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ES: empresários industriais pressionam por corte na Selic

Setor produtivo quer que Banco Central reduza Selic na próxima reunião do Copom, buscando reverter retração no PIB e na indústria

Por Amanda Amaral

Esta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter, por unanimidade, a taxa básica de juros em 15% ao ano. A Selic mais alta desde julho de 2006 preocupa os empresários no Espírito Santo.

Dividindo o posicionamento com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) defende que o Banco Central inicie imediatamente o ciclo de cortes da Selic, em razão de sinais favoráveis do quadro inflacionário e do desaquecimento intenso da atividade econômica.

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As entidades também ressaltam a necessidade de um pacto pela consolidação fiscal baseado na redução de despesas, de modo a alinhar as políticas monetária e fiscal e permitir queda sustentada e expressiva dos juros.

A CNI e a Findes destacam ainda que as expectativas de inflação para o final de 2025 têm sido revistas para baixo há 14 semanas seguidas, segundo o Relatório Focus, caindo de 5,50%, no fim de maio, para 4,83%, na segunda semana de setembro.

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“Não existe crescimento sustentável com juros estratosféricos. Não existe inovação, reindustrialização, crédito acessível. O que existe é a paralisia nos investimentos produtivos com sequelas para toda a sociedade. Já passou do momento de uma política monetária mais favorável. Afinal, por que correr o risco de fazer investimento produtivo se é possível obter, sem esforço, um rendimento real de 10% ao ano aplicando no mercado financeiro?”, questiona o presidente da CNI, Ricardo Alban.

Segundo Alban, é essencial que o Banco Central inicie o necessário ciclo de cortes na Selic já a partir da próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em novembro, a penúltima de 2025. “Em paralelo à redução da Selic a ser feita pelo Copom, é fundamental que se construa um pacto de toda a sociedade em torno da agenda do ajuste das contas públicas, baseado na redução das despesas, de forma a melhorar a sintonia entre as políticas fiscal e monetária e, com isso, assegurar a redução expressiva e sustentada dos juros”, afirma o dirigente.

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Para a CNI e a Findes, além dos problemas causados pela Selic elevada, o setor produtivo enfrenta um cenário adverso e de severa perda de competividade devido aos aumentos das alíquotas do IOF sobre as operações de crédito e câmbio e a elevação das tarifas dos EUA sobre as exportações do Brasil.

Indicadores econômicos

Ricardo Alban critica postura do Banco do Brasil. Foto: Agência de Notícias da Indústria
Ricardo Alban critica postura do Banco do Brasil. Foto: Agência de Notícias da Indústria

As duas entidades justificaram seu posicionamento apontando dados de indicadores econômicos: o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI), que há nove meses aponta falta de confiança do empresário industrial; a taxa de juros real hoje em 10,1%; a taxa básica de juros de equilíbrio (segundo a Regra de Taylor) em 10,3% ao ano, considerando a inflação acumulada nos últimos 12 meses; a taxa de juros média do crédito, com recursos livres, contratado pelas empresas; a Formação Bruta de Capital Fixo, que recuou 2,2% no segundo trimestre frente ao primeiro, e no consumo de bens industriais, que caiu 0,4% no mesmo período.

A CNI e a Findes também alertaram para dados de indicadores como: menor crescimento do PIB no segundo trimestre de 2025 ante o primeiro, de 0,4% contra 1,3%; o IBC-Br ciando para 0,5%, com retração em todos os setores: agropecuária (-0,8%), indústria (-1,1%) e serviços (-0,2%); e o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que perdeu força marcando 1,31% em fevereiro; 0,56% em março; 0,43% em abril; 0,26% em maio e julho e -0,11% em agosto.

 

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