Linhas de crédito impulsionam energia limpa, conservação hídrica e ganhos de produtividade no campo do Espírito Santo
Por Kikina Sessa
Muito antes de o ESG se consolidar como agenda global, o cooperativismo já operava com foco em impacto social, econômico e ambiental. No Espírito Santo, esse compromisso histórico se materializa no crédito como ferramenta estratégica para induzir práticas sustentáveis no campo. Linhas financeiras específicas têm ampliado o acesso a tecnologias limpas, preservação ambiental e eficiência produtiva. O resultado é um modelo que conecta desenvolvimento rural, sustentabilidade e competitividade.
O compromisso das cooperativas com a sustentabilidade vai além do financiamento. A Unicred Aliança, por exemplo, desenvolveu uma linha de crédito específica para viabilizar projetos ambientais, como a aquisição de sistemas de energia solar fotovoltaica, permitindo que produtores reduzam custos operacionais e adotem práticas mais ecológicas.
“Essa é uma forma concreta de reforçar o compromisso da cooperativa com práticas responsáveis e com o desenvolvimento sustentável dos nossos cooperados e da comunidade”, destaca o presidente do Conselho de Administração, Luiz Mauro Coelho Nascimento.
A cooperativa também atua na conscientização. Por meio da campanha “Eu Mudo o Mundo”, incentiva práticas sustentáveis no cotidiano de cooperados e colaboradores, como o uso racional da água, redução de plásticos e descarte correto de resíduos.

Outro projeto de grande impacto é o programa Café Produtor de Água, uma iniciativa do Conselho Nacional do Café (CNC) em parceria com entidades que atuam no segmento da cafeicultura — no Espírito Santo as cooperativas participantes são a Cooabriel, NaterCoop, Sicoob e Cafesul.
O programa, que incentiva práticas e manejos de conservação e de melhoria da cobertura vegetal, está em processo de implantação em três sub-bacias hidrográficas capixabas, localizadas nos municípios de Nova Venécia, Jaguaré e Muqui.
O objetivo é reduzir erosão e sedimentação, promovendo a recomposição das matas ciliares e a proteção de nascentes – ações fundamentais para a manutenção da cafeicultura e dos recursos hídricos.
Segundo o engenheiro agrônomo Vinícius Schiavo, analista de Desenvolvimento Cooperativista do Sistema OCB/ES, que acompanha esse projeto, o Café Produtores de Água caminha para uma parceria com o programa Reflorestar, do governo do Estado, já que ambos têm como objetivo comum preservar as nascentes dentro das propriedades rurais.
União que faz a diferença
Segundo maior produtor de café do país, o Espírito Santo conta com cerca de 30 mil cafeicultores integrados ao sistema cooperativo, reforçando a conexão entre sustentabilidade e desenvolvimento rural. Mais do que um modelo econômico, o cooperativismo tem se consolidado como um agente transformador da qualidade de vida de famílias e da preservação ambiental no campo.
Segundo Carlos André Santos de Oliveira, diretor-executivo do Sistema OCB/ES, o “DNA” sustentável do cooperativismo está cada vez mais evidente. “Desde sua criação, o cooperativismo carrega o compromisso com a ética, a transparência e a responsabilidade socioambiental. Essa vocação se fortalece à medida que o setor expande o acesso a soluções sustentáveis e fomenta práticas que preservam recursos e valorizam produtores e comunidades.”
Seja no incentivo à energia limpa, na conservação hídrica ou na otimização dos processos produtivos, o cooperativismo se firma como uma ferramenta estratégica para impulsionar o desenvolvimento sustentável e fortalecer a economia rural.
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 227, de junho de 2025. Leia a edição completa do Anuário Verde aqui.


