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sexta-feira, 24 maio, 2024

A caminho da indústria 4.0

A caminho da indústria 4.0

 

Por Luciano Raizer

A mensagem principal deste artigo é direcionada especialmente aos empresários e gestores de empresas. Vocês certamente já perceberam que vivemos novos tempos, de muitas mudanças e impactos na nossa vida em geral e, em especial, nos negócios. Digo isso não apenas relacionado à pandemia que nos afeta, mas ao uso cada vez mais intenso de novas tecnologias nas empresas. Vocês já devem ter experimentado o “e-commerce”, participado de lives, realizado transações financeiras por meios digitais, trabalho em home-office, entre outras novas formas de realizar as atividades dos negócios. Isso é a apenas o começo.

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Muito ainda irá acontecer e afetará sobremaneira as empresas. É preciso estar atento, acompanhar e saber lidar com a 4ª Revolução Industrial que já estamos vivendo.
As transformações do mundo são cada vez mais intensas, trazendo oportunidades e ameaças. Nossa vida, nossos costumes, produtos e nossas empresas estão sendo fortemente impactadas por novas tecnologias e novos modelos de negócios desenvolvidos a partir da virada do século XXI. O uso crescente de tecnologias como Inteligência Artificial, robótica avançada, Internet das Coisas, veículos autônomos, impressão em 3D, nanotecnologia, como exemplos, estão desenhando um novo mundo.

Segundo Klaus Schwab, fundador e presidente do Fórum Econômico Mundial, “as mudanças são tão profundas que, na perspectiva da história da humanidade, nunca houve um momento tão potencialmente promissor ou perigoso”. Destaca ainda que o que distingue essa nova era é a velocidade, amplitude e profundidade das transformações. Essas mudanças impactam de modo intenso as empresas que precisam se adequar a essa nova era tecnológica, chamada “transformação digital”, que, segundo o Professor Gerald Kane, do MIT, representa “a adoção de processos e práticas empresariais para ajudar a organização a competir efetivamente em um mundo cada vez mais digital”.

São mudanças e transformações que não tem volta. Faz parte da natureza dos seres humanos a busca de meios cada vez melhores para se viver, usando tecnologias cada vez mais sofisticadas. No Brasil e no Espírito Santo precisamos nos ater a essa questão com mais determinação. Estamos já atrasados nessa corrida que começou há pouco mais de uma década. Teve início em 2011 quando a Alemanha lançou as bases da Indústria 4.0 com o propósito de produzir e exportar produtos e serviços de alto valor agregado e manter o alto padrão de ganho de sua força de trabalho. A quarta maior economia do mundo definiu que o domínio de tecnologias avançadas é a estratégia clara para se tornar líder mundial em inovação, reforçando sua posição industrial e exportadora. Constitui-se como 3a maior nação exportadora mundial com mais de US$ 1,5 trilhões de alto valor agregado, enquanto que o Brasil ocupa a 27ª posição, com US$ 223 bilhões, notadamente com commodities.

A 4ª Revolução Industrial é um momento novo para todos. Os que se adequarem e se prepararem poderão aproveitar essa oportunidade e obter bons resultados. Mas uma característica dessa nova revolução é a velocidade dos acontecimentos. Então, quem quiser se posicionar melhor deverá ser mais ágil. A Indústria 4.0 é nova para toda a Indústria mundial e pode ser uma excelente oportunidade para a Indústria Capixaba. Desde que se prepare.

Mesmo nessa nova era digital, muitos produtos ainda são do mundo real, e são produzidos por “fábricas”. E como serão as indústrias nessa nova era? Irão produzir produtos inovadores da forma convencional? Ou também as fábricas serão fortemente impactadas pela 4ª Revolução Industrial? O ambiente da manufatura será certamente transformado fazendo surgir as fábricas inteligentes. Essa é a promessa da Indústria 4.0, a transformação digital das indústrias, proporcionando elevados ganhos de produtividade, trazendo maior flexibilidade à autonomia á produção. É uma nova indústria que se desenha e para isso é necessário fazer apostas, investimentos, preparação para essa nova era empresarial.

A adoção da Indústria 4.0 é uma decisão estratégica da empresa. Não se limita aos aspectos tecnológicos. Também envolve os aspectos organizacionais e culturais da empresa. A Indústria 4.0 deve ser entendida como um novo modelo de negócio e de novas formas de produção como meios para a empresa atingir seus objetivos: agilidade, produtividade, focada em um novo mercado. O planejamento de ações para adoção da Indústria 4.0 deve ser feito passo a passo, por etapas, porém, vislumbrando a empresa como um todo. Envolve aquisição de novas competências e domínios tecnológicos relacionados ao novo mundo digital. Esse novo mundo requer parceria e atuação integradas da empresa com clientes, fornecedores e detentores de tecnologias. A empresa precisa se preparar para a mudança, visando a adoção da Indústria 4.0, ação a ser liderada pela alta direção.

Como citado por Klaus Schwab, essa nova era se desponta como ameaça, mas também como oportunidade, podendo contribuir para o crescimento de empresas e nações. Desde que sejam tomadas as medidas certas e em tempo de permitir o fortalecimento competitivo dessas empresas. E as nossas empresas irão aderir a essa nova era, investindo na transformação digital, adequando-se a essa nova realidade, ou irão esperar a revolução passar?

Luciano Raizer é Doutor em Engª de Produção pela USP, com Pós-doutorado em Indústria 4.0 na Alemanha. Professor do Departamento de Tecnologia Industrial da UFES, Vice-presidente da FEST e Vice-presidente da ACT!ON e autor do livro A Caminho da Indústria 4.0

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