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Emenda Pix ou tradicional? Veja como o dinheiro chega às cidades

Apesar da mesma origem no Congresso, os dois modelos têm trajetórias distintas até estados e municípios, com efeitos na execução e no controle dos recursos

Por Denise Miranda

As emendas parlamentares permitem que deputados e senadores indiquem a destinação de parte do Orçamento da União para obras, serviços e investimentos nos estados e municípios. Embora tenham a mesma origem no Congresso Nacional, o percurso do dinheiro até a aplicação final varia de acordo com o tipo de emenda adotado, o que influencia a velocidade do repasse, o grau de controle prévio e a forma de fiscalização.

Do ponto de vista técnico, as chamadas emendas Pix são conhecidas como transferências especiais, modalidade criada pela Emenda Constitucional nº 105, de dezembro de 2019.

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Elas se somam a outras três categorias de emendas parlamentares: as emendas individuais, indicadas por cada parlamentar; as emendas de bancada, definidas coletivamente pelas bancadas estaduais; as emendas de comissão, vinculadas às comissões temáticas do Congresso; e as emendas de relator, propostas pelo relator-geral do Orçamento.

A principal diferença está na forma como os recursos são transferidos. Segundo o auditor de controle externo do Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCE-ES), Patrick Zanoni, as emendas tradicionais se enquadram na modalidade de transferência com finalidade definida, na qual o dinheiro fica vinculado à programação estabelecida pelo parlamentar.

“Nesse modelo, o controle começa antes do dinheiro sair da União. O objeto do gasto já está previamente definido e qualquer alteração precisa ser formalmente justificada”, explica.

Nesse formato, após a aprovação da emenda na Lei Orçamentária, o recurso fica atrelado a um ministério. Estados e municípios precisam apresentar projetos, planos de trabalho detalhados, firmar convênios ou instrumentos congêneres, cumprir exigências técnicas e, posteriormente, prestar contas de forma minuciosa. A liberação dos recursos costuma ocorrer em etapas, o que torna o processo mais lento, porém mais previsível.

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Plenário do Congresso Nacional, onde parlamentares definem o destino das emendas ao Orçamento da União. Foto: Divulgação
Plenário do Congresso Nacional, onde parlamentares definem o destino das emendas ao Orçamento da União. Foto: Divulgação

Já nas emendas Pix, o caminho é mais curto. Os recursos são transferidos diretamente para a conta do ente federado beneficiado, sem necessidade de convênio prévio.

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A operacionalização ocorre por meio da plataforma Transferegov, onde o município ou estado apresenta informações como dados bancários, planejamento orçamentário e um plano de aplicação dos recursos. Uma vez aprovadas, a transferência é realizada de forma mais ágil.

“O que muda é o momento do controle, não a sua existência”, destaca Zanoni. “Na emenda Pix, o recurso chega mais rápido ao caixa do gestor. A fiscalização ocorre principalmente depois, com a análise da execução e da comprovação do uso correto do dinheiro público.”

Apesar da maior flexibilidade, a legislação impõe limites claros às transferências especiais. Os recursos não podem ser utilizados para pagamento de pessoal nem para despesas permanentes. Ainda assim, a ausência de um convênio detalhando previamente o objeto do gasto exige maior transparência por parte dos gestores.

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Segundo o auditor, os órgãos de controle mantêm acompanhamento rigoroso. “O tribunal analisa extratos bancários, contratos, notas fiscais e a compatibilidade do gasto com as finalidades legais. Se houver irregularidade, a responsabilidade recai sobre o gestor que executou o recurso”, afirma.

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Com o crescimento do volume de recursos transferidos por emendas Pix, o tema ganhou centralidade no debate sobre o Orçamento público. Para os órgãos de fiscalização, o desafio está em equilibrar a agilidade na execução com mecanismos eficazes de rastreamento, controle e prestação de contas à sociedade.

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