Veterinária orienta sobre cuidados para evitar três enfermidades mais comuns nos gatos: Felv, cistite e doenças respiratórias
Por Mariah Friedrich
A saúde dos gatos é uma preocupação para os tutores, especialmente quando se trata das doenças mais comuns que podem afetá-los. A veterinária Flávia Fagundes destaca três enfermidades que merecem atenção especial: FeLV, doenças respiratórias e cistite inflamatória.
Especialista em medicina felina, comportamental (psiquiatria) e preventiva, a médica veterinária destacou a importância do diagnóstico precoce, da vacinação e dos cuidados preventivos para garantir a saúde dos gatos.
A vacinação é um fator preventivo essencial. Segundo a veterinária Flávia Fagundes, a vacina múltipla felina (V3, V4 ou V5) protege contra dois dos principais problemas de saúde que acometem os gatos, a FeLV e as doenças respiratórias.
A vacina é indicada para reduzir a incidência da Rinotraqueíte, Calicivirose (enfermidades do trato respiratório superior) e Panleucopenia, que afeta principalmente o sistema gastrointestinal. Iniciada aos dois meses de idade, a imunização requer duas doses com um intervalo de 21 dias entre elas.
FeLV – Vírus da Leucemia Felina
Segundo a médica veterinária Flávia Fagundes, a FeLV, ou leucemia felina é considerada a mais complexa entre essas doenças. Trata-se de uma infecção viral transmitida de gato para gato, sem cura até o momento.
Ela aponta que o diagnóstico precoce é crucial, e os testes podem ser realizados a partir de qualquer idade. “Caso o resultado seja negativo, é necessário retestar, especialmente se o gato adoecer, devido à possibilidade de falsos negativos na infância. Se o resultado for positivo, são necessários exames mais específicos para qualificação e quantificação da FeLV”, orienta Flávia.
A FeLV pode provocar além da leucemia, anemia e linfomas que podem se desenvolver em outros órgãos, como o intestino e a medula óssea. Além disso, os pacientes com esse distúrbio apresentam problemas de imunidade.
“Um FeLV positivo, por ter a imunidade mais fraca, pode vir a óbito por outra patologia. Por isso é importante diagnosticar desde cedo para fazer uma boa manutenção da saúde e evitar a evolução da patologia e que se desenvolvam outras doenças oportunistas”, explica a médica veterinária.
A especialista acrescenta que a é crucial para reduzir a prevalência da FeLV. Em países como os Estados Unidos, a vacinação quase erradicou a doença. No Brasil, a vacinação ainda não é tão difundida, o que resulta em uma prevalência maior, especialmente entre gatos de rua ou abandonados.
Cistite
A cistite inflamatória é muito comum, principalmente em gatos machos, devido ao menor número de células renais em comparação com outros animais, como os cães.
Na maioria dos casos, a cistite em gatos é inflamatória e não infecciosa, e a prevenção é feita a partir de cuidados como oferecer muitas fontes de água e principalmente o tipo de areia adequada.
“Por exemplo, areia de pinos de madeira ou misturar farinha de mercado alimentar não é recomendado para evitar também esse tipo de patologia”, acrescenta a médica veterinária Flávia Fagundes.
Outra coisa muito importante na manutenção da hidratação dos gatos é oferecer alimentos úmidos, como sachês ou patês, para auxiliar na saúde renal dos felinos.
“Hoje existem no mercado sachês de alta qualidade, que são alimentos super premium, então não são só um petisco, mas um alimento completo que vai favorecer a hidratação desses gatos”, observa Flávia.
A veterinária indica que a principal complicação da doença é a recorrência e caso não seja tratada com manejo adequado, dieta específica e tratamento de cristais ou cálculos, o paciente pode sofrer com cistite de repetição.
Uma emergência clínica que pode ocorrer é a obstrução urinária. Quando o gato não consegue urinar, isso se torna uma situação urgente que requer internação imediata para desobstruir a bexiga.
“Pode acontecer de estenosar o canal da ureta e precisar fazer uma cirurgia de retirada do pênis. Então, a a cistite recorrente tem bastante complicações”, alerta a especialista.
Doenças Respiratórias
Doenças respiratórias são comuns na rotina clínica dos felinos e tem como sintomas principais a secreção ocular, e nasal, tosse e espirros, geralmente causados por vírus respiratórios, que podem ser prevenidos por meio da vacina múltipla felina (v3, v4 ou v5).
Além de afetarem o sistema respiratório, as infecções podem causar conjuntivite ou lesões na mucosa oral, como aftas.
“O principal agravante é evoluir para uma pneumonia, aí o caso fica bem mais sério. Caso piore o quadro, o gatinho pode precisar ser internado em um ambiente hospitalar para conseguir se recuperar”, completa a médica veterinária Flávia Fagundes.
Cada gato pode ter um protocolo de vacinação específico, mas, em geral, a revacinação anual é recomendada. Gatos de rua, abrigos ou ONGs estão mais expostos a esses vírus, que podem se manifestar em diferentes momentos da vida do animal.

