Senadora Gleisi Hoffmann é eleita presidente do PT

Daniel Teixeira / Estadão

Mesmo sendo ré na Lava Jato, a senadora paranaense Gleisi Hoffmann, foi eleita neste sábado (3) em Brasília como a nova presidente do PT, com 367 votos. Ela substitui Rui Falcão, que ficou seis anos no cargo, e será a primeira mulher a comandar o partido.

A senadora paraense Gleisi Hoffmann é a primeira mulher a presidir o Partido dos Trabalhadores (PT). Eleita neste sábado (3) em Brasília, com 367 votos, ela substitui Rui Falcão, que ficou seis anos no cargo. “Tenho uma grande responsabilidade por ser a primeira mulher a presidir o PT”, afirmou..

Gleisi, que responde processo na Operação Lava Jato, assume o comando do PT pelos próximos dois anos, em um cenário bem diferente do que vinha sendo presenciado pelos militantes nos últimos anos. O partido, que vinha de quatro vitórias consecutivas em eleições presidenciais, amargou em 2016. Além do impeachment de Dilma Rousseff, suas principais lideranças investigadas na Lava Jato e algumas delas presas.

Em discurso após o anúncio de sua vitória, Gleisi relembrou outros presidentes do
PT, entre eles José Dirceu, informou o UOL. Quando o nome dele foi mencionado, militantes gritaram “Dirceu, guerreiro do povo brasileiro”.

A senadora disse que o PT saiu “unificado” do Congresso e que o fato de ser ré na Lava Jato não prejudica o partido. “Como que isso vai atrapalhar mais? O PT foi desconstruído nesse processo. O processo legal não foi respeitado na maioria dos casos. E o partido está aí.”

Ela argumentou que “quem tem ligação com o povo, tem história, não pode ser facilmente desconstruído.” Ao defender sua candidatura, disse que o partido não vai ficar “enumerando” seus erros para que sejam explorados pela “burguesia”. “Nós fazemos o resgate dos nossos erros na prática.”.

Gleisi afirmou ainda que faltou ao PT uma “entrada maior” nos movimentos sociais, principalmente nos da juventude. Mesmo assim, segundo a senadora, “não teve, em 500 anos de história do nosso país, governos melhores que os do PT”.

Em entrevista ao UOL, Rui Falcão –que dará lugar a Gleisi na presidência do
partido– disse que o PT “está vindo de um processo de recuperação”. Desde a queda de Dilma, Gleisi e outros nomes de peso do PT têm sido favoráveis a realização de eleições diretas para presidente. Seja em um pleito antecipado – o que exigiria a aprovação de uma emenda constitucional- ou em 2018, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva promete ser o candidato do partido.

HISTÓRICO DE GLEISI HOFFMANN

Filiada à legenda desde 1989, Gleisi foi ministra da Casa Civil entre 2011 e 2014, no governo de Dilma Rousseff. A senadora disputava a presidência do PT com o senador Lindbergh Farias (RJ), que teve 226 votos, e com o pernambucano José de Oliveira.

TENSÃO
Gleisi foi eleita no 6º Congresso Nacional do PT, que começou na última quinta (1º) em
Brasília. Ela integra a corrente majoritária do partido, a CNB (Construindo um Novo Brasil).

Na sexta (2), os candidatos à presidência da legenda se reuniram para uma conversa transmitida pelo Facebook, no que foi anunciado pelo site do PT como uma demonstração de “força e unidade”.

A união em torno da defesa de Lula e de eleições diretas, assim como no ataque às
reformas propostas pelo governo de Michel Temer (PMDB), não foi o suficiente para
evitar a tensão entre militantes.

O ex-ministro Alexandre Padilha, da CNB, discursou criticando quem defendia o PT
apenas nos momentos bons. Em seguida veio o secretário de Movimentos Populares do PT, Bruno Elias, pró-Lindbergh, que atacou a CNB por defender a votação do presidente antes da discussão de resoluções sobre o partido.

“Isso nem sindicato pelego e partido de direita faz”, disse Elias. “Nós estamos destruindo a possibilidade de aprovar as resoluções que nos unificam.” Logo depois, uma confusão entre militantes da CNB e de outras tendências estourou bem em frente ao palco onde as lideranças discursavam. Não houve agressão física porque os mais exaltados foram contidos por outros militantes.

GLEISI E A LAVA JATO

A senadora é ré Supremo Tribunal Federal (STF) desde setembro do ano passado, quando os ministros da 2ª Turma aceitaram a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), acusando Gleisi e seu marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, de receberem de forma ilegal R$ 1 milhão para a campanha dela ao Senado em 2010.

Segundo a PGR, o dinheiro teria origem no Petrolão, esquema investigado pela Lava Jato. Foi repassado à campanha para que o então diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, hoje um dos principais delatores do esquema de corrupção na estatal.
Gleisi e Paulo Bernardo negam qualquer participação em irregularidades. Os advogados do casal afirmam que a denúncia não traz provas e se baseia em “meras conjecturas”.
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