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Economia entre Estrutura e Conjuntura

Aplaudia-se os mercados globalizados, sem providenciar as reformas estruturais necessárias para fazer parte dele

Por Arilda Teixeira

A conjuntura econômica que se apresentou à economia mundial a partir da segunda metade dos anos 1990 do século XX, veio com roupagem da internacionalização dos mercados, prometendo disseminar e sustentar crescimento e desenvolvimento econômico.

Foi o ápice dos efeitos das mudanças de Bretton Woods – extinção do padrão-ouro, adoção do câmbio flutuante, regulamentação do comércio internacional pela OMC, e as subsequentes abertura e internacionalização dos mercados; e também do avanço tecnológico das economias capitalistas ocidentais durante a II Guerra Mundial, que reduziram custos e aceleraram o ritmo de execução dos processos produtivos; aumentaram a liquidez; criaram oportunidades para ampliar as ofertas domésticas dos mercados e, consequentemente, a corrente de comércio.

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Esse desenho de economia a apostava (i) na força da estabilidade macroeconômica para dar previsibilidade aos mercados; e (ii) no livre comércio para alimentar a cadeia produtiva mundial, multiplicar as oportunidades de negócios, e reduzir preços. Resumindo, tornar a economia capitalista ocidental livre das barreiras de comércio e dos choques adversos que comprometem o crescimento econômico mundial. Suas expectativas eram de que a internacionalização dos mercados daria à economia os graus de liberdade que precisasse para superar eventuais obstáculos ao crescimento.

No Brasil, essa expectativa se expressou através do Plano Real, e da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O primeiro, com a estabilidade da moeda; o segundo, com a moralidade para com o Erário Público. Tudo dentro dos conformes; exceto pelo lapso de decisão.

Aplaudia-se os mercados globalizados, sem providenciar as reformas estruturais necessárias para fazer parte dele. Estamos em 2022 e os projetos de reformas continuam inconclusos e/ou não executados. E o que é pior, a conjuntura do final do Século XX não existe mais. Foi engolida pela 4ª Revolução Industrial.

Considerando que o Brasil ainda, sequer tenha um esboço de Projeto de País para prosseguir as mudanças estruturais que precisam ser feitas; e as evidências empíricas relativas aos raros e inconclusos projetos – hora um, hora outro – a estrutura produtiva brasileira está ameaçada a se tornar um pária da economia regional (América do Sul); e entre seus pares mundiais (países emergentes).

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Esse Status Quo permite, neste momento (ano eleições majoritárias), lembrar que, não houve fala oficial de candidatos em que eles apresentassem seus Projetos de País que planejam implementar, e/ou aprimorar, caso eleitos. Por casuísmo ou por falta de projetos, não os ter sinaliza o que as estatísticas domésticas e internacionais indicam há tempo: Os Governos negligenciaram em relação à estrutura produtiva – base para transformação e desenvolvimento.

Os entraves demonstrados nos indicadores de produção e comércio recentes, reiteram o que as estatísticas já indicaram: não houve implementação de projeto que atualizasse/melhorasse as condições estruturais da economia brasileira para que ela pudesse acompanhar o ritmo e a direção da economia internacional. Portanto, seu atraso é sinal de negligência. E do ponto de vista financeiro, indica desperdício de dinheiro do cidadão contribuinte.

Arilda Teixeira é doutora em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e mestra em Economia pela Universidade Federal Fluminense. Coordenadora dos cursos de Gestão Estratégica de Negócios e de Gerenciamento de Projetos, da Pós-Graduação da Fucape Business School. É coordenadora do Projeto PIBIC FUCAPE.

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