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Galerias independentes ampliam o acesso à arte no ES

Espaços como a OÁ Galeria e a Galeria Matias Brotas fortalecem o circuito artístico, estimulam o colecionismo local e valorizam novos artistas

Por Jessica Coutinho

Em um cenário ainda concentrado nos grandes centros culturais do país, as galerias e espaços de arte independente têm desempenhado um papel essencial na construção de novos caminhos para a arte contemporânea. No Espírito Santo, a atuação de espaços como a OÁ Galeria e a Galeria Matias Brotas evidencia como iniciativas fora do eixo Rio-São Paulo contribuem para ampliar o alcance da produção artística e conectar diferentes públicos à arte.

Para a diretora da OÁ Galeria, Thaís Hilal, a principal força das galerias independentes está na autonomia curatorial e na liberdade de circulação que oferecem aos artistas. “Esses espaços criam novas possibilidades para a difusão da arte contemporânea, acolhendo produções que muitas vezes fogem dos padrões hegemônicos e fortalecendo ecossistemas culturais mais diversos e acessíveis”, afirma. Além das exposições, ações como encontros, debates e oficinas são pensadas como parte de uma programação que valoriza a formação crítica do público e estimula o diálogo com a arte.

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Na avaliação de Hilal, esse tipo de espaço é ainda mais necessário em regiões como o Espírito Santo, onde há poucos equipamentos voltados à arte contemporânea. “Manter espaços independentes ativos é essencial para descentralizar o acesso à arte. As instituições públicas que temos operam com dinâmicas mais rígidas, como editais altamente concorridos. Um espaço independente se torna um lugar de experimentação e acolhimento de propostas que muitas vezes não cabem no museu”, destaca. A venda de obras e o estímulo ao colecionismo local também têm sido caminhos importantes para garantir a sustentabilidade da galeria e dos artistas representados.

Galerias independentes ampliam o acesso à arte no ES
Obra Estudo do IT – 2025 de Barbara Carnielii exposta na OÁ Galeria. Foto: Reprodução/ Instagram.

Apesar do protagonismo, não faltam desafios. A diretora da OÁ ressalta as dificuldades em formar e manter um público interessado, ampliar o alcance da produção artística e garantir o custeio integral da programação. “Temos buscado inovar, criar parcerias com artistas, instituições e outras galerias e manter presença ativa em feiras de arte contemporânea. Isso nos permite conectar os artistas do Espírito Santo a colecionadores de outras regiões e continuar promovendo arte de forma viva, acessível e engajada”, diz.

A diretora artística da Galeria Matias Brotas, Flávia Dalla Bernardina, destaca que, apesar de se posicionar como uma galeria comercial, a atuação vai muito além da intermediação entre artistas e compradores. “As galerias cumprem um papel importante em todo o circuito: promovem artistas, formam colecionadores, apoiam projetos institucionais, cuidam da obra e da trajetória dos artistas com profundidade”, afirma. Para ela, não se trata apenas de vender arte, mas de criar pontes entre diferentes agentes do setor.

Galerias independentes ampliam o acesso à arte no ES
Sede da Galeria Matias Brotas. Foto: Reprodução/ Instagram.

Flávia ressalta que mesmo fora dos grandes centros é possível manter uma atuação relevante. Participações em feiras de arte, como a ArPa, em São Paulo, são vistas como oportunidades para reduzir distâncias geográficas e posicionar a galeria e seus artistas em outros mercados. “É uma forma de nos fazer conhecer por outros colecionadores e também de valorizar os nossos artistas e o Espírito Santo dentro desse circuito ampliado”, explica.

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Galerias independentes ampliam o acesso à arte no ES
Galeria Matias Brotas é a única representante capixaba presente na ArPa 2025. Foto: Reprodução/ Instagram.

Entre as estratégias adotadas pela Matias Brotas para consolidar sua presença, estão o fortalecimento de vínculos com arquitetos, a criação de um clube de colecionadores e projetos voltados à arte e educação. “A aproximação com a arte demanda tempo, dedicação. É uma escolha que precisa ser feita com autonomia. Nosso papel é abrir janelas para que mais pessoas convivam com a arte e possam fazer suas escolhas com liberdade”, finaliza.

As experiências das duas galerias evidenciam que os espaços independentes não só democratizam o acesso à arte como também desempenham papel decisivo na formação de um público mais crítico, engajado e conectado com a produção artística brasileira, para além dos grandes centros.

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