Programação do Festival Nacional de Teatro segue nesta quarta-feira (16)

A peça "memórias de um Cão" será apresentada nesta quarta-feira (16), no Centro de Vitória. - Foto: Divulgação

“Memórias de um Cão” será apresentado no Palácio da Cultura Sônia Cabral. Já “A Barca do Inferno” estará em cartaz no Teatro Universitário

A programação do Festival Nacional de Teatro Cidade de Vitória (Fenatevi) segue a todo vapor. Nesta quarta-feira (16), dois espetáculos serão apresentados gratuitamente: “Memórias de um cão”, do Coletivo de Teatro Alfenim, de João Pessoa, no Palácio da Cultura Sônia Cabral e “A Barca do Inferno”, de Abel Santana, no Teatro Universitário. Ambas peças serão apresentadas às 20 horas.

Após circular pelo Rio de Janeiro e São Paulo, o Coletivo de Teatro Alfenim, de João Pessoa, desembarca em Vitória com o espetáculo “Memórias de um cão”. A montagem, contemplada pela Lei 8.313/91 – Lei Federal de Incentivo à Cultura e Programa BR Distribuidora de Cultura, parte do estudo da obra de Machado de Assis para propor uma abordagem crítica das estratégias de dissimulação, engodo e autoengano que marcam no campo subjetivo e político as relações sociais do Brasil. Narra a trajetória de ascensão e queda de Rubião, um mestre-escola interiorano que, às vésperas da abolição da escravatura, se muda para a Corte, após receber uma herança de seu benfeitor, Quincas Borba, um típico escravocrata, autodenominado filósofo, que ocupa seus dias ociosos de proprietário e rentista com especulações amalucadas sobre a “natureza humana”.

Como condição para usufruir a herança, o recém-endinheirado deve cuidar do cão Quincas Borba, que tem o mesmo nome de seu benfeitor. Essa exigência testamentária, uma variante do pacto fáustico, traduz na prática as determinações do “Humanitismo”, espécie de doutrina heterodoxa criada por Quincas Borba, cujo princípio pode ser sintetizado na máxima “Ao vencido, ódio ou compaixão; ao vencedor, as batatas”.

A peça “memórias de um Cão” será apresentada nesta quarta-feira (16), no Centro de Vitória. – Foto: Divulgação

Tornado capitalista da noite para o dia, Rubião irá flanar pelas ruas elegantes de um Rio de Janeiro em processo vertiginoso de modernização, buscando inserir-se num círculo de relações de favor, marcadas pelo preconceito de classe e pela futilidade de um mundo apartado do trabalho. Enquanto torra o dinheiro da herança, o mestre-escola experimenta uma vida de luxos e compensações imaginárias a tal ponto irreais que pensa ser o próprio Imperador francês Napoleão III, numa clara alusão às pretensões da elite brasileira de tornar o Brasil uma nação do primeiro mundo, com a importação de um liberalismo fora do lugar e vistas grossas ao tráfico de escravos.

A partir da leitura do romance Quincas Borba o Coletivo Alfenim propõe uma alegoria tragicômica da desfaçatez com que a elite econômica e cultural brasileira tenta isentar-se de sua responsabilidade histórica pela barbárie que marca o processo de modernização do país. Pautando-se pela ironia contida nessa espécie de anti-romance modelar, o espetáculo procura expor as contradições de uma sociedade em formação que almeja reconhecer-se no espelho da modernidade, sem abrir mão de prerrogativas de classe como a exploração da mão de obra escrava, a espoliação do incipiente trabalho livre e a apropriação da riqueza nacional por parte de sua elite econômica, a partir da instrumentalização das instâncias do poder público, numa nação recém-saída da condição de colônia portuguesa. E o faz tendo em mente que as semelhanças com a atualidade não são mera coincidência.

Em cena, os atores Adriano Cabral, Lara Torrezan, Paula Coelho, Ricardo Canella, Verônica Sousa, Vítor Blam e Zezita Matos. Márcio Mariano assina a direção e dramaturgia do espetáculo, que também será apresentado nesta quinta (17), às 15h e sexta-feira (18), às 10h, no Palácio da Cultura Sônia Cabral.

