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Comércio varejista capixaba tem o melhor abril em duas décadas

Setor cresce mais que o dobro da média nacional no primeiro quadrimestre e consolida cenário de otimismo para o segundo semestre

Por Maxieni Muniz

O Espírito Santo encerrou o mês de abril com um desempenho histórico no comércio varejista, registrando o maior índice de vendas para o mês nos últimos 20 anos. De janeiro a abril de 2025, o setor teve alta de 4,3%, enquanto a média brasileira foi de 2,1%, o que representa um crescimento mais que duas vezes superior à média nacional.

O resultado consolida o estado como líder de crescimento entre os quatro do Sudeste, superando Minas Gerais e São Paulo, que empataram em 2,1% e 1,5% respectivamente, e se distanciando ainda mais do Rio de Janeiro, que apresentou retração de 2,2% no mesmo período. Em abril, o índice de volume de vendas atingiu 113 pontos — valor considerado altamente satisfatório —, confirmando o aquecimento do consumo e da atividade econômica no território capixaba.

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Segundo análise do Observatório do Comércio, esse cenário de expansão está ancorado em múltiplos fatores: melhora no nível de emprego, inflação sob controle e maior confiança dos consumidores. Esses elementos criaram um ambiente favorável ao consumo, impulsionando segmentos como vestuário, cosméticos, eletroeletrônicos e alimentação.

O coordenador técnico do estudo, André Spalenza, avalia que o ritmo de crescimento tem potencial para gerar impactos em cadeia. “Com o varejo avançando nesse ritmo, há espaço para mais investimentos, ampliação de lojas, contratações e geração de renda. Isso alimenta um ciclo virtuoso na economia local e fortalece a estrutura de consumo das famílias capixabas”, explica.

Destaques do mês

Entre os segmentos que mais cresceram em abril, a liderança ficou com o setor de tecidos, vestuário e calçados, com avanço de 20,8% sobre o mesmo mês de 2024. Produtos farmacêuticos e de perfumaria também tiveram desempenho expressivo, com 11,4% de crescimento. Outros setores em destaque foram informática e comunicação (8,6%) e supermercados, bebidas e fumo (6,2%).

Esses resultados refletem não apenas o aumento da procura por bens de consumo imediato, mas também uma reorganização do orçamento familiar diante de condições de crédito mais equilibradas e maior estabilidade nos preços.

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Varejo ampliado e atacarejo: força do interior

O chamado varejo ampliado — que engloba também setores como atacado e materiais de construção — registrou expansão de 4,1% no acumulado de janeiro a abril. O índice é expressivamente superior aos 0,5% observados na média do Sudeste e ao 1% da média nacional.

O segmento de atacado especializado em alimentos, bebidas e fumo foi o principal destaque dessa categoria, com crescimento de 30% em abril frente ao mesmo mês do ano anterior, e de 24,2% no acumulado do ano. Já o comércio de veículos, motocicletas e peças apresentou leve queda de 0,7%, enquanto o setor de materiais para construção teve alta de 3,4%.

A movimentação nas cidades do interior, especialmente em polos regionais com forte presença do comércio atacadista, tem sido determinante para esse desempenho. O crescimento desses centros fortalece os fluxos econômicos fora da capital e descentraliza a geração de riqueza.

Números que projetam o segundo semestre

  • Previsão para julho: A expectativa é que as vendas do varejo no estado alcancem cerca de R$ 7,25 bilhões em julho, um avanço de 5,87% frente ao mesmo mês do ano passado.

  • Saldo no semestre: O volume total negociado em junho é estimado em R$ 6,98 bilhões, o que representaria uma elevação de 8,18% na comparação anual.

  • Desempenho trimestral: Projeções indicam que o segundo trimestre de 2025 deve superar o primeiro em aproximadamente R$ 374 milhões em vendas.

  • Metodologia: As estimativas utilizam dados oficiais da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC/IBGE), complementados por séries históricas da Pesquisa Anual do Comércio (PAC) e índices de preços ao consumidor atualizados até junho de 2025.

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