24.4 C
Vitória
quarta-feira, 24 DE julho DE 2024

Em visita à Guiana, Lula volta a criticar Israel

Durante visita à cúpula da Caricom, na Guiana, o presidente brasileiro voltou a tecer críticas à operação israelense no território palestino

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou na Guiana nesta quarta-feira, 28, para participar da cúpula do Mercado Comum e Comunidade do Caribe (Caricom). Lula foi recebido pelo presidente guianense, Irfaan Ali, que enfrenta as ameaças de guerra da vizinha Venezuela, e voltou a chamar as operações de Israel na Faixa de Gaza de genocídio.

“O genocídio na Faixa de Gaza afeta toda a humanidade, porque questiona o nosso próprio senso de humanidade e confirma uma vez mais a opção preferencial pelos gastos militares, em vez de investimento no combate à fome na Palestina, na África, na América do Sul e no Caribe”, disse o presidente brasileiro.

- Continua após a publicidade -

Lula tem criticado a resposta de Israel ao ataque do Hamas, que desencadeou a guerra, no dia 7 de outubro, quando terroristas mataram 1,2 mil pessoas em território israelense e sequestraram cerca de 240 pessoas. Recentemente, ele comparou a situação com as mortes de judeus por Adolf Hitler durante a 2.ª Guerra.

As críticas criaram uma crise diplomática e fizeram o chanceler israelense, Israel Katz, declarar Lula persona non grata até que ele se retrate – o que o governo brasileiro ignorou. Na terça-feira, 27, em entrevista ao programa É Notícia, do jornalista Kennedy Alencar, da RedeTV!, Lula negou que tenha utilizado a palavra “Holocausto” para se referir ao conflito entre Israel e o Hamas.

A viagem de Lula, no entanto, pretende resolver uma outra crise diplomática muito mais relevante para os interesses brasileiros, entre Venezuela e Guiana, dois vizinhos. O governo venezuelano reivindica a soberania sobre o Essequibo, uma região rica em petróleo que representa mais de dois terços do território guianense.

Tensão

Apesar da mediação brasileira, que conseguiu um acordo para que os dois vizinhos não resolvessem o impasse por meio da força, a Guiana acusou a Venezuela de realizar manobras militares perto da fronteira em algumas ocasiões neste ano. No dia 25 de janeiro, ocorreu a última reunião para tratar da crise de Essequibo.

O encontro durou mais de cinco horas e foi mediado pelo chanceler do Brasil, Mauro Vieira, e contou com observadores da ONU, do Caricom e da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). No fim, os dois países se comprometeram a não recorrer à força para resolver a disputa, mas a crise está longe de ser resolvida.

Venezuela e Guiana continuaram a trocar provocações. Nove dias depois do acordo, o Reino Unido anunciou o envio de um navio de guerra à Guiana, ex-colônia britânica, para uma série de manobras militares. No dia 28 de dezembro, o ditador venezuelano, Nicolás Maduro, ordenou a mobilização de 5.600 militares para a realização de exercícios em “resposta à provocação e à ameaça do governo britânico”.

O Itamaraty emitiu nota, no final de dezembro, expressando “preocupação” com a tensão. “O governo brasileiro acredita que demonstrações militares de apoio a qualquer das partes devam ser evitadas, a fim de que o processo de diálogo ora em curso possa produzir resultados”, disse o Ministério das Relações Exteriores

Críticas

Desde que retornou à presidência, Lula tem caminhado em uma linha tênue entre fortalecer as relações entre Brasil e Venezuela e reabilitar politicamente o ditador chavista. Em maio de 2023, ele recebeu Maduro para uma reunião em Brasília e cobriu o venezuelano de elogios – provocando críticas até de governos de esquerda da América do Sul, como o presidente chileno, Gabriel Boric.

Desde então, o Brasil tem apoiado diplomaticamente a negociação entre oposição e chavismo para a realização de eleições limpas neste ano, apesar da decisão de Maduro de barrar a candidatura de María Corina Machado, a mais competitiva da oposição.

Em fevereiro, novas acusações elevaram ainda mais a tensão no Caribe. A Venezuela afirmou que responderia de forma contundente caso fosse iniciada a perfuração de poços petrolíferos no Essequibo, como havia anunciado o governo da Guiana, em parceira com a americana ExxonMobil.

Diplomacia

Hoje, Lula vai para São Vicente e Granadinas, no Caribe, para a cúpula da Celac, onde deve ser reunir com Maduro. Além do desconforto do Brasil com a crise regional, o brasileiro terá a difícil missão de abordar a repressão do chavismo aos candidatos de oposição na Venezuela.

A realização de eleições justas e transparentes era a condição imposta pelos EUA para suspender as sanções econômicas à Venezuela. Um processo limpo seria fundamental para romper o isolamento internacional do chavismo e colocar Lula na condição de capitão da democracia na América do Sul. Resta só combinar com Maduro, que não dá sinais de que pretende colaborar. Com informações de Agência Estado

Entre para nosso grupo do WhatsApp

Receba nossas últimas notícias em primeira mão.

Matérias relacionadas

Continua após a publicidade

EDIÇÃO DIGITAL

Edição 222

RÁDIO ES BRASIL

Continua após publicidade

Vida Capixaba

- Continua após a publicidade -

Política e ECONOMIA