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Destinos inteligentes e o futuro do turismo capixaba

Pesquisadora Josy Anne Almeida explica como inovação, sustentabilidade e qualidade de vida podem transformar cidades em referências turísticas

Pensar o turismo para além da promoção de atrativos é um dos grandes desafios das cidades contemporâneas. No mais recente episódio do podcast Destinos ES, a convidada foi a pesquisadora Josy Anne Almeida, especialista em Destinos Turísticos Inteligentes (DTI), que compartilhou reflexões sobre como tecnologia, governança e inclusão podem fortalecer o turismo e melhorar a vida de quem mora nos destinos.

Capixaba, jornalista de formação e doutoranda em Turismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Josy é mestre pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e teve sua pesquisa reconhecida nacionalmente. Em 2025, recebeu o Prêmio Mestre Destaque, concedido pela Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Turismo (ANPTUR). “Sempre foi um sonho meu contribuir para o turismo”, afirmou.

Durante a conversa, a pesquisadora explicou que o conceito de cidades inteligentes não é recente. “Esse conceito vem lá dos anos 1990 e nada mais é do que desenvolver a cidade para resolver problemas urbanos globais, como trânsito e gestão administrativa, usando tecnologias de informação e comunicação”, explicou.

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Com o avanço da internet e, mais recentemente, com a pandemia, esses processos se intensificaram. “Com o advento da internet, a implementação dessas tecnologias voltadas para o turismo se fortaleceu, e com a pandemia os processos digitais se aceleraram muito”, destacou.

Foi em 2013 que a Espanha deu um passo importante ao criar o conceito de Smart Tourism Destinations, por meio da Segittur. “A ideia era pensar o turismo focando a qualidade de vida das pessoas que vivem nessas cidades, aprimorando também as experiências turísticas”, explicou Josy. A partir disso, surgiu o modelo dos Destinos Turísticos Inteligentes, baseados em cinco pilares: governança, inovação, tecnologia, sustentabilidade e acessibilidade.

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No pós-pandemia, muitos destinos passaram a adotar esses indicadores como estratégia para retomada do turismo. “Tanto na América Latina quanto em outros lugares do mundo, os destinos começaram a usar esse modelo para recuperar a demanda”, afirmou. No entanto, Josy ressalta que a adaptação à realidade local é fundamental. “Aqui na América Latina temos desafios diferentes, como segurança e infraestrutura, que nem sempre estão presentes em destinos europeus.”

Em sua pesquisa de mestrado, Josy analisou experiências em Córdoba, na Argentina; Medellín, na Colômbia; Curitiba e Vila Velha, no Brasil. “São destinos que se destacaram de alguma forma no cenário internacional”, explicou.

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Vila Velha ganhou destaque em 2024 ao ser reconhecida por voto popular na Feira Internacional de Destinos Inteligentes (FIDI). “Houve a sensação de que algo estava mudando, especialmente em relação à sustentabilidade, mesmo ainda existindo pontos de atenção na estrutura do município”, avaliou.

Ao falar de sua relação com o Espírito Santo, Josy não escondeu o afeto pelo estado. “Sou apaixonada por Vila Velha, pelo Convento da Penha. Tenho vontade de conhecer as ilhas Pituã e Itatiaia, que parecem incríveis. Também adoro Domingos Martins, Santa Teresa, Venda Nova, o Grande Buda de Ibiraçu, as praias, a gastronomia e o patrimônio capixaba”, concluiu.

A participação da pesquisadora reforça que o futuro do turismo passa por planejamento, inovação e, sobretudo, por cidades pensadas para quem vive nelas – e que, justamente por isso, se tornam mais atrativas para quem visita.

Ouça na íntegra:

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