Por conectarem pequenos produtores à tecnologia, à escala produtiva, ao crédito e à agregação de valor, cooperativas impulsionam o campo capixaba
Por Kikina Sessa
Aquele conhecido provérbio que diz que “a união faz a força” se aplica com precisão ao cooperativismo — especialmente na realidade agrícola capixaba. Seja na produção de café ou na criação de animais, não faltam exemplos de como a organização coletiva tem fortalecido os pequenos produtores. Mais de 75% dos cooperados do setor rural capixaba são agricultores familiares.
No Espírito Santo, 23 cooperativas agropecuárias levam diariamente a esse segmento produtivo específico ações como assistência técnica, inovação, capacitação e acesso a mercados. Embora formadas majoritariamente por agricultores familiares, essas organizações somaram 39% do faturamento total do cooperativismo capixaba em 2023 — um resultado que revela a força da união no campo.
“Quando pensamos em agricultores familiares, como quem produz 10 litros de leite por dia ou cultiva pequenas lavouras de café ou frutas, é difícil imaginar o acesso individual à tecnologia de ponta”, avalia Pedro Scarpi Melhorim, presidente do Sistema OCB/ES.
“Nesses casos, a cooperativa faz a ponte”, completa o dirigente, citando como exemplo o edital lançado em junho de 2025, em parceria com o governo do Estado, para viabilizar a fertilização in vitro no rebanho leiteiro.
A iniciativa, voltada ao pequeno produtor, permite o acesso a uma técnica que acelera a produtividade e traz um ganho genético capaz de levar o rebanho a produzir mais leite no prazo de um ano, sem a necessidade de investimento direto de cerca de R$ 10 mil por animal.
Além de viabilizar o acesso a recursos de ponta, a cooperativa também oferece assistência técnica especializada, garantindo que o produtor aproveite ao máximo o potencial das tecnologias disponíveis — o que se reflete em ganhos produtivos e maior rentabilidade.
Aliás, esse suporte técnico é peça-chave no processo de tornar o campo mais moderno, eficiente e preparado para os novos desafios. Philipe Souza Muller, especialista em mecanização agrícola e gerente de Acesso ao Mercado da Nater Coop, explica que a atuação da cooperativa vai além da lógica comercial: ela é ponte entre o produtor e as inovações do setor.

Foto: divulgação
Muller exemplifica contando que quando o drone surgiu como recurso tecnológico, muitos produtores familiares enxergavam a ferramenta como algo distante da sua realidade.
“Passamos a mostrar que se trata de uma tecnologia acessível e possível — e que os cooperados também poderiam utilizá-la no dia a dia da propriedade”, destacou.
“Mostramos ao produtor como a tecnologia funciona, e a cooperativa assumiu o compromisso de dar todo o suporte durante o ciclo de vida do produto, no caso do drone”, afirma Philipe.
Esse compromisso com o acompanhamento técnico tem contribuído diretamente para ampliar o uso de drones nas propriedades capixabas. Atualmente, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Espírito Santo ocupa a sétima posição no ranking nacional de operadores registrados no Sipeagro: são 79 empresas especializadas, três agricultores e duas cooperativas operando um total de 181 aeronaves. O preço médio de um drone agrícola gira em torno de R$ 150 mil.
Soluções mais tecnológicas, inovadoras e sustentáveis
Cooperados da Nater Coop, o meeiro rural Odair e seu filho Miguel Turi de Azevedo, de 17 anos, fazem parte da transformação digital no campo. Há três meses, passaram a utilizar drone para realizar a pulverização na lavoura de café da fazenda de 60 hectares, localizada em Linhares, no norte do Espírito Santo.
Miguel é quem pilota o equipamento e, gradualmente, assume as atividades da propriedade, com ideias voltadas à inovação. Foi ele quem sugeriu a aquisição do drone como estratégia para otimizar a rotina da família, adotando práticas mais tecnológicas, eficientes e sustentáveis.
“Até o momento só vejo vantagens na utilização. É uma facilidade sem igual. Economiza muita mão de obra. O drone faz um serviço bem feito, e a economia de tempo é impressionante. O que antes a gente levava uma semana para pulverizar, hoje fazemos em duas a três horas”, comenta o jovem cooperado.
Outra novidade que está chegando aos poucos no campo é a máquina colhedora de café, que tem preço pouco superior a R$ 1 milhão. O equipamento vem para driblar um dos desafios atuais – a falta de mão de obra, já que realiza a colheita do café de forma totalmente mecanizada.
De acordo com Philipe Muller, o agro precisa ser ágil. “Isso não é um luxo, é uma necessidade do produtor, que precisa plantar e colher mais na mesma área, e com eficiência, para que o alimento chegue lá na ponta, no consumidor final, o mais rápido possível. E como é que se faz isso? Com tecnologia”.
Cooperativas, alavanca do desenvolvimento
As cooperativas promovem a prosperidade em cada local onde atuam, e no Espírito Santo não seria diferente. Confira os números desse movimento, que não para de crescer:
- 1,9 milhão de pessoas envolvidas com o coop
- 6,4% do PIB nominal capixaba
- 10,9% de impacto no PIB do estado
- R$ 6,1 bilhões de patrimônio líquido (+15%)
- R$ 37,8 bilhões em ativos totais (+39,2%)
- R$ 14,8 bilhões em movimentação econômica (+28,9%)
- R$ 728,9 milhões em impostos e taxas (+23,8%)
- R$ 449 milhões em sobras à disposição da AGO (+52,2%)
*Matéria publicada originalmente na revista ES Brasil nº 228, de agosto de 2025. Leia a edição completa do Agro aqui.

