Comércio híbrido impõe novas estratégias às empresas para integração entre lojas físicas e vendas online diante da mudança do consumidor
Por Amanda Amaral
O cenário do varejo atravessa um momento de transição – lojas físicas ou loja online? Embora o tradicional comércio de rua ainda mantenha sua força no cotidiano do consumidor, a ascensão do digital impõe uma nova realidade aos varejistas. A adaptação ao modelo híbrido não é mais apenas uma tendência, mas um diferencial.
Em polos comerciais como a Glória (Vila Velha), Laranjeiras (Serra) e Campo Grande (Cariacica), a pressão de plataformas como Amazon, Shopee, Mercado Livre e outros, além da mudança no comportamento de compra, têm exigido dos comerciantes locais um planejamento mais rigoroso.
As plataformas alcançam todos os lugares e públicos, e ainda tem mais flexibilidade para ofertas e preços baixos. “Entendo que essas empresas [comércio de rua] precisam direcionar as suas ações também para esse mercado virtual”, explica Jarbas da Vitória, analista técnico do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Espírito Santo (Sebrae/ES).
O presidente do Conselho Regional de Economia, o economista Ricardo Paixão, avalia que o cliente moderno busca conveniência, preço baixo e experiência.
“Ele não quer só comprar, ele quer ter uma experiência. Ele pesquisa online, compra na loja física. Precisa ter uma integração”, conta, se referindo ao modelo híbrido.
Outro destaque de Ricardo Paixão são as ferramentas como Instagram e WhatsApp, especialmente para o dono de pequeno negócio, já que permitem vendas diretas sem grandes investimentos em tecnologia.
“A logística de entrega também evoluiu muito desde a pandemia [Covid-19], com entregas via bicicleta, moto ou carro, acessíveis até para pequenos negócios, mas o lojista deve se preparar para que o estoque acompanhe a demanda online”, conta.

Apesar de avanços, o custo logístico para entregas rápidas (delivery) ainda é desproporcional para pequenas empresas, na competição com grandes ícones do setor. Uma opção é a associação.
“Precisa estar atento às exigências de cada uma dessas plataformas, pois existe um modus operandi, que precisa ser seguido para que se consiga ter mais destaque nessas plataformas e, por conseguinte, alavancar as vendas da empresa”, comenta Jarbas da Vitória.
Planejamento e gestão
O consumidor atual transita entre os dois mundos, mas Jarbas da Vitória alerta: “Podemos dizer que, quem tem um comércio híbrido, tem duas lojas e ambas precisam de atenção, gestão e planejamento para operarem”.
O sucesso nesse modelo depende de uma definição clara de quem é o cliente, pois na internet, o diferencial competitivo vai além do preço, passando pela experiência de compra.
“Cada segmento tem suas características e peculiaridades. O impacto das lojas online não é o mesmo em todos os segmentos. Assim sendo, as necessidades e estratégias são diferentes para cada empresa. Mas o fato é que precisam se movimentar em direção às vendas online ou perderão espaço”, disse o analista do Sebrae-ES.

