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segunda-feira, 17 janeiro, 2022

Covid-19: dose de reforço pode reduzir infecções por novas variantes

No Espírito Santo, mais de 200 mil capixabas estão aptos a receber a dose de reforço contra a Covid-19

Por Wesley Ribeiro 

No Espírito Santo, mais de 200 mil capixabas estão aptos a receber a dose de reforço contra a Covid-19, entre idosos e população de 18 a 59 anos. A dose pode reduzir as chances de infecção por novas variantes. Os profissionais da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa) explicam da importância de tomá-la.

O infectologista e referência técnica do Núcleo Especial de Vigilância Epidemiológica da Secretaria da Saúde (Sesa), Raphael Lubiana Zanotti, destaca que uma das principais medidas que a dose de reforço traz é na ampliação da resposta imune.

“Estudos observaram uma queda de nível dos anticorpos alguns meses após as duas primeiras doses, assim como após a infecção natural pelo SARS-CoV-2. E quando os anticorpos ultrapassam um limite mínimo, isso tem relação a proteção que conferem, podendo ser prejudicada. A terceira dose ou dose de reforço vem para proporcionar o aumento da quantidade de anticorpos circulantes no organismo, no que chamamos de ‘booster vacinal’ – reforço. E, ao aumentar a quantidade de anticorpos circulantes, isso reduz a chance de cada pessoa se infectar (ou reinfectar)”, afirmou.

Ao público idoso e aos imunossuprimidos, Zanotti ressalta que a dose de reforço amplia a efetividade de sua imunização. “Existem pessoas que mesmo vacinadas, não desenvolvem resposta imunológica adequada, como idosos e imunossuprimidos. E a terceira dose ‘resgata’ uma parte desses que não tinham respondido adequadamente e deixando-os imunizados.”

Outra medida importante, pontuada pelo profissional, está relacionada à redução da chance de infecção em caso de novas variantes. “Quando temos uma quantidade de anticorpos circulantes elevada, é mais provável que ao ser infectado por uma nova variante, a pessoa possa desenvolver anticorpos que se liguem a essa variante”, disse o médico.

Ele explica como isso ocorre. “Uma vez a pessoa vacinada, o anticorpo promovido pela vacina era direcionado para a variante que deu origem à formulação da mesma, e nesse processo as pessoas também produzem anticorpos que possuem diversidade, e quanto mais isso ocorre, é mais provável que alguns se liguem à variante nova, fazendo ser reconhecido pelo corpo para a produção de mais do anticorpo específico. E com o nível elevado desse anticorpo no organismo circulando, aumentam as chances de proteção a nova variante”.

Atualizações para ampliar proteção

Segundo a coordenadora do Programa Estadual de Imunizações e Vigilância das Doenças Imunopreveníveis, Danielle Grillo, as vacinas têm sido produzidas em tempo recorde, devido à urgência que a pandemia da Covid-19 trouxe, e por isso, os estudos e orientações recebem atualizações em prol da proteção contínua contra a doença.

“As orientações a serem seguidas a respeito da vacinação são pautadas em estudos contínuos que seguem acontecendo, a fim de garantir a proteção da população contra esta doença e o controle da pandemia”, informou.

A coordenadora ressalta que estudos recentes mostram que há a redução da imunidade após determinado período da complementação do esquema primário (D1 + D2 ou DU) e que a dose de reforço vem justamente para ajudar no aumento dos níveis destes anticorpos circulantes no organismo. Danielle Grillo ressalta também que é importante que a população incorpore no dia a dia a necessidade de ir ao serviço de saúde para receber a dose de reforço, assim como foi feito com as primeiras e segundas doses.

“A população capixaba entendeu a importância da vacina no combate à pandemia e avançamos na cobertura vacinal no esquema primário, com D1 e D2 ou a dose única. A dose de reforço também precisa ser, assim, aceita e ser colocada no dia a dia como prioridade a ser tomada assim que estiver no período estipulado”, informou.

Reforço nos idosos precisa avançar, destaca subsecretário de saúde

De acordo com o subsecretário de Vigilância em Saúde, Luiz Carlos Reblin, apesar da melhora na cobertura da dose de reforço nos idosos acima dos 60 anos nos últimos dias, o Estado e os municípios precisam avançar nesta dose.

“Faltam cerca de 180 mil idosos para receber a dose de reforço. Os capixabas, especialmente a população idosa, recebeu a vacina contra a Covid-19 muito bem, entenderam a importância de nos imunizarmos, então, precisamos completar com a dose de reforço, voltar ao serviço de saúde do seu município e se vacinar”, reforçou Reiblin.

Ainda segundo o subsecretário, com a redução do intervalo para três meses (90 dias), o número de aptos ampliou, mas que a Secretaria da Saúde (Sesa) trabalha com a expectativa de que este público consiga se vacinar ainda na primeira quinzena de dezembro. “E temos doses para isso. Entendam a importância de recebermos a dose de reforço, em especial neste novo cenário de uma nova variante da Covid-19 em circulação nos demais países”.

Quando tomar a dose de reforço

Seguindo a determinação do Ministério da Saúde e as novas atualizações do órgão federal, a dose de reforço passou a ser válida a toda população acima dos 18 anos que tenha completado o esquema primário (D1 + D2 ou DU) no intervalo de 5 meses.

Entretanto, para cada grupo há definições específicas, como a seguir:

– Idosos acima dos 60 anos: no Espírito Santo, está definido a vacinação da dose de reforço obedecendo o intervalo de três meses (90 dias) após complementação do esquema primário (D1 + D2 ou DU);

– População 18 anos a 59 anos: após 5 meses da complementação do esquema primário (D1 + D2 ou DU);

– Trabalhadores da saúde: após 5 meses da complementação do esquema primário (D1 + D2 ou DU);

– Imunossuprimidos: a vacinação com a dose adicional acontece após 28 dias da complementação do esquema primário (D1 + D2);

– Vacinados com dose única (DU) da Janssen: a dose de reforço para esse esquema deverá ser de forma homóloga, ou seja, com mesmo imunizante da Janssen, segundo publicado pela Comissão Intergestores Bipartite (CIB) na Resolução Nº222/2021.

Para idosos acima dos 60 anos, o intervalo é de 90 dias após esquema primário e de 5 meses para população de 18 a 59 anos. Em caso de gestantes e puérperas que receberam a DU da Janssen, a dose de reforço será feita com a Pfizer.

E, caso o cidadão que tomou a DU da Janssen tenha recebido a dose de reforço anteriormente com outro imunizante, tem-se o esquema vacinal encerrado.

Além disso, o Espírito Santo, seguindo orientações do Ministério da Saúde, tem utilizado preferencialmente o imunizante da Pfizer para aplicação de doses de reforço àqueles que completaram o esquema vacinal com doses da Coronavac ou AstraZeneca.

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