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domingo, 23 janeiro, 2022

Estado deve conquistar significativa recuperação econômica em 2022

Foto: Acervo Next Editorial

Após enfrentar sérios impactos negativos sociais e econômicos, expectativa para o próximo ano é de crescimento em toda a economia

Por Luciene Araújo

As vésperas de encerrarmos essa edição especial Retrospectiva 2021, a notícia trazida pelo Boletim Focus, de 13 de dezembro, foi de que, após 35 semanas, o mercado parou de elevar a estimativa de inflação para 2022. O mercado financeiro elevou a projeção para a taxa de juros, depois que Banco Central decidiu subir a taxa Selic, na semana anterior, em 1,50 ponto percentual, para 9,25% ao ano, e indicando nova alta da mesma amplitude para fevereiro. Mas, após uma longa série de altas, melhoraram ou pararam de piorar as expectativas de inflação, fenômeno que se desenvolveu de forma global este ano. E combater a inflação, é um desafio que precisa ser vencido, para que as expectativas otimistas em relação à economia capixaba se concretizem.

“Tudo vai depender do comportamento da Covid-19 e dos seus impactos no mercado internacional. Quando as coisas começam a engatar, vem uma nova cepa e obriga a novas etapas de isolamento, de paralisação de grande parte das atividades produtivas. E isso desequilibra a economia mundial” aponta o economista Sebastião Demuner, do Conselho Regional de Economia (Corecon).

Ele complementa que o Espírito Santo é um estrado tipicamente exportador. Então, “a relação é direta: se der problema na economia mundial, o Espírito Santo será diretamente afetado”.

 

Demuner aponta ainda o fato de ter uma situação privilegiada em relação à produção de petróleo e gás e os avanços previstos na estrutura logística do Espírito Santo. “Além da Jurong, temos o Porto da Imetame. E haverá a privatização da Codesa, muito provavelmente ainda no primeiro semestre de 2022, que trará excelentes resultados, porque quando eu privatizo, eu acelero o ritmo e da empresa, melhoro a produtividade”, detalha. O terceiro ponto destacado por Demuner está nas melhorias previstas para a malha ferroviária. “O último grande avanço neste modal foi a Ferrovia Vitória-Minas e hoje estamos vendo importantes projetos saírem do papel. Estamos num momento novo da economia capixaba”.

PIB capixaba supera desempenho nacional e cresce 7,9% no ano, de janeiro a setembro – Foto: Divulgação

Ainda na avaliação de Demuner, o crescimento da demanda no mercado de construção merece atenção. “Esse é o setor que efetivamente gera emprego e, assim, injeta dinheiro direto na economia”, alega o economista. Por fim, Sebastião Demuner aponta como “lição de casa” para o Estado, priorizar a inovação. “O Governo do Estado deveria investir em tecnologia. para a gente sair dessa massa de emprego sem qualificação. Porquê não um Vale do Silício em terras capixabas. Um parque tecnológico em Vitória, outro em Vila Velha?”, questiona. 

PIB Capixaba

O Produto Interno Bruto do Espírito Santo registrou o melhor resultado já apresentado em um único trimestre no estado, alcançando R$ 39 bilhões, entre julho e setembro deste ano. E essa expansão do PIB foi impulsionada pelo desempenho positivo do setor de Varejo e Serviços, bem como da Indústria emgeral, que cresceu 2,2%, em comparação ao mesmo período anterior, segundo dados mais recentes publicados pelo Instituto Jones Santos Neves (IJSN), no dia 16 de dezembro. No acumulado do ano, PIB capixaba obteve uma alta do Espírito Santo registrou expansão de +7,9%, resultado superior ao desempenho nacional, que chegou a +5,7%.

Ao comparar o terceiro trimestre de 2021, com igual período do ano anterior, os números são bastante positivos: crescimento de 7,2% no Estado, contra +4,0 na média nacional. E no comparativo do atual trimestre com o período compreendido entre os meses abril e junho, a economia capixaba avançou +2,2%, contra -0,1% do País.

De acordo com o levantamento, a atividade econômica capixaba avançou em todas as bases de comparação, superando o desempenho nacional em todas elas. “O Espírito Santo fez bonito no desempenho econômico, superando de longe o desempenho do Brasil, em qualquer comparação. O número de postos de trabalho aumentou de forma substancial.

