Os eventos no Espírito Santo apostam em experiências sensoriais, estética marcante e ativações criativas para fidelizar o público e marcar presença nas redes sociais
Por Thamiris Guidoni
Conexão, pertencimento e memória: essas são as novas palavras-chave da indústria do entretenimento. Mais do que ouvir um artista ao vivo, o público quer sentir. Quer viver. E é nesse novo cenário que os chamados eventos de experiência têm ganhado força no Espírito Santo e em todo o país.
Hoje, não basta o artista subir ao palco. Os festivais e festas que se destacam são os que mergulham o público em uma jornada — da entrada ao último acorde.
“É importante destacar uma mudança clara e definitiva no comportamento do público a partir dos anos 2000: o consumo está ligado diretamente a propósito. É importante considerar a transformação do perfil do consumidor pré e pós-pandemia. Foi ali que a divisão se acentuou. Essa transformação passa, essencialmente, pelas marcas que patrocinam os eventos. A lógica tradicional do patrocínio está sendo substituída por uma visão mais estratégica. Os diretores de projetos e patrocínios não perguntam mais ‘quantas pessoas verão minha marca?’, mas sim: ‘Qual experiência meu público vai viver com a minha marca dentro desse evento?'”, comenta Werliton Machado, Head de projetos Marques Produções, P12 Guarapari e Parador Internacional Guriri.
Segundo ele, o comportamento do público passou por uma transformação definitiva, intensificada pela pandemia.

“Antes, ir a um show (ou a um evento de qualquer natureza) era, por si só, o ponto alto da noite. Hoje, o público busca algo maior: conexão, pertencimento, memórias. Não basta ver o artista — é preciso sentir o evento. Música é apenas uma das camadas — a jornada do público começa muito antes do palco principal. Ao criar e planejar um evento hoje, colocamos a experiência no centro. Porque é ela que fideliza, que emociona e que transforma um show, uma feira ou um festival em algo verdadeiramente inesquecível”, pontua.
Essa mentalidade reflete também no calendário de eventos do Espírito Santo. Só neste primeiro semestre, a BOOA Produções e Eventos já realizou duas labels de sucesso — o Camarote Vix e a Tardezinha— além do festival Vibra Rock Brasil. Para o segundo semestre, mais três labels e um novo festival já estão confirmados.

“Hoje em dia, ir a um show vai muito além de ver o artista no palco. A galera quer viver uma experiência completa, que envolva todos os sentidos. Não é só sobre ouvir uma música boa ou seu artista preferido, curtir o ambiente, tirar fotos incríveis e criar memórias marcantes”, conta Mateus Carvalho, sócio da BOOA.
E o empresário completa: “As pessoas estão cada vez mais em busca de eventos que ofereçam algo diferente, especial, que elas possam lembrar e compartilhar nas redes sociais. Na minha opinião, é por isso que hoje existe uma busca maior do público para os festivais e para as festas denominadas labels. Neste primeiro semestre, a BOOA já fez duas labels (Camarote Vix e Tardezinha) e um festival chamado Vibra Rock Brasil. Para o segundo semestre já estão agendados mais três labels e um festival”.
Investimento de até R$ 1 milhão
Sobre os custos envolvidos para transformar um show tradicional em um espetáculo imersivo, Mateus Carvalho diz que o investimento varia conforme o porte do evento. “Essas ativações podem custar de R$ 20 mil a R$ 1 milhão.”
De atração surpresa descendo de um guindaste até a centenária igrejinha que se transformou em uma verdadeira obra de arte viva. Assim são as experiências que os empresários têm apostado no Espírito Santo. Mateus frisa que o objetivo hoje é surpreender em cada detalhe, e conta sobre algumas ativações.
“O palco deixou de ser só palco. Ele vira uma caixa de som, uma guitarra, um fone de ouvido. Já tivemos fogos de artifício sincronizados com os principais momentos das músicas, máquinas de fogo que alcançam até quatro metros de altura, além de karaokê, túnel de entrada contando a história do artista, atração surpresa descendo de um guindaste e até artista tocando dentro de um balão fixo de passeio (balão fixo). Tudo vira experiência!”.
Nos eventos, o público, além de curtir, também se emociona. “No Festival de Outono Linhares, o resgate cultural ganhou forma e emoção. A centenária Igrejinha Velha, símbolo histórico da cidade, se transformou em uma verdadeira obra de arte viva: suas paredes centenárias receberam projeções mapeadas das telas de Nice Avanza, importante nome da arte Naif nacional, numa exibição de vídeo mapping sincronizada com a execução musical da Camerata Sesi”, conta Werliton Machado.
E não para por aí. “No Festival Sabores de Boteco São Mateus, o público foi transportado para a atmosfera nostálgica dos bares boêmios do Rio de Janeiro. Um espaço cenográfico especialmente criado para o evento reproduziu os elementos mais emblemáticos desses ambientes: ladrilhos no chão, caixas e grades de cerveja ao fundo, além da iluminação intimista. Não era apenas decoração. Era memória, afeto e identidade sendo traduzidos em cada detalhe. Uma experiência que conectou o público ao sabor, à cultura e à estética popular brasileira”, finaliza.
Necessidade do mercado
As labels de eventos são marcas, selos ou produtoras que assinam e organizam eventos com uma identidade própria. Elas funcionam como “autores” de festas, festivais ou experiências, criando um conceito único, com nome, estética, estilo musical, público-alvo e atmosfera próprios.

Para Felipe Fioroti, da Brava Entretenimento, oferecer essa experiência e imersão durante os eventos acabou se tornando uma necessidade para o mercado.
“Acredito que a questão não seja apenas o desejo de investir, mas sim uma necessidade do mercado, impulsionada pelas mudanças geracionais. Observa-se uma crescente demanda por atividades diversas nos eventos, que vão além da simples apreciação das atrações e do consumo de bebidas, alcoólicas ou não”, destaca o produtor que já trouxe labels como Numanice e Baile do Dennis.
A busca por novas experiências tem se configurado como uma necessidade estratégica para todos os produtores de eventos.
“Vivemos em uma era de intensa conectividade, onde as redes sociais desempenham um papel crucial. As pessoas buscam vivenciar o evento de forma ativa, registrando momentos, interagindo e participando de experiências que transcendem a música e o consumo”.

