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Ibovespa sobe com tensão externa e inflação no radar

Mercado reage a tensões no Oriente Médio e alta nas projeções de inflação no Brasil

Após queda na sexta-feira, 27, o Ibovespa sobe, apesar das pressões para cima nas estimativas da inflação brasileira no boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira, 30. A alta do principal indicador da B3 neste penúltimo dia de março e do trimestre reflete a valorização das bolsas americanas e europeias, diante de expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã sobre a guerra no Oriente Médio.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que os norte-americanos estão em negociações “sérias” com um novo regime, mais “razoável”, para encerrar as operações militares de Washington no Irã. Em publicação na Truth Social, Trump disse também que “grandes progressos foram feitos com Teerã, mas alertou para as possíveis consequências caso não haja um pacto entre as partes.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, por sua vez, disse que Washington vai retomar o controle do Estreito de Ormuz e que vê “cada vez mais” embarcações atravessando a importante rota – o que se reflete na oferta de petróleo -, em entrevista à Fox News nesta segunda-feira.

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Segundo o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, o mercado recupera parte das perdas recentes, em meio a essa expectativa de avanço nas conversas entre EUA e Irã. “Mas é uma recuperação frágil, pois a invasão ao território está cada vez mais real”, diz.

Rebeldes do Iêmen, aliados do Irã, entraram na guerra no fim de semana e os Estados Unidos enviaram mais tropas para possível operação terrestre contra o Irã. Neste cenário, o petróleo opera em alta, com o Brent tendo tocado máxima a US$ 109,46 o barril

“O conflito entra no segundo mês sem sinais claros de cessar-fogo, e novos desdobramentos ao longo do fim de semana voltaram a pressionar os preços do petróleo e aumentar a sensibilidade dos ativos de risco a cada nova manchete”, diz em nota Bruna Sene, analista de renda variável da Rico.

Paralelamente, investidores digerem revisões no boletim Focus. A mediana do relatório a inflação suavizada nos próximos 12 meses aumentou pela quarta semana seguida, de 4,07% para 4,10%. A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) 2026 subiu de 4,17% para 4,31%. A mediana para o IPCA em 2027 subiu de 3,80% para 3,84%, e para 2028, de 3,52% para 3,57%.

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Quanto às estimativas de Selic no Focus, não fora alteradas, seguindo em 12,50% (2026), 10,50% (2027) e 10% (2028).

Já o Itaú Unibanco divulgou hoje relatório com aumento nas expectativas para o juro básico brasileiro. A projeção para 2026 subiu de 12,25% para 13,00% ao ano, e para 2027, passou de 11,25% para 12,00%. Para a instituição, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve promover um novo recuo de 0,25 pontos porcentual na Selic no mês que vem, para 14,50% ao ano.

Em relação ao IPCA, o Itaú Unibanco elevou as projeções para o dado fechado em 2026, de 3,8% para 4,5%. Para 2027, a previsão de IPCA foi de 3,9% para 4,1%, por maior inércia inflacionária.

Ainda passou a considerar uma cotação média do barril de petróleo Brent de US$ 125 no mês de abril – mais alto do que a tendência recente, mais próxima de US$ 100.

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Divulgado hoje pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,52% em março, após cair 0,73% em fevereiro, acima da mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, de 0,46%. ” O principal driver foi o IPA, que reverteu a deflação de fevereiro puxado pela recuperação dos preços ao produtor, reflexo direto do movimento de commodities e câmbio nas últimas semanas”, avalia Marcus Novais, sócio-fundador da Private Investimentos.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) passou de queda de 1,18% em fevereiro para alta de 0,61% em março.

Às 11 horas, o Índice Bovespa subia 0,48%, aos 182.431,41 pontos, ante alta de 1,29%, na máxima aos 183.891,49 pontos, após mínima em 181.559,49 pontos, perto da abertura (181.560,58 pontos).

Na sexta-feira, Ibovespa fechou em baixa de 0,64%, aos 181.556,76 pontos.

Com informações da Estadão Conteúdo – Economia, Maria Regina Silva

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