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Especialistas veem risco de manipulação com IA nas eleições

Ausência de regras pode ampliar manipulação, deepfakes e desinformação nas eleições de 2026

Se, por um lado, a inteligência artificial amplia a eficiência das campanhas eleitorais, por outro, aumenta significativamente os riscos de manipulação política e desinformação. Especialistas alertam que o uso intensivo de dados e automação pode influenciar o eleitor sem transparência, especialmente em um cenário de baixa educação digital.

Yan Teixeira destaca que experiências internacionais já demonstraram o potencial destrutivo da tecnologia no processo democrático. “Casos como o da Cambridge Analytica mostraram como a segmentação algorítmica pode moldar o voto sem que o eleitor perceba. Em países como Índia e Eslováquia, o uso de deepfakes revelou o poder da manipulação tecnológica”, afirma.

No Brasil, esse risco é agravado pela ausência de uma legislação eleitoral específica para o uso de inteligência artificial. As eleições de 2026 devem ocorrer sob as mesmas regras de 2024, sem menção direta à tecnologia. Para Darlan Campos, esse vácuo legal exigirá maior protagonismo do Tribunal Superior Eleitoral. “Caberá ao TSE coibir abusos, especialmente os relacionados a manipulações visuais e sonoras”, avalia.

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Fernanda Nogueira considera que o atual arcabouço jurídico é insuficiente para lidar com a complexidade do tema. Segundo ela, a falta de regras claras cria uma corrida por vantagem tecnológica. “Quem souber explorar melhor as brechas pode sair na frente, ainda que de forma antiética”, alerta.

A especialista defende que, no curto prazo, o TSE edite resoluções específicas para 2026, mas ressalta a necessidade de um marco regulatório mais amplo, envolvendo Congresso e Executivo. “A tecnologia está anos-luz à frente da legislação, e o sistema político precisa correr atrás”, diz.

Enquanto as regras não avançam, campanhas e pré-candidaturas já incorporam IA na produção de discursos, conteúdos para redes sociais, atendimento automatizado e monitoramento de reputação online, indicando que a disputa eleitoral de 2026 será profundamente marcada pela tecnologia — com oportunidades e riscos em igual medida.

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