Mas é preciso atenção, especialmente em relação ao cenário internacional e mesmo o nacional”, apontou o diretor-presidente do IJSN, Daniel Cerqueira. Segundo ele, existem riscos, no nível nacional, em relação às questões fiscais, e também à pressão inflacionária, com o consequente aumento nas taxas de juros. E outra ameaça está na possibilidade de encolhimento na demanda por commodities em 2022 e a crise chinesa no setor de construção.

“Tudo vai depender do comportamento do Covid-19 e dos seus impactos no mercado internacional. A relação é direta: se der problema na economia mundial, o Espírito Santo será diretamente afetado” – Sebastião Demuner, Corecon.

“O Espírito Santo superou o País em todas as bases de comparação. Isso está relacionado à gestão de risco da pandemia feita pelo Estado, que permitiu a retomada das atividades econômicas com segurança. Podemos dizer, sem dúvidas, que a queda nos indicadores sanitários, aliada ao controle das contas públicas, que tem aumentado a produção e atraído investimentos, surtiram efeitos positivos no PIB”, disse Pablo Lira. 

Equilíbrio Fiscal

Pelo décimo consecutivo, o Governo do Espírito conquistou Nota A na Capacidade de Pagamento do Estado (Capag), na avaliação da Secretaria do Tesouro Nacional (STN), do Ministério da Economia. Desde 2012, o Governo capixaba recebe a nota mais alta no Boletim de Finanças dos Entes Nacionais, um indicador permite que o estado receba garantias da União para a contratação de novos empréstimos.

Além do equilíbrio fiscal, no segundo trimestre de 2021, o PIB capixaba avançou +0,4% na comparação com o trimestre imediatamente anterior, com ajuste para sazonalidade. No acumulado do ano, esse crescimento foi de +7,9%, impulsionado, respectivamente, pelos segmentos do comércio varejista, indústria e do setor de serviços. Resultados positivos gerados pelas ações pautados no Plano Espírito Santo – Convivência Consciente, para resguardar a economia capixaba em meio aos desafios da pandemia da Covid-19.

Um dos indicadores para o ritmo da atividade econômica é o volume de importações –quando aumentam, indicam economia em crescimento. No período 2012-2021, em 4 dos 10 anos as importações caíram. Mas, as Contas Nacionais do 3º trimestre de 2021 indicaram aumento de 20,6% das importações – no mesmo período de 2020, haviam caído 25%.

A expectativa para 2022 é de mais vagas de emprego. Mas o mercado tem exigido cada vez mais capacitação. Foto: Divulgação PMS

Na avaliação da economista e professora universitária, Arilda Teixeira, da Fucape, “essas estatísticas sugerem que o crescimento está no radar da economia, mas ainda não entraram na alça de mira”. A mediana das importações nesse período foi 1,45; e das exportações 1,85. “Sugerem predominância de baixo ritmo de atividade – reiterado pelos componentes da Formação Bruta de Capital Fixo para o período 2012-2021”, aponta.

Na média desse período, a taxa de crescimento da indústria extrativa foi de 3,45%; Construção Civil -1,55%; Agropecuária 0,8%; Atividades Financeiras, 0,7%; Comércio 0,64%; Informação/Comunicação 1,8%.

E as medianas foram, respectivamente: 2,95%; -2,85%; 0,8%; 0,7%; 1,15%; 1,1%. Todos esses indicadores apontam possibilidade de retomada da atividade econômica. (Veja o artigo Economias brasileira e capixaba em 2022).

A economista aponta ainda que as expectativas para o Espírito Santo, no ano que vem, são bastante próximas ao que o mercado aguarda no mercado nacional, tendo como marca o baixo potencial de mercado. Arilda enfatiza que o Estado tem sido eficiente no desafio de manter o equilíbrio das contas públicas, mas precisa ampliar a diversificação da economia e avançar em tecnologia.

“A alfabetização dos estudantes do Ensino Público Fundamental e Médio, ainda não alcançou a qualidade necessária. Com isso, está desperdiçando-se capital humano, que atrai investimento, gera emprego e renda. O ES precisa reverter essa situação”, aponta a economista.

“Estamos em um mundo globalizado, em meio a uma mudança de paradigma tecnológico, já passou da hora de se mudar os padrões de comportamentos das Instituições Públicas e de seus agentes – inclusive os das Administrações Estaduais”, enfatiza Arilda.

