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sexta-feira, 24 maio, 2024

Fakenews são entraves na prevenção e tratamento do câncer de colo de útero

Estudo da Fundação Câncer aponta que de 36% a 56% acham que a vacina pode ser prejudicial à saúde 

Por Rafael Goulart

Uma auditoria realizada durante a campanha Março Lilás, pelo Núcleo de Controle Externo de Avaliação e Monitoramento de Políticas Públicas de Saúde (NSaúde) do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES) revelou que a vacinação e a realização de preventivos do câncer de colo de útero no Estado está abaixo do preconizado pelas autoridades em saúde.

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De acordo com o relatório e estudos da Fundação do Câncer, a baixa adesão as duas principais e mais eficazes formas de prevenir o câncer de útero – imunização contra o HPV e exames preventivos – é causada principalmente pela falta de informação das pessoas sobre a importância dessas ações e a disseminação de notícias falsas sobre as vacinas.

Vacina

A Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza que para erradicar a doença até 2030, é preciso que 80% das mulheres estejam vacinadas contra os vírus HPV, uma das principais causas do desenvolvimento do câncer de colo de útero preconiza. Porém apenas 54,9% do público feminino tomaram as duas doses no Espírito Santo.

Um estudo da Fundação do Câncer, divulgado no começo da campanha Março Lilás, entrevistou crianças e adolescentes e revelou que entre 26% a 37% dos consultados não sabiam que a vacina previne contra o câncer do colo do útero. Além disso, o estudo mostrou que entre 36 e 56% dos consultados acham que a vacina pode ser prejudicial à saúde e 35% a 47% acreditam que vacina pode incentivar a iniciação sexual precoce.

Outro estudo da Fundação Câncer, divulgado no Dia Mundial de Combate ao Câncer de Colo de útero, apontou que a Região Norte do Brasil apresenta a menor cobertura vacinal completa (duas doses) em meninas, com 50,2% e também foi a região que mais registrou óbitos por câncer de colo de útero de 2016 a 2020, com 9,6 por 100 mil mulheres contra a média nacional de 6 a cada 100 mil mulheres.

Para a Fundação e o Tribunal de Contas do Estado além do combate à disseminação de notícias falsas sobre as vacinas, também é preciso que o Governo do Estado e as prefeituras realizem campanhas de informações de forma sistemática, principalmente nas escolas, para a instrução correta do público.

Exames

Para erradicar a doença nos próximos anos, também é preconizado pela OMS que 80% das mulheres entre 24 e 60 anos realizem com a frequência correta o exame preventivo de câncer de colo de útero.

Mas de acordo com a auditoria do TCE também, apenas 55% das mulheres que dependem do Sistema Único de Saúde (SUS) no Espírito Santo realizaram o exame citopatológico entre 2019 e 2021, mais que a média nacional (31%).

Alguns municípios, conforme dados do Siscam usados no Relatório, registraram resultados muito abaixo desta média nacional, como Ecoporanga (5%), Ibatiba (18%), Bom Jesus do Norte e Piúma (ambos com 20%).

“Isso mostra que, mesmo que do ponto de vista estadual estejamos acima da média nacional, ainda existem muitos municípios em que as mulheres estão encontrando alguma dificuldade em realizar o exame citopatológico, que é o método de rastreamento do câncer de colo de útero”, pontuou auditora de Controle Externo do TCE, Mayte Aguiar.

Em auditorias como essas, o Tribunal exerce seu papel fiscalizador e contribui para que os direitos das pessoas sejam garantidos, especialmente aqueles que mais precisam do poder público”, disse o presidente do TCE-ES, conselheiro Rodrigo Chamoun.

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