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domingo, 21 abril, 2024

Cientista brasileira inspira mais mulheres a fazerem ciência

Ex-aluna do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, pesquisadora destaca-se em área ainda marcada pela desigualdade de gênero

Na semana do Dia Internacional da Mulher, a matemática brasileira Jaqueline Godoy Mesquita tem muito a celebrar. Ela é a única pesquisadora da América do Sul, Central e do Caribe a conquistar o Science, She says! Award, reconhecimento oferecido pelo Ministério das Relações Exteriores e Cooperação Internacional da Itália (MAECI) a jovens cientistas estrangeiras de destaque.

“Estou aqui hoje para receber este prêmio não apenas como Jaqueline Mesquita, mas também em nome de todas as mulheres cientistas da América do Sul.” Falou em seu discurso, ao receber a premiação. “Se estou ganhando este prêmio hoje, é porque muitas mulheres no passado lutaram e morreram para permitir que eu e outras mulheres ao redor do mundo pudéssemos estudar e fazer progressos significativos na ciência. Portanto, é meu dever dizer ao mundo inteiro hoje que nós, mulheres cientistas de todas as áreas, podemos fazer muito mais pela ciência, podemos ajudar a resolver os desafios globais, promovendo relevantes transformações no mundo”, disse.

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O prêmio que Jaqueline recebeu em Roma, na Itália, nesta segunda (6), não é o primeiro a reconhecer a relevância de seu trabalho em prol do avanço da ciência brasileira. Em 2019, ela subiu ao palco da Casa Firjan, espaço pertencente à Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), para receber o prêmio Para Mulheres na Ciência na categoria “matemática”. Oferecida pela L’Oréal em parceria com a Unesco Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a premiação se tornou um importante marco na carreira da jovem pesquisadora, que na época tinha apenas 33 anos.

Com a visibilidade alcançada a partir do reconhecimento, os holofotes também foram direcionados para a linha de pesquisa que Jaqueline investiga, um campo ainda bastante inexplorado dentro da ciência brasileira. “Várias pessoas começaram a se interessar mais pela área das equações diferenciais funcionais com retardamento depois do prêmio. Surgiram, inclusive, conexões com outras linhas de pesquisa. Diversos projetos nasceram a partir disso e as possibilidades de parcerias se multiplicaram.”

Medicina não, matemática sim

Jaqueline também fala sobre a sua trajetória dentro das ciências exatas, e como foi trilhar um caminho que poucas mulheres que conhecia seguiam:

Gilson, seu pai, nutria o sonho de, um dia, passar a Jaqueline o anel que ganhou no momento em que se formou em medicina. Desvencilhar-se das tradições familiares e dos muitos futuros caminhos que Gilson e Aparecida, a mãe, planejavam não foi tarefa fácil para a jovem. A paixão pela matemática começou a se estabelecer no final do ensino médio. A garota decidiu que optaria por seguir carreira em matemática ou em física.
“Eu não sabia como falar para os meus pais que queria fazer matemática ou física”, contou.

“Então, eu me lembrei que uma das minhas tias, irmã da minha mãe, tinha formação em matemática. Fui conversar com ela porque achei que, se me apoiasse, poderia me ajudar a falar com a minha família.” O empurrãozinho da tia Cleide Bezerra foi providencial. Mesmo não trabalhando na área, já que tinha optado por exercer a profissão de engenheira química, Cleide incentivou a sobrinha a escolher matemática.

Uma jornada e muitas mentoras ― Além da tia Cleide, Jaqueline contou com o apoio de outras matemáticas que a ajudaram a tomar importantes decisões ao longo da carreira. As parcerias científicas de sua orientadora com pesquisadores do leste europeu possibilitaram a Jaqueline vivenciar um período de seu doutorado na Academia de Ciências da República Tcheca, em Praga.

Permite-se a entrada de mulheres (com e sem óculos)

Entre os muitos estereótipos sobre o mundo da pesquisa em matemática, ao menos um deles pode ser sintetizado por uma frase já ouvida por Jaqueline: “Você não parece matemática, você nem usa óculos”. Símbolo de uma visão distorcida e limitada sobre a área, a frase estampa na cara, literalmente, o quanto ainda estamos distantes de desmistificar as ciências exatas.

Cerceada por estereótipos desse tipo e marcada pela desigualdade de gênero, a matemática tem seu desenvolvimento prejudicado. Jaqueline defende que todo ambiente científico precisa ser criativo e que, para isso, é necessário ter diversidade, uma condição essencial para que o conhecimento avance.

“A diversidade nos grupos de pesquisa é fundamental, pois possibilita que existam vários olhares e distintas perspectivas voltadas a resolver um problema, o que ajuda a construir um ambiente de trabalho muito mais produtivo”, conclui.

Com informações de USP

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