Luta entre o bem e o mal

Muitos falam sobre a vida após a morte, mas ninguém sabe explicar ao certo para onde iremos. Existem dois caminhos completamente opostos: o céu e o inferno. Isso será mostrado pelo Grupo de Teatro Arte Oficina na releitura bem-humorada de “Auto da Barca do Inferno”, clássico do escritor Gil Vicente.

“Auto da Barca do Inferno”, clássico do escritor Gil Vicente, é umas das peças que estão no Festival Nacional de Teatro, em Vitória. – Foto: Alan Soares

No espetáculo, o público vai acompanhar o julgamento de pessoas comuns, que, ao chegarem ao purgatório, vão responder pelos seus atos na terra, em uma luta entre o bem e o mal. “É claro que todos querem ir para o céu, mas apenas alguns terão esse prazer”, diverte-se o diretor da peça, Abel Santana.

Em cena personagens como o Diabo (Abel Santana), que se encarrega de acusar os outros personagens, que estão no purgatório aguardando julgamento, de seus inúmeros pecados e condutas ruins, o Anjo (Jennifer Marques), que é a grande oposição ao diabo e, de forma firme e justa, mostra aos pecadores suas falhas e impede o acesso deles ao reino dos céus, a Judia (Grasie Fink), personagem que, por não ser cristã, tem um fim surpreendente, pois nem na barca do céu e nem na do inferno entrará e as divertidas Diabetes (Janini Pagani e Lara Santana), que são as assistentes do diabo e, junto com ele, farão os temas mais sérios da peça serem levados ao público de forma leve e bem-humorada. Elas juntamente com o “chefe” se encarregam de acusar os pecadores de seus pecados no momento do juízo. “Essas personagens não existem no texto original e foram incluídas na nossa releitura para levar humor ao texto. Inclusive o nome é com objetivo cômico”, explica Abel Santana.

O elenco é formado pelos atores Abel Santana, Lara Santana, Ramon Siqueira, Nara Gomes, Marcelo Monteiro, Vitor Gomes, Khenia Fernandes, Flávio Siqueira, Marcos Malacarne, Janini Paganini, Thina Goltara, Delza Marim, André Afonso, Joelma Neves, Lorena Riani, Letícia Carvalho, Jennifer Marques, Grasie Fink, Adriana Martinez, Kiara Martinez, Thuani Petri e Izabelle Guimarães.

Sobre a obra

Escrito em 1517, o Auto da Barca do Inferno, também conhecido como Auto da moralidade, apresenta vários personagens que estão mortos e chegam a um porto onde há duas embarcações: uma é chefiada pelo Anjo, que conduz ao paraíso e a outra, pelo Diabo, que vai para o inferno. Cada personagem terá de enfrentar seu destino.

A obra integra a Trilogia das Barcas, que contempla também o Auto da Barca do Purgatório e o Auto da Barca da Glória, todas escritas pelo pai do teatro português, Gil Vicente.

Fenatevi

O Festival Nacional de Teatro Cidade de Vitória (Fenatevi) chega a 15ª edição com novidades. Uma delas será a realização do evento em duas etapas, sendo que a primeira vai até 21 de outubro e a segunda, de 9 a 14 de novembro, em vários pontos da Capital. Na programação, espetáculos, lançamento de livro, homenagem, mostra estudantil e capacitação para artistas de diversos segmentos. A entrada é gratuita.

Festival Nacional de Teatro Cidade de Vitória
Espetáculo “Memórias de um cão
Data: 16/10 (quarta-feira), às 20h | 17/10 (quinta-feira), às 15h | 18/10 (sexta-feira), às 10h
Local: Palácio da Cultura Sônia Cabral
Endereço: Praça João Clímaco, s/n – Centro Vitória/ES
Entrada gratuita. Ingressos serão distribuídos uma hora antes do início da peça
Classificação: 14 anos
Espetáculo “A Barca do Inferno”
Data: 16/10 (quarta-feira), às 20h
Local: Teatro Universitário da Ufes
Endereço: Avenida Fernando Ferrari, 514 – Goiabeiras, Vitória – ES
Entrada gratuita. Ingressos serão distribuídos uma hora antes do início da peça
Classificação: 12 anos
Informações – 3082-7855 / 99860-8670 ou [email protected]
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