou inglês para negócios. Edimara Giuriato, especialista em Gestão de Pessoas, afirma que a experiência do profissional em outro país rende para o currículo um upgrade muito maior do que um curso. “Lidar com culturas diferentes é sempre um desafio. Mesmo que seja por um curto período de tempo, essa é uma das experiências mais enriquecedoras de um intercâmbio: aceitar e lidar com diferentes pessoas, apresentar jogo de cintura em situações inusitadas, quebrar barreiras de timidez e relacionamentos, obter independência e autogestão. E claro, poder dominar um idioma e conseguir certificado de uma instituição internacional também conta muitos pontos”, enumera.

Leticia Frauches, de 25 anos, decidiu passar por essa experiência. Formada em Engenharia, sempre desejou trabalhar em uma multinacional. E viu no intercâmbio um diferencial para o currículo. Fez o curso de Project Management (Gerenciamento de Projetos) na cidade de San Diego, Califórnia (EUA), na instituição Stafford House International. De volta a Vitória há menos de dois meses, atualizou recentemente o seu perfil no LinkedIn e obteve um aumento de 500% nas visualizações do currículo nessa rede social voltada à carreira, após a inserção do curso no exterior. Ela inclusive já fez a sua primeira entrevista de emprego para uma multinacional.

O curso de Gerenciamento de Projetos, em uma universidade na Califórnia (EUA), garantiu a Leticia Frauches propostas de emprego em multinacionais quando retornou ao Brasil

Em 2015, logo depois de se formar em Psicologia, Jessica Lainy de Sena Silva, hoje com 29 anos, passou sete meses na cidade irlandesa de Dublin fazendo um curso de inglês, na Malvern House School. A ideia era se aprimorar no idioma e conseguir um emprego na área de treinamentos/gestão de pessoas. Ao retornar, conseguiu a primeira oportunidade de trabalho num curso de línguas. Jessica era responsável pelo setor de Gestão de Pessoas e fazia treinamentos, em inglês, com a equipe de vendas do curso.

Depois dessa experiência, em todas as entrevistas das quais participa, o curso no exterior é abordado e chama atenção. Cátia Santos, gerente da Kaplan International English no Brasil, reitera o quanto intercâmbios visando ao aperfeiçoamento profissional são benéficos. “São inúmeras vantagens na verdade, dentre elas sobretudo o fato de desenvolver um segundo idioma, que hoje é quesito obrigatório nas grandes empresas em busca de profissionais que se destaquem da maioria.

Além disso, o intercambista se transforma em um cidadão global, com uma bagagem de vivências e conhecimentos adquiridos em culturas diferentes. Torna-se mais versátil, resiliente, preparado para situações adversas e mais aberto a novos desafios”, observa Cátia. Aprender ou aperfeiçoar um novo idioma, estudando em outro país, já não é exclusividade dos jovens. O chamado público 50+ também vem movimentando o mercado.

Fonte: Guilherme Marinho, da IE Intercâmbio Vila Velha

A Belta aponta que a contratação desse plano por pessoas acima de 50 anos passou de 2,6% em 2016 para 7,9% em 2017. Os dados de 2018 ainda não foram fechados, mas devem continuar em ascensão, segundo a entidade. Além dos cursos de idiomas, esse segmento busca outras atividades fora do país como os programas culturais. Cursos de vinhos, aulas de dança e de artes, visitas guiadas a museus e aulas de gastronomia se sobressaem na demanda.

Um casal do município de Alegre aderiu a um programa de intercâmbio para a Espanha envolvendo dança e degustação de vinhos. “As escolas sempre tentam criar atividades extras para interação com a comunidade onde estarão inseridas”, relata Guilherme Marinho, da IE Intercâmbio. Ele pontua ainda que, em sua empresa, o recorde em termos de idade foi o de um senhor com 76 anos, que ficou quatro semanas em San Diego, Califórnia.

“O Canadá tem sido o principal destino para aprender inglês, e a Austrália, para trabalho” Guilherme Marinho, diretor da IE Intercâmbio

Outro exemplo é Adauto Emerich. Aos 66, o professor universitário já fez cursos de inglês na Inglaterra, Malta e África do Sul. O primeiro intercâmbio foi aos 57, quando sua rotina começou a se tornar mais flexível e a abrir brechas. “A minha motivação para fazer os intercâmbios sempre foi aperfeiçoar a língua inglesa e conhecer novas culturas. Quando jovem, devido à falta de tempo, não tive oportunidade de investir em um curso de inglês no exterior. O tempo foi passando e, como não existiam ou eu não conhecia intercâmbios para adultos, deixei esse desejo de lado.”

Adauto pontua ainda que, diferentemente do que ocorre em uma viagem de turismo, num intercâmbio vive-se intensamente a cultura local. “Você faz atividades cotidianas, vai ao supermercado… Nas aulas de inglês no exterior, como tudo é explicado em inglês, você acaba sendo forçado a pensar e a se comunicar em outra língua, o que aumenta o aproveitamento do tempo.” Para ele, “numa viagem de intercâmbio alimenta-se o espírito e amplia-se a visão de mundo, ao se conectar com pessoas de diferentes nacionalidades, culturas e perfis”. “O ensino está cada vez mais globalizado, e a maioria das publicações científicas são disponibilizadas em inglês. Então, quem quiser ter mais competitividade na produção científica internacional tem de dominar a língua inglesa”, enfatiza o professor.

Pessoas acima de 50 anos que trabalham, com pouco tempo disponível (às vezes, só o período de férias), também podem se lançar nessa empreitada. Existem opções de intercâmbio cultural de férias, de semanas, que não prejudicam em nada o trabalho. Uma boa alternativa é o programa de imersão total na casa de uma família no exterior. O interessante é a possibilidade de viajar e ter companhia, de ter onde ficar, com quem conversar e passear. Uma maneira de conhecer intensamente uma nova cultura. Em Vitória, as agências já oferecem pacotes direcionados a esse público.

Fonte: pesquisa Selo Belta 2019
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