Dólar a menos de R$ 5 indicam oportunidades, mas especialistas destacam que investimento no exterior deve focar no longo prazo
Por Letícia Arcanjo
O dólar caiu abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, nesta segunda feira (13), ao mesmo tempo em que a bolsa brasileira renovou recordes e ultrapassou os 198 mil pontos, em um cenário que reacende o interesse por investimentos no exterior.
Em entrevista à ES Brasil, a estrategista de investimentos da XP, Rachel de Sá, destaca que momentos de queda da moeda americana podem representar uma boa oportunidade para iniciar ou aumentar os investimentos.
No entanto, a estrategista de investimentos, explica que investir no exterior não depende apenas do momento do dólar. Para ela, quem ainda não tem exposição a ativos dolarizados pode começar a qualquer momento, já que essa parcela é importante para preservar o valor real do patrimônio ao longo do tempo, protegendo contra a inflação.
“Com isso você tem acesso a benefícios da diversificação. Então, você tem acessos a setores, empresas, estratégias que podem nem existir no Brasil ou ainda tão muito incipientes”, afirma.
Rachel destaca ainda que a diversificação geográfica também reduz riscos, já que evita concentrar todo o patrimônio em um único país. Outro ponto destacado é que investir apenas no Brasil significa estar exposto a uma parcela muito pequena do mercado global, limitando oportunidades.
O economista do Corecon, Vaner Corrêa, explica que a recente queda do dólar resulta de uma combinação de fatores internos e externos. No cenário doméstico, segundo ele, o principal vetor é o elevado diferencial de juros.
“Com a taxa Selic em patamar alto, o Brasil segue atraindo capital estrangeiro, especialmente para investimentos em renda fixa, o que aumenta a entrada de dólares e pressiona a cotação para baixo”, ressalta.
Outro fator, destacado pelo economista, é o bom desempenho das exportações brasileiras, sobretudo de commodities como petróleo, soja e minério de ferro, ampliando a oferta de moeda estrangeira no país.
No ambiente externo, segundo Vaner Corrêa, o movimento também reflete a desvalorização global do dólar, associada à expectativa de queda de juros nos Estados Unidos e à redução da aversão ao risco no cenário internacional.
Nesse cenário de dólar mais baixo e maior entrada de capital estrangeiro, Rachel de Sá avalia que o momento pode gerar oportunidades de investimento, apesar de não ser um fator determinante.
“Se o investidor ainda não tem uma parcela no exterior, esse momento é sim uma boa janela de oportunidade. Caso ele já tenha essa parte, que indicamos que seja de 15% do patrimônio total do cliente, esse cenário também é uma oportunidade para aumentar essa alocação”, afirma Rachel.
Dicas para investir no exterior
1. Comece mesmo sem conta internacional
O investidor pode iniciar a exposição global diretamente do Brasil, sem precisar abrir conta fora.
2. Use ETFs globais como porta de entrada
Os ETFs permitem investir em renda fixa e renda variável internacional pela bolsa brasileira, de forma simples.
3. Considere fundos internacionais
Esses fundos também oferecem acesso ao exterior e podem ser uma alternativa prática para diversificação.
4. Entenda a proteção cambial
Há opções com e sem hedge cambial. Com proteção, há menos volatilidade; sem, o investidor acompanha a variação do dólar.
5. Mantenha exposição ao câmbio
Para a parcela internacional da carteira, a recomendação é não proteger o câmbio, já que ele faz parte dos ganhos e da diversificação.
6. Invista no exterior pensando no longo prazo
A exposição global não é uma aposta no dólar, mas uma estratégia de diversificação.
7. Avalie abrir uma conta global no futuro
Apesar de ser possível investir do Brasil, o ideal é, aos poucos, montar parte do portfólio em uma conta internacional.

