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CPI: Empresas que negociaram vacinas ampliam negócios na atual gestão

Desconhecidas no mercado, empresas que negociaram vacinas ampliam negócios e viram alvo da CPI

Por Fernanda Guimarães e Victor Faria (Agência Estado)

Desconhecidas no mercado farmacêutico até poucas semanas atrás, as empresas precisam de Medicamentos e Belcher Farmacêutica têm em comum mais do que suspeitas de irregularidades nas negociações de vacinas com o governo federal. Alvos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, ambas têm ligações com o deputado Ricardo Barros (Progressistas-PR), líder do governo na Câmara, e fecharam contratos na gestão de Jair Bolsonaro em processos sem licitação.

Como revelou o Estadão, os valores dos negócios da Precisa com o governo aumentaram 6.000% após a posse de Bolsonaro. No caso da Belcher, que negociou a vacina chinesa Convidecia com o Ministério da Saúde, mas não fechou acordo, foram 12 contratos a partir de 2020. Antes disso, a farmacêutica nunca havia sido contratada pela administração federal.

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Com sede em Maringá, reduto eleitoral de Barros, a Belcher virou alvo da CPI após tentar vender vacinas a um preço mais alto que o de todos os outros imunizantes já comprados até agora pelo governo federal. No caso da vacina Convidecia, a dose foi oferecida a US$ 17, valor acima do imunizante indiano Covaxin, o mais caro até agora oferecido ao Ministério da Saúde (US$15).

No caso da Covaxin, cuja compra foi intermediada pela Precisa, a negociação foi suspensa dias depois de se tornar alvo de investigações, após um servidor da pasta apontar suspeitas de corrupção no processo de contratação.

Por trás da Belcher está Daniel Moleirinho Feio Ribeiro, sócio da empresa, filho de Francisco Feio Ribeiro, um ex-secretário de Ricardo Barros na época em que ele era prefeito de Maringá. Outra ligação é o advogado Flávio Pansieri, que defende o parlamentar em ações na Justiça e, ao mesmo tempo, se apresentou como representante da Belcher na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Em nota, a empresa negou qualquer “interferência ou relação do deputado, de qualquer outro parlamentar, autoridade ou terceiro” nos negócios. O advogado não foi localizado.

Questionado, Barros admite que conhece os donos da Belcher e afirma que faz parte de sua posição no governo ter relações com empresas desse setor. “Na condição de ex-ministro da Saúde e coordenador da Frente Parlamentar da Indústria Pública de Medicamentos sou procurado por muitos parceiros do SUS e coopero naquilo que está ao meu alcance em todos os temas da Saúde. Em relação à pandemia da covid o objetivo maior é que todos os brasileiros possam ser imunizados e tratados o quanto antes. É minha obrigação como parlamentar”, afirmou. Ele também diz não ver qualquer impedimento de seu advogado atuar como representante da empresa.

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