Nesse contexto, é necessário executar as rotinas de trabalho pelo parâmetro da eficiência/produtividade. “Ou seja, a remuneração é proporcional à qualidade do serviço prestado. Então, qualificar a mão de obra, irá eliminar um grande gargalo da administração que é a ineficiência”. Arilda argumenta que, o Estado vem promovendo essas melhorias e, para 2022, a expectativa é de que os avanços continuem.

Mercado de Trabalho

A expectativa quanto ao aumento da quantidade de vagas e também das oportunidades ligadas às novas tecnologias é muito alta para 2022, na avaliação da especialista em gestão, Etienne Totola, CEO da Agha RH.

“O mercado hoje tem como característica principal a capacidade de adaptação do ser humano às novas formas de trabalhar. Formas que nem são tão novas assim, mas que tiveram um boom em consequência da pandemia, que, de alguma forma, obrigou as pessoas a se responsabilizar pelo próprio trabalho”, explica Etienne.

Nesse contexto, segundo ela, o maior desafio para 2022 será desenvolver a capacidade de organização pessoal e, assim, administrar o tempo das atividades. Isso porque a tendência é que não se retorne com 100% das atividades na forma presencial.

“Muitas pessoas terão de manter o trabalho em home office. E, em casa, há muitas interferências. Você acaba tendo te ter uma disciplina muito grande para conseguir cumprir suas metas”, aponta a especialista. Ela enfatiza que a expectativa é de que o mercado esteja aberto, com novas ocupações. Mas, a falta de qualificação será um problema.

“O mais marcante que vejo para 2022 é que, diante de uma abundância de vagas, a baixa capacidade de formação tecnológica das pessoas poderá resultar em perdas de muitas oportunidades. Essa é minha forma de ver o ano que vem”, finaliza Etienne Totola. 

Casagrande apresenta ações do Espírito Santo na área ambiental na CPO-26 – Foto: Secom-ES

Área Ambiental 

O Espírito Santo foi protagonista na questão ambiental, em 2021, com participação marcante na COP26. O governador Renato Casagrande presidiu o Consórcio Verde Brasil, um grupo de 22 governadores que assinou compromissos para atingir a neutralidade em carbono.

“Percebo nos contatos que fizemos, que temos possibilidades reais de financiamento de projetos de adaptação. E é para isso que iremos trabalhar, a partir de um Plano Estadual bem estruturado”, garante Casagrande.

Outro ponto incluído na expectativa para 2022, é de que o Estado regulamente a revisão da lista de espécies ameaçadas, explica o capixaba Cláudio Nicoletti de Fraga — pesquisador do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e coordenador do projeto intitulado “Revisão da Lista de Espécies de Fauna e Flora do Espírito Santo”. 

Fonte: Sedes, Arsp, Cesan, Codesa, Der-ES, Dnit, Findes, Idurb, Seama/ Iema, Invest, Iopes, Petrobras, Seag, Sedu, Sedurb, Sep, Sesa, Sesp, Setop, meios de comunicação e prefeituras.

Todo esse grande trabalho que fizemos, junto de 320 pesquisadores de diversas partes do mundo, precisa agora figurar decreto estadual. Para que as espécies que ocorrem em solo capixaba, em especial as mais ameaçadas de sumir, possam ter uma proteção legal do estado, o que colocaria o Espírito Santo em uma posição de vanguarda muito interessante”, afirma o biólogo. Ele enfatiza ainda que essa pesquisa está reconhecida como um dos melhores trabalhos desenvolvidos em todo o Brasil.

“Temos um resultado muito bom nas mãos, acompanhado por um grupo enorme de cientistas e só falta realmente o Estado reconhecer a necessidade de proteger a fauna e a flora indicadas pela ciência como as mais ameaçadas do Espírito Santo.

O cientista destaca que essa medida pode resultar, inclusive, em impactos econômicos significativos. “Muitos acordos internacionais exigem esse reconhecimento. Então, ter a sua lista de espécies ameaçadas reconhecida, pode render ao Espírito Santo a captação de importantes recursos”. E a ida do Governador Casagrande à COP 26, frente ao protagonismo obtido na Conferência, certamente é uma posição de vantagem, uma vez que “aproximou o Estado de prováveis investidores, como os fundos internacionais”. 

 

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