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sábado, 18 maio, 2024

Estado espera se beneficiar das transformações no mundo pós-pandemia

Estrutura portuária e logística pode beneficiar o Espírito Santo frente às mudanças na geopolítica e comércio globais

Por Daniel Hirschmann

Depois da pandemia de Covid-19, o mundo vive uma época de transformações, impulsionadas não só pela crise sanitária mundial do começo da década, mas também por conflitos armados como o do Leste Europeu, entre Rússia e Ucrânia, e mais recentemente, no Oriente Médio, entre Israel e o grupo terrorista Hamas – incluindo, agora, também com o Irã.

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Além disso, estão ocorrendo alterações de caráter geopolítico – com a afirmação cada vez maior da Ásia e o aumento da importância dos países emergentes para o crescimento global –, ao lado de mudanças importantes na sociedade, entre as quais a maior urbanização, o envelhecimento das populações, a aceleração do desenvolvimento tecnológico, com novos materiais, a hiperconectividade, a Inteligência Artificial (IA) e a biorrevolução.

Para completar, as mudanças climáticas acarretam eventos extremos e ampliam a urgência da transição energética.

“Essas questões influenciarão o comércio internacional, seja pelo aumento da demanda ou da procura por novas opções de produtos e serviços sustentáveis.” – Ricardo Ferraço, vice-governador e secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo - Foto: Victor Leonel
“Essas questões influenciarão o comércio internacional, seja pelo aumento da demanda ou da procura por novas opções de produtos e serviços sustentáveis.” – Ricardo Ferraço, vice-governador e secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo – Foto: Victor Leonel

“Todas essas questões influenciarão o comércio internacional, seja pelo aumento da demanda ou da procura por novas opções de produtos e serviços sustentáveis. O Brasil tem várias vantagens para se posicionar nesse novo mundo”, avalia o vice-governador e secretário de Desenvolvimento do Espírito Santo, Ricardo Ferraço.

Mas não só o Brasil. O Espírito Santo também espera se beneficiar desse novo quadro que se desenha no mundo. A pauta de exportações do estado vem mudando, apesar de ainda ser predominantemente composta por bens primários, como minério, óleo e gás, celulose e produtos agrícolas. Neste sentido, a Lei dos Portos facilitou, abrindo possibilidades para a reconfiguração, com os chamados terminais de uso privado podendo movimentar outros tipos de cargas. “O Porto de Tubarão se coloca na 11ª posição entre os 12 portos que mais movimentaram soja de janeiro a novembro de 2023, segundo dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). E os investimentos que estão sendo feitos nos portos do estado apontam para a diversificação”, diz o vice-governador.

Ele salienta que os portos de Tubarão, Portocel, Ubu e o porto em construção da Imetame têm capacidade para navios de grande porte, atendendo a uma tendência relacionada com sustentabilidade, que propõe que o transporte marítimo privilegie navios maiores e com mais carga para reduzir o consumo de energia e as emissões. Além disso, os planos da VPorts e a implantação do porto e da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) da Imetame, em Aracruz, também “reforçam a tendência de diversificação, com potencial de exportação de produtos com maior valor agregado, com maior capacidade
de remuneração”.

“Já tem empresas que estão olhando aqui a ZPE para importação de veículos.” – Anderson Carvalho, diretor de Operações do Imetame Logística Porto - Foto: Imetame
“Já tem empresas que estão olhando aqui a ZPE para importação de veículos.” – Anderson Carvalho, diretor de Operações do Imetame Logística Porto – Foto: Imetame

No âmbito interno, o diretor de Operações do Imetame Logística Porto, Anderson Carvalho, destaca a importância do novo porto e da ZPE diante das mudanças promovidas pela reforma tributária.

Isso porque a reforma “vai colocar todos os estados em igualdade de concorrência e competição para o desenvolvimento”, o que traz uma preocupação para o Espírito Santo, que utiliza incentivos tributários para atrair indústrias e novos negócios.

“O estado tem hoje a primeira Zona de Processamento de Exportação privada do Brasil, que foi autorizada recentemente e é uma ferramenta importante para a atração de indústrias, porque ela está ligada ao porto”, explica. “É uma ZPE que está dentro de uma área da Sudene, o que é um outro benefício, porque é federal e vai estar garantida dentro da reforma tributária, assim como os benefícios da ZPE. Eu acredito que realmente aconteceu numa boa hora, e outros estados também estão buscando essa ferramenta, que é a ZPE.”

Segundo o vice-governador Ferraço, o porto em construção da Imetame em Aracruz, com sua Zona de Processamento de Exportação (ZPE), tem potencial de exportar produtos com maior valor agregado e maior capacidade de remuneração
Segundo o vice-governador Ferraço, o porto em construção da Imetame em Aracruz, com sua Zona de Processamento de Exportação (ZPE), tem potencial de exportar produtos com maior valor agregado e maior capacidade de remuneração

“Jumborização” dos navios

Para o consultor de Infraestrutura e Energia da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Luis Claudio Montenegro, as novas infraestruturas portuárias dão ao estado a capacidade de receber navios maiores, conectados diretamente ao mundo pela navegação de longo curso. Isso faz com que os custos dos fretes internacionais sejam muito menores, trazendo competitividade para o produtor capixaba e para a logística nacional como um todo. “Veremos a ampliação dos terminais portuários para magnitudes que já vimos, historicamente, nos setores de minério, produtos siderúrgicos e celulose”, prevê.

Montenegro cita dois grandes movimentos anteriores da chamada “jumborização” de navios no transporte aquaviário – do setor de petróleo, de caráter nacional, e do setor de mineração, com os pioneiros ValeMax. Essa mesma tendência deve se destacar no Espírito Santo para navios de contêineres e navios de granéis vegetais a fim de atender, respectivamente, à indústria e ao agronegócio. “Os investimentos atuais nos portos capixabas, liderados pelo Porto da Imetame, devem trazer uma nova dimensão de capacidade para esses navios em todo o país. No caso dos contêineres, seguindo a tendência mundial; no caso dos granéis agrícolas, com pioneirismo no mercado mundial”, comenta o consultor da Findes.

A expectativa é de que, nos próximos anos, haverá um grande movimento do setor do agronegócio, tanto com granéis vegetais quanto com carnes, couros e frutas. Também será preciso ampliar a capacidade no escoamento da produção mineral, além dos setores de apoio offshore, de petróleo, gás e energias renováveis. “Mas o principal destaque que eu ainda faria é do crescimento da indústria produtora, como a indústria química, a associada a energias renováveis de geração solar, eólica e biocombustíveis, além, é claro, da movimentação de contêineres no estado”, pontua Montenegro.

Ele também entende que não se pode deixar de lado a tendência da sustentabilidade na esteira do ESG (governança ambiental, social e corporativa, na sigla em inglês) e afirma que os portos capixabas podem ser pioneiros na chamada logística verde, sustentada por baixas emissões, com navios e instalações portuárias preparados tecnologicamente para esse movimento.

*Matéria publicada na ES Brasil especial de portos, de maio de 2024. Leia a revista completa aqui

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