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Comissão de Saúde debate recusa de doação de órgãos por familiares

Segundo a Central de Transplantes, Estado teve somente 68 doadores efetivos de órgãos nos primeiros nove meses deste ano 

Por Robson Maia

A Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa (Ales) debateu, nesta terça-feira, sobre o crescente cenário de recusa familiar para a doação de órgãos. No Espírito Santo, quase metade das famílias de potenciais doadores falecidos não autoriza o procedimento, acarretando em um baixo índice de doação.

O colegiado recebeu a equipe da Central Estadual de Transplantes (CET-ES). No Brasil, a doação de órgãos precisa ser obrigatoriamente autorizada pelos parentes mais próximos do doador falecido.

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“Uma coisa é certa: a chance de você precisar de um órgão é maior do que a chance de você ser um doador viável, já que existem muitos critérios para que um órgão seja doado”, disse Maria dos Santos Machado, coordenadora da central.

Em 2024, até o mês de setembro, o Espírito Santo teve 68 doadores efetivos de órgãos, número considerado baixo pela equipe. Já foram feitos 440 transplantes esse ano, número que também inclui órgãos recebidos de outros estados. De um doador é possível obter vários órgãos e tecidos: rins, fígado, coração, pulmões, pâncreas, intestino, córneas, valvas cardíacas (estruturas que controlam o fluxo sanguíneo), pele, ossos e tendões. 

“A doação de órgãos é uma chance de vida para quem precisa. Nós entendemos que as famílias são abordadas em um momento muito sensível e que existem muitos preconceitos em torno desse tema. Muitas vezes, nós só vamos entender essa angústia quando alguém próximo a nós precisar de um órgão. Então, precisamos ver a doação de órgãos como uma oportunidade de vida para quem recebe”, disse Alessandra Baque Berton, gerente de Regulação Hospitalar da Sesa.

O subsecretário de Regulação do Acesso em Saúde, Heber de Souza Lauar, ponderou que, além das campanhas de conscientização, é preciso melhorar a abordagem das famílias. “Quando a família que perdeu uma pessoa querida é bem acolhida e se sente segura nesse processo, temos uma chance muito maior de autorização do transplante”, reforçou o subsecretário.

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Doação de órgãos

O Brasil possui o maior programa público de transplante do mundo. No país, quase 45 mil pessoas aguardam por um transplante de órgãos, que é considerado sempre a última opção do paciente. Ou seja, o paciente só entra na fila de transplante quando todos os outros tratamentos existentes falharam. 

O presidente da Comissão de Saúde, o deputado Dr. Bruno Resende (União), reforçou a campanha de conscientização: “Decida pela doação de órgãos e converse com sua família. O que fica é o amor que a gente deixa, e o transplante de órgãos é uma atitude de amor”, disse o parlamentar